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Dhlakama dispensa proteção da polícia moçambicana

Leonel Matias (Maputo)19 de agosto de 2015

O líder do maior partido da oposição moçambicana prescindiu da proteção policial do Estado, alegando ter sido abandonado pelas forças que o protegiam em Tete. A sua segurança será agora garantida por homens da RENAMO.

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Foto: picture-alliance/dpa/Antonio Silva

Na qualidade de líder da oposição, Afonso Dhlakama tem direito a proteção policial. No entanto, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) diz que já não quer ser protegido pela polícia estatal.

O presidente da RENAMO alega que, na semana passada, foi abandonado pela polícia quando orientava um comício popular no distrito de Chifundi, na província central de Tete. "Começaram a tremer. Abandonaram-me num comício, fugiram de Chifundi e voltaram para Tete", conta Dlakhama.

Polizei Mosambik
Na qualidade de líder da oposição, Dhlakama tem direito a proteção policialFoto: E. Valoi

"Não preciso mais da polícia da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) nem da Polícia de Intervenção Rápida. Eu tenho os meus homens, os mais fortes de Moçambique", adiantou o líder da RENAMO.

Questionado pelos jornalistas sobre o caso, o porta-voz do Comando Geral da Polícia, Pedro Cossa, alegou problemas operacionais. Segundo Cossa, esta não foi a primeira vez que Dlakhama ficou sem escolta da polícia estatal.

"Se tudo ficar resolvido do nosso lado - a questão dos meios e da organização - vamos continuar a trabalhar. Isso nunca foi um problema", assegurou.

Queixa da RENAMO

A RENAMO apresentou uma queixa durante a última ronda negocial com o Governo, na segunda-feira (17.08). O chefe da delegação do Governo, José Pacheco, mostrou-se surpreendido com a reclamação. "É estranho que a RENAMO traga agora este ponto", afirma, "porque vezes sem conta ouvimos o presidente da RENAMO, a desqualificar a nossa Polícia da República de Moçambique (PRM), tratando-a como se fosse de capacidades reduzidas. E (dizia) que tinha pessoas altamente qualificadas para cuidar dos seus assuntos de segurança".

Dhlakama "é um político, portanto pode tomar a decisão que achar melhor", declarou o porta-voz do Comando-Geral da Polícia, Pedro Cossa, ao comentar a decisão do líder da RENAMO. "Não tenho de questionar isso", acrescentou.

O incidente ocorreu numa altura em que o Governo e a RENAMO têm vindo a trocar acusações sobre a responsabilidade de novos ataques militares na província de Tete. Ainda na semana passada (10.05), o Governo acusou a RENAMO de ter realizado mais cinco ataques em Tete contra alvos policiais.

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As duas partes assinaram em setembro de 2014 um acordo de cessação das hostilidades que previa o desarmamento e reinserção das forças armadas residuais da RENAMO. Contudo, ainda não conseguiram alcançar um acordo sobre a matéria, tendo os mediadores aconselhado que o assunto fosse discutido entre o Presidente Filipe Nyusi e o líder da RENAMO.

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