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Hospitais de Angola com falta de medicamentos

Pedro Borralho Ndomba (Luanda)18 de março de 2016

Todas as semanas morrem dezenas de crianças nos hospitais de Luanda. Faltam medicamentos, sangue, equipamentos, médicos e enfermeiros. Oposição angolana exige que se declare o estado de calamidade nacional.

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Hospital Pediátrico David Bernardino em LuandaFoto: DW/B.Ndomba
Ao entrar no Hospital Pediátrico David Bernardino, um dos maiores de Angola, o primeiro som que se ouve é o de pessoas a chorar. Há crianças que morrem nos braços das mães e pais à espera de sangue para fazer uma transfusão.

Vasco está no hospital e foi com o filho ao banco de urgência, que está completamente cheio. "Está muito complicado. Não temos dinheiro. O paciente é que tem de comprar tudo. São já 16 horas de espera. O meu filho está sem o sangue e eu até já doei mas até agora não fomos atendidos", lamenta o pai.

Há muitas crianças em estado grave, mas a espera prolonga-se. O hospital não tem camas suficientes para tanta gente. Quatro pacientes dividem uma cama, enquanto outros recebem assistência por cima de um pano estendido no chão.

Pacientes obrigados a comprar medicamentos e materiais

Também faltam medicamentos e o problema não é novo. Há muito que se sabe que a maior parte dos serviços de saúde em Angola não têm fármacos, nem seringas, luvas, compressas ou adesivos. Os pacientes são obrigados a comprar medicamentos e materiais nas farmácias.

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Pessoas à espera para serem atendidas no Hospital Pediátrico David BernardinoFoto: DW/B.Ndomba
Estima-se que, neste momento, só no Hospital Pediátrico David Bernardino, morram 15 crianças por dia. O hospital atende, de segunda a domingo, uma média de 500 pacientes por dia com várias doenças, sobretudo malária.
Uma enfermeira, que não se identificou, conta que nunca viu nada assim e que continuam a chegar novos casos diariamente. Já o médico Luís Bernardino conta que, para além de faltarem medicamentos, há cinco anos que o hospital não recebe novos profissionais.

"Este hospital está com dificuldades, aliás, como todos sabem, estamos a receber menos de 50% dos bens de serviço desde o ano passado. Há meses em que não recebemos nada e não recrutamos enfermeiros há cinco anos", revela o profissional de saúde.

Ainda assim, o Hospital Pediátrico David Bernardino está a receber donativos de várias organizações e também de cidadãos comuns.

Esta quinta-feira (17.03.), o governador da província de Luanda, Higino Carneiro, apelou a um maior empenho dos profissionais de saúde: "Sabemos que por força da Lei Geral do Trabalho, devem trabalhar apenas 30 horas por semana. Então, mas vamos deixar morrer as pessoas porque a lei nos impõe que devemos trabalhar apenas duas vezes por semana?".

Entretanto, o maior partido da oposição em Angola, a UNITA, exigiu ao Presidente José Eduardo dos Santos que declare o estado de calamidade nacional face à crise no setor da saúde.

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