Grupo que atacou polícia no norte de Moçambique visava provocar desordem

Membros detidos do grupo armado que entrou em confronto com a polícia em Mocímboa da Praia, na província moçambicana de Cabo Delgado, disseram às autoridades que a ação visava espalhar terror.

"O grupo pretendia semear medo e terror junto da população e instalar a desordem pública" disse hoje o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina, em conferência de imprensa, com base nas respostas a interrogatórios policiais.

Aquele responsável admite que a justificação seja superficial e referiu que a PRM continua em busca da "razão profunda" da violência. O número de detidos não foi especificado.

"Das diligências e dos interrogatórios que foram acontecendo há a indicação de que se se tratam de moçambicanos", declarou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina.

O porta-voz do Comando-Geral da PRM adiantou que, das informações até ao momento recolhidas, não é possível estabelecer qualquer ligação entre os atacantes e grupos terroristas ou de crime organizado.

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Mocímboa da Praia - Cabo Delgado

O porta-voz referiu que as autoridades estão a investigar as motivações, a existência de uma eventual liderança e de treino militar.

"Quem maneja armas de fogo e efetua disparos deve ter tido contacto com essa arma. O nível de treino é um aspeto que está a ser aferido", acrescentou Inácio Dina.

Atacantes mortos em confrontos com a polícia subiu para 14

O número de atacantes mortos nos confrontos com a polícia, no distrito de Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, subiu de dez para 14, informou na tarde desta sexta-feira (06.10.) fonte policial.

"Contam-se neste momento 14 bandidos armados mortos e vários feridos" entre os atacantes, disse em conferência de imprensa o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina.

Segundo referiu, na sequência do ataque a postos policiais protagonizado por um grupo de 30 homens armados, de origem desconhecida, dois polícias morreram e quatro ficaram feridos com catanas usadas pelos atacantes. Não há registo de vítimas civis, acrescentou Dina.

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Venda de pescado em Mocímboa da Praia

Inácio Dina disse que o último momento de tensão viveu-se na manhã de hoje quando houve uma tentativa de ataque armado a um ponto do distrito, não especificado, e que foi repelido pela polícia.

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A PRM persegue o resto dos membros do grupo, "olhando para os pontos onde há indicação de estarem refugiados", acrescentou.

De acordo com o porta-voz da PRM, a polícia está a seguir vestígios de sangue para localizar atacantes feridos, que não se querem apresentar às unidades sanitárias por temerem a detenção.

As autoridades policiais apreenderam duas armas do tipo AK-47 e detiveram também vários membros do grupo de atacantes.

O porta-voz do Comando-Geral da PRM referiu que "neste momento, a PRM tem o controlo do distrito de Mocímboa da Praia e este aspeto está a permitir que as pessoas que haviam abandonado as suas residências notassem a presença policial e regressassem", concluiu Inácio Dina.

O terceiro maior de África

O Lago Niassa é um imenso azul partilhado pelo Malawi, por Moçambique e pela Tanzânia. É o nono maior do mundo e o terceiro maior do continente africano, a seguir aos Lagos Victória e Tanganika. Localizado no Vale do Rift, o lago tem 560 quilómetros de comprimento, 80 quilómetros de largura e 700 metros de profundidade. Em língua chinhanja, falada na orla moçambicana, "niassa" significa lago.

Ecossistema único

Nas águas azuis, transparentes e limpas do lago vivem cerca de mil espécies ciclídeos (família de peixes de água doce), das quais apenas 5% existem noutros lugares do Planeta. As praias e toda a região do Lago Niassa têm uma biodiversidade rica que ascende a 700 mil espécies diferentes, a nível de fauna e flora, pelo que tem elevado valor para a investigação científica.

Verde e azul

A província do Niassa pinta-se do verde, dos imensos planaltos, e do azul, do lago e do céu. Na viagem até ao Lago, percorrem-se dezenas de quilómetros de floresta virgem, com comunidades muito dispersas. Localizada no noroeste de Moçambique, a província do Niassa é a mais extensa e a menos habitada do país, com uma densidade populacional de cerca de oito habitantes por quilómetro quadrado.

Riquezas do lago

As águas límpidas do Lago Niassa convidam aos banhos e a passeios de barco. As suas profundezas escondem um bem valioso, hidrocarbonetos. A corrida ao "tesouro" levou o Malawi, em 2012, a iniciar trabalhos de prospeção de petróleo e gás natural sem o consentimento dos seus vizinhos, Moçambique e Tanzânia. As relações entre o Malawi e a Tanzânia esfriaram.

A quem pertencem as águas?

Carregando água, estas meninas levam o Niassa para casa, que ajudará nas lides domésticas. Mas a quem pertencem as águas do Niassa? O Malawi exige o domínio do lago, a que chama Lago Malawi, à exceção da parte que banha Moçambique, no âmbito do Tratado Anglo-Germânico de 1890. A Tanzânia rejeita, diz que o acordo tem lacunas. Os dois países disputam há mais de 50 anos a soberania do Lago Niassa.

Loiças, roupas, banhos

O lago faz parte do quotidiano das comunidades da região. É lá onde, todos os dias, as mulheres lavam a loiça e as roupas de toda a família. Tal como elas, crianças e homens tomam ainda banho nas águas mornas do Niassa. Na altura do banho, elas agrupam-se de um lado e os homens afastam-se para outro.

A pesca

Em Meluluca, assim como em quase toda a costa do lago, quase todos os homens se dedicam à pesca. Contudo, muitas vezes, os pescadores utilizam redes mosquiteiras, prática nefasta que arrasta grandes quantidades de peixe, de vários tamanhos, alerta a organização de defesa do meio-ambiente WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

Ussipa em Lichinga

Parecido com a sardinha, o ussipa é o peixe mais capturado nas águas do Niassa. É vendido em vários mercados, como neste em Lichinga, a capital provincial. O preço varia, normalmente um balde, com capacidade de 10 litros, carregado de ussipa custa 80 meticais (equivalente a dois euros). Mas se o ussipa escasseia, o preço sobe para cerca de 100 a 150 meticais (entre 2,50 e 3,80 euros).

Embarcações em terra

Durante o dia, e em tempo de férias escolares, as crianças divertem-se no lago junto das embarcações enquanto os pescadores descansam. Voltarão à faina quando no céu se contarem as estrelas. Recorrem, frequentemente, à pesca noturna com atração luminosa para a captura do ussipa.

Reserva de Moçambique

Utilizado diariamente pelas comunidades, o lago está sob o olhar atento das autoridades. A proteção do lago é uma preocupação do governo de Moçambique, que o declarou reserva em 2011. No mesmo ano, o Lago Niassa e zona costeira passaram a integrar a lista de zonas húmidas protegidas pela Convenção de Ramsar, a Convenção sobre Zonas Húmidas de Importância Internacional.

Estradas de terra

As vias na costa do Lago Niassa são de terra batida. Existe apenas uma estrada em boas condições, alcatroada, que liga a capital provincial, Lichinga, a Metangula, sede do distrito do Lago. As fracas acessibilidades dificultam o investimento na região, em particular no sector do turismo.

Costa selvagem

A costa moçambicana do lago é considerada semi-selvagem, sendo frequente encontrar-se animais como macacos. Dois investimentos internacionais de turismo beneficiam da natureza em estado virgem e apostam em turismo de conservação: um localiza-se próximo do posto administrativo de Cobué, no extremo norte da província; e o outro mais a sul, a cerca de 15 quilómetros de Metangula.

Uma região a descobrir

A beleza natural do Lago Niassa confere à região um imenso potencial de turismo ainda por explorar. Os moçambicanos defendem que têm as praias mais bonitas de todo o lago, lamentando que, no entanto, as do vizinho Malawi sejam muito mais conhecidas e frequentadas. Na costa moçambicana, existem ainda poucas unidades hoteleiras e infraestruturas de apoio, além dos acessos difíceis.