Em Lichinga, "lixo é riqueza"

O único Centro de Compostagem do Niassa foi criado para incentivar os camponeses a investir na reciclagem orgânica, reduzindo os custos com adubos químicos e aumentando a produtividade dos campos de cultivo.

Na cidade de Lichinga, província de Niassa, jovens apostam na compostagem para minimizar problemas de lixo. Inserido no projeto "Lixo é riqueza”, o Centro de Compostagem pretende incentivar produtores à reciclagem orgânica, diminuindo os custos com adubos químicos e aumentando a produtividade dos solos.

A coleta acontece de forma seletiva. Primeiro, eles escolhem resíduos sólidos e orgânicos. Normalmente, tratam-se de podas de árvores, restos de alimentos, folhas das árvores, restos de serradura, farelo e excremento bovino. O lixo selecionado é então levado a um campo de produção com vários tipos de compostos orgânicos: alguns por baixo da terra, e outros aéreos.

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NOTÍCIAS | 29.09.2017

Em Lichinga, "lixo é riqueza"

Júlio Benesse, membro da iniciativa, contou que, dentro desses compostos, eles fazem a separação dos resíduos, como podas de árvores numa camada, restos de verdura em outra, grãos e restos de alimentos juntos e, por fim, a terra que se usa para a produção de hortícolas. "Nessa fase, é preciso fazer a mistura de tudo que possa influenciar a compostagem de resíduos orgânicos. Depois de dois a quatro meses de decomposição, o resultado desse processo é o adubo orgânico, que acaba sendo utilizado no campo de produção”, explicou Benesse.

Recursos do próprio quintal

O único Centro de Compostagem do Niassa foi criado este ano pelo Comitê de Monitoria de Responsabilização Social. O edil de Lichinga, Saíde Amido, visitou recentemente o Centro de Compostagem e apelou à população para reaproveitar os resíduos. Amido disse que o melhor gestor de resíduos sólidos da cidade é o próprio morador. "Aqui ficou claro que, em vez de pensarmos que tudo é da responsabilidade do Conselho Municipal, nós podemos fazer isso no nosso próprio quintal. Podemos separar vários tipos de resíduos sólidos: plásticos, restos de comida, capim, tudo que acharmos em nossos quintais. E assim reutilizar esses recursos para outros aproveitamentos”, afirmou o edil.

"Lixo é riqueza"

Camponeses aprendem a preparar o solo para aumentar a produtividade nas áreas de cultivo.

Para Jafar Amado, presidente do Comité de Monitoria e Responsabilização Social em Lichinga, o desafio agora é apelar aos munícipes para que adotem práticas adequadas no tratamento de resíduos sólidos."Temos que difundir essa informação. Depois da entrega desse Centro de Compostagem, começaremos já a trabalhar passando o conhecimento para todos os bairros. Talvez, isso já aconteça no próximo mês”, informou Amado.

Com o Centro de Compostagem, Agostinho Cigarro, diretor da organização não-governamental Concern Universal Moçambique, que também apoia a iniciativa, espera que os munícipes vejam o lixo como uma mais-valia. "Lançámos a campanha Lixo é Riqueza, em outubro do ano passado (2016). O objetivo é fazer com que o cidadão aprenda a valorizar o lixo. Nós verificamos que, de fato, lixo não é lixo, mas um capital. Trata-se de um recurso com potencial para ser transformado em algo que pode garantir uma grande produtividade”, declarou. Agostinho Cigarro concluiu dizendo que o desafio da Organização é acompanhar os produtores na iniciativa em todos os bairros, bem como apoiar os produtores da região. 

Arte a partir do lixo

Moda amiga do ambiente

Londres - Paris - Nairobi. A capital do Quénia ganha fama entre as métropoles da moda e design. Além de originais, muitas criações também são amigas do ambiente. É a nova moda do "upcycling" - lixo e produtos inutilizados ganham novas formas. Na Europa dos produtos descartáveis, o "upcycling" não tem tido muito sucesso. Mas, em África, faz parte do quotidiano.

Arte a partir do lixo

Reciclar para a passarela

"Second Life" é uma coleção de Nike Gilager Kondakis feita a partir de roupa usada. A roupa é importada às toneladas da Europa - por isso se produz cada vez menos tecidos e coros no leste de África. Kondakis manda coser as roupas doadas, cortadas em tiras, para fazer novas peças - boleros ou camisas, por exemplo.

Arte a partir do lixo

Cacos reaproveitados

Na era do plástico, há cacos com fartura no Quénia. Kitengela, uma aldeia de artistas a sul de Nairobi, recebe toneladas de cacos, que são partidos e fundidos em fornos. A artista alemã Nani Crozi e outras 40 pessoas produzem aqui vidros artesanais.

Arte a partir do lixo

Bijutaria colorida

Os artistas de Kitengela são conhecidos pela sua bijutaria de vidro - estas pérolas são peças únicas feitas à mão, muito procuradas por designers de moda na região. Os artistas também aceitam pedidos exclusivos. As pérolas são vendidas assim ou são aproveitadas para outras obras.

Arte a partir do lixo

Reciclar em vez de deitar fora

Kibe Patrick vive e trabalha há quatro anos na comunidade de artistas de Kitengela. "Sempre reciclei objetos de forma artística", diz. Agora, além de reciclar latas, Kibe Patrick ajuda também a fazer as pérolas de vidro.

Arte a partir do lixo

Arte sustentável

Kibe Patrick ganha dinheiro com estas obras, amigas do ambiente. No continente, não costuma haver reciclagem de plástico, vidro e metal a nível industrial. Mas a verdade é que, quando se trabalha com materiais que já existem, gasta-se menos energia e emitem-se menos gases nocivos ao meio ambiente.

Arte a partir do lixo

Jóias feito de lixo

A designer de jóias Marie Rose Iberli também usa pérolas de vidro de Kitengela nas suas coleções. Além disso, produz bijutaria a partir de papel, ossos, cornos e alumínio. "Como designer, fascinam-me os limites naturais dos materiais", diz. Para Iberli, são materiais mais interessantes do que, por exemplo, o plástico - que permite fazer quase tudo.

Arte a partir do lixo

Dos materiais à ideia

Reciclar ou reutilizar os materiais? Iberli diz que não tem preferências. A exceção é, talvez, o alumínio: A designer faz bijutaria de alta qualidade a partir de peças de motores velhos. Muitas vezes, inspira-se nos próprios materiais para fazer as jóias.

Arte a partir do lixo

Tradição e moda

Iberli gosta da ideia de poder apanhar coisas do chão e dar-lhes um outro uso. A arte de Kitengela une a tradição e a moda e desperta o interesse de muitos clientes - incluindo na Europa.

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