Dívidas ocultas: Chang quer decisão sobre extradição nas mãos de Ramaphosa

Foi adiada mais uma vez, agora para 26 de março, a decisão sobre a extradição de Manuel Chang. Advogados pediram que seja o Presidente sul-africano a decidir sobre os pedidos dos EUA e de Moçambique.

Mais um adiamento no caso de Manuel Chang, na África do Sul. A defesa do ex-ministro moçambicano das Finanças já não quer que seja o ministro sul-africano da Justiça a decidir sobre os pedidos de extradição feitos pelos Estados Unidos da América e por Moçambique, mas o próprio Presidente Cyril Ramaphosa.

Foi o que afirmou nesta segunda-feira (18.03) o advogado de Manuel Chang, Rudi Krause, que pede ao Director-Geral dos Procuradores que dê a Ramaphosa a palavra final: "Queremos que o Director-Geral dos Procuradores tome a decisão de que pedido deve receber preferência. E somos de opinião que essa decisão deve ser tomada já", declarou.

É a resposta da defesa de Manuel Chang ao Ministério Público, que reiterou esta segunda-feira em tribunal que quem deve decidir sobre os pedidos de extradição é a Justiça sul-africana.

Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa

Ministério Público contra

Manuel Chang está detido na África do Sul desde o final de dezembro, acusado de crimes financeiros. O ex-ministro moçambicano foi detido a pedido dos EUA, mas, a seguir, Moçambique também optou por pedir a extradição.

A defesa de Chang diz que é o chefe de Estado que deve decidir sobre o assunto. Mas o novo procurador do Ministério Público, Dean Barnard, pediu ao juiz, nesta segunda-feira (18.03), que indeferisse o requerimento dos advogados de Chang de passar para as mãos do Governo a decisão sobre a extradição do ex-ministro moçambicano.

"Em resumo, direi que a pessoa, pela qual se requer a sua extradição por um país estrangeiro, deve ser apresentada perante um juiz que lida com casos de extradição, e que este irá determinar se a pessoa é elegível. Reitero que é o que é estipulado por lei", afirmou.

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MEDIATECA | 18.03.2019

Chang quer decisão sobre extradição nas mãos de Ramaphosa

Nova data

A audição desta segunda-feira em Joanesburgo foi marcada para a apresentação dos argumentos do Ministério Público e da defesa, depois do advogado de Chang ter invocado irregularidades na decisão do juiz William Schutte, que decidiu que o pedido de extradição dos EUA seria o primeiro a ser ouvido, em detrimento do moçambicano.

O Ministério Público defende que a lógica e o senso comum dão prioridade ao pedido dos EUA, porque este foi o primeiro a ser recebido e também porque o arguido foi preso devido a um mandado de captura emitido justamente pela justiça americana.

A decisão sobre a extradição foi agora adiada para a próxima terça-feira, 26 de março.

Questionado acerca do caso, o novo adido de segurança junto do Alto Comissariado de Moçambique na África do Sul, o general Abel Nuno, destacou que "os advogados estão a cumprir o papel deles".

"Nós, como autoridade moçambicana, [também] estamos a fazer o nosso papel, acompanhando todo o contorno desse problema, ao lado do nosso cidadão. Apesar de tudo, ele continua nosso cidadão e nós temos a obrigação de lhe dar todo o apoio", complementou.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai faz mais de 200 mortos

A passagem do ciclone Idai afetou mais de 1,5 milhões de pessoas em Moçambique, no Zimbabué e no Malawi, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de 200 pessoas morreram nos três países e milhares estão desalojadas. O levantamento do número de vítimas está por concluir, dado que há locais de difícil acesso devido à subida do nível dos rios.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Beira é a cidade mais atingida de Moçambique

Há pelo menos 84 mortos em Moçambique, segundo os últimos dados. Mas o Presidente Filipe Nyusi afirma que "tudo indica que poderemos registar mais de mil óbitos". A cidade da Beira foi a mais afetada. Os ventos e chuvas fortes deixaram a cidade parcialmente destruída, sem luz nem telecomunicações.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone visto do espaço

Esta imagem de satélite feita pela NASA mostra a passagem do ciclone Idai pelos países africanos. "A situação é terrível, a magnitude da devastação é enorme", disse o líder da equipa de avaliação da Cruz Vermelha na Beira, Jamie LeSueur. "Enquanto o impacto físico do Idai começa a emergir, as consequências humanas ainda não estão claras", lê-se num comunicado.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Deslocados à procura de abrigo

Milhares de pessoas estão desalojadas na zona centro de Moçambique. O Presidente Filipe Nyusi, que sobrevoou a região, indicou que aldeias inteiras desapareceram nas enchentes e que há regiões totalmente incomunicáveis. "Vimos durante o voo corpos flutuando, um verdadeiro desastre humanitário de grandes proporções", assinalou o chefe de Estado.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Estrada de acesso à cidade da Beira fechada

Com as fortes chuvas, o nível dos rios subiu. Um deles, o rio Haluma, transbordou e cortou a estrada nacional 6, espinha dorsal do centro de Moçambique e única via de acesso à Beira. A cidade ficou isolada. Em entrevista à AFP, o ministro do Meio Ambiente de Moçambique, Celso Correia, afirmou que "este é o maior desastre natural ocorrido no país".

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Motoristas isolados na estrada

Isolados na estrada nacional 6, única via de acesso à Beira, moçambicanos aguardam até que a via seja desbloqueada. Formou-se uma longa fila de camiões e outros veículos. Os ventos fortes derrubaram postes.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Noutras vias, mais destruição

A estrada número 260, que liga Chimoio a Mossurize, também não escapou à intempérie. A ponte sobre o rio Munhinga foi arrastada, isolando os dois distritos. Formaram-se enormes buracos nas rodovias, a isolar zonas de Moçambique e a dificultar o acesso às equipas de socorro.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

A fúria das águas

A ponte sobre o rio Haluma, em Nhamatanda, zona central de Moçambique, ficou submersa. É mais uma zona afetada pelas cheias e pelo nível elevado dos rios. Uma camioneta que transportava dez pessoas foi arrastada ao passar pelo local. Seis pessoas morreram e quatro conseguiram salvar-se, penduradas em cima de um camião basculante.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

População precisa de ajuda médica

Mais de cem salas de aulas ficaram destruídas nas regiões mais afectadas pelo ciclone e cheias nos distritos moçambicanos de Chinde, Maganja da Costa, Namacurra e Nicoadalá. Em visita à Zambézia, o Presidente Filipe Nyusi afirmou que, além de bens alimentares, a população necessita também, com prioridade, de assistência médica.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai leva a cancelamento de voos

A passagem do fenómeno também afetou os transportes aéreos. O aeroporto da Beira ficou inoperante entre quinta-feira (14.03.) e domingo (17.03). Todos os voos domésticos foram suspensos. Dezenas de voos previstos para descolar do aeroporto internacional de Maputo, o maior de Moçambique, foram cancelados. O fecho dos aeroportos também dificultou a chegada de ajuda humanitária.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Depois de Moçambique, Zimbabué e Malawi

O ciclone Idai atingiu a Beira na quinta-feira (14.03), tendo seguido depois para oeste, em direção ao Zimbabué e ao Malawi, afetando mais milhares de pessoas, em particular nas zonas orientais da fronteira com Moçambique. Casas, escolas, empresas, hospitais e esquadras ficaram destruídas. Estradas e pontes desapareceram, o que dificulta os trabalhos de resgate.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Plantações devastadas pela força do ciclone

No Zimbabué, o número de mortos após a passagem do ciclone Idai chega a 82. O Presidente Emmerson Mnangagwa disse que a resposta do Governo está a ser coordenada pelo Departamento de Proteção Civil através dos comités de Proteção Civil nacional, provincial e de distrito, com o apoio de parceiros humanitários.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai chega ao Malawi

Os distritos de Chikwawa e Nsanje, no Malawi, ficaram inundados com a passagem do ciclone Idai. Segundo o balanço mais recente do Departamento de Gestão de Riscos, no país foram registadas 56 mortes. Quase 1 milhão de pessoas foram afetadas pela passagem do ciclone. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, 80 mil viram as suas casas destruídas e estão sem onde se refugiar.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Cheias nos rios aumentam risco de doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou as autoridades para a importância de se levar a cabo um levantamento dos estragos nos serviços de saúde, já que o agravamento das cheias nos próximos dias, devido à continuação de chuvas fortes, aumenta o risco do aparecimento de doenças transmissíveis pela água e pelo ar.