1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Guiné-Bissau inaugura primeiro centro para tratar estomatite gangrenosa

20 de novembro de 2012

Conhecida como noma, doença causada entre outros por má higiene bucal atinge especialmente crianças entre 2 e 6 anos de idade que estejam mal nutridas e debilitadas. Com ONG alemã, país vai fazer primeiras operações.

https://p.dw.com/p/16my5
O primeiro centro de tratamento da estomatite gangrenosa em Bissau
O primeiro centro de tratamento da estomatite gangrenosa em BissauFoto: Ute Winkler Stumpf

A Guiné-Bissau diagnosticou recentemente 106 casos da doença noma, ou estomatite gangrenosa, em todo o país. A noma é um processo de atinge principalmente crianças entre dois e seis anos de idade que estejam debilitadas e malnutridas, especialmente em regiões onde a pobreza é acentuada.

O médico Lassaná Ntchassó, que vem tratando dos doentes de noma no país, diz que uma das causas da doença é a "má higiene bucal e a falta de higiene do ambiente onde vivem estas crianças. Não temos casos de internados, temos casos que depois vamos operar", explica.

Lassana Ntchassó, o médico que coordena o trabalho da ONG alemã Hilfsaktion Noma e.V. na Guiné-Bissau
Lassana Ntchassó, o médico que coordena o trabalho da ONG alemã Hilfsaktion Noma e.V. na Guiné-BissauFoto: DW

O governo de transição saído do golpe de Estado militar de 12 de abril deste ano trabalha com a organização não governamental alemã Hilfsaktion Noma para combater a doença. Nesta terça-feira (20.11), foi inaugurado o primeiro centro de tratamento da estomatite gangrenosa, que se manifesta especialmente pela putrefação dos chamados tecidos moles do rosto.

Há quatro anos que a Hilfsaktion Noma tem vindo a apoiar as autoridades sanitárias guineenses na luta pela erradicação da doença. Segundo o médico cirurgião Lassaná Ntchassó, coordenador do centro recém inaugurado, a partir da próxima terça-feira, 27.11, deverão acontecer as primeiras intervenções cirúrgicas neste novo estabelecimento hospitalar, com capacidade para internar, pelo menos, quinze doentes de noma.

Criança com sintomas agudos de noma, ou estomatite gangrenosa, em Bissau
Criança com sintomas agudos de noma, ou estomatite gangrenosa, em BissauFoto: Ute Winkler Stumpf

"Com uma equipa austríaca que vai chegar no dia 25.11. O tratamento, as medicações e as operações são todos gratuitos", diz Ntchassó.

População com mais conhecimento sobre noma

Segundo dados citados pelos médicos guineenses, a doença está relacionada com alta morbidade (incidência de doença) e alta mortalidade, sendo que entre 80% a 90% dos indivíduos afetados pela noma morrem em decorrência da doença.

No caso da Guiné-Bissau, a presidente da ONG alemã, Ute Winkler Stumpf, disse que ao longo dos quatro anos de luta sem tréguas contra a noma no país, houve resultados bastante encorajadores num curto espaço de tempo. "Há quatro anos, quando iniciamos as nossas atividades neste país, notamos que o noma era praticamente uma doença desconhecida pelas populações", discursou Winkler-Stumpf, cuja organização diz ter conseguido aumentar o conhecimento sobre a doença entre os cidadãos da Guiné-Bissau.

A prevenção desta doença infantil que provoca deformação do rosto é feita através da melhoria da higiene oral e da nutrição, o que a Guiné-Bissau talvez não esteja ainda em condições de garantir às crianças, segundo notam observadores presentes na cerimónia que marcou o início do tratamento de noma na capital guineense, Bissau. A noma tem cura, mas a deformação que causa é considerada irreversível.

Guiné-Bissau inaugura primeiro centro para tratar estomatite gangrenosa

Para o primeiro-ministro da transição, Rui Duarte de Barros, o centro inaugurado que passa a funcionar com os técnicos de saúde nacionais vai acabar com um vazio que existia há vários anos no combate à doença que afeta uma franja significativa da sociedade guineense. Com o apoio da organização não-governamental alemã, as autoridades sanitárias do país ocidental africano pretendem erradicar a doença noma em todo o país até 2015.

Autor: Braima Darame (Bissau)
Edição: Renate Krieger/António Rocha

Sala de operações do centro em Bissau
Sala de operações do centro em BissauFoto: DW