Guiné-Bissau: MADEM-G15 aceita "veredito" das eleições

Tal como o parceiro de acordo parlamentar, o PRS, o Movimento para a Alternância Democrática anuncia que aceita os resultados eleitorais em nome da estabilidade, apesar de irregularidades registadas.

"Preocupado com a estabilidade e coesão nacional, o nosso partido aceita o veredito dado pelas autoridades competentes. Ficamos abertos a qualquer iniciativa que pretenda instaurar a paz e a tranquilidade no país, embora tenhamos registado irregularidades na região de Gabu", afirmou, em conferência de imprensa, na sede do partido, em Bissau, ocoordenador do Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (MADEM-G15), Braima Camará.

O MADEM-G15 foi criado há cerca de oito meses por um grupo de dissidentes do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que venceu as legislativas de 10 de março com a eleição de 47 deputados. O partido de Braima Camará ficou em segundo lugar com 27 deputados.

O coordenador do MADEM-G15 agradeceu à população guineense e aos militantes e apoiantes e, também, aos "20 partidos restantes que participaram nas eleições".

"Agradecemos à comunidade nacional e internacional, particularmente à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, pelo apoio e assistência prestados ao nosso país, que culminou com a realização das eleições", afirmou.

Em busca de consensos

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Guiné-Bissau | 10.03.2019

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Aos jornalistas, Braima Camará disse também que a preocupação do MADEM-G15 "não é a integração no Governo", mas participar em conjunto "na busca dos grandes consensos e soluções" para que o país possa ter estabilidade, porque a Guiné-Bissau é o mais importante.

"É essa a razão da nossa existência: buscar grandes consensos, por isso é que, apesar de todas as incongruências, nós aceitamos dar oportunidade a este povo, porque sabemos interpretar muito bem a mensagem expressa pelo povo da Guiné-Bissau", afirmou Braima Camará, salientando que o povo não deu maioria absoluta a nenhum partido, mas convidou todos a terem um diálogo político inclusivo.

Para o coordenador do MADEM-G15, quem saiu a ganhar com as eleições legislativas foi o "povo da Guiné-Bissau" e é preciso fazer as grandes reformas, que, segundo os resultados eleitorais, ninguém conseguirá fazer sozinho.

Braima Camará anunciou também que a partir da próxima semana vai começar um périplo pelo país a agradecer aos apoiantes, salientando que o resultado que o seu partido obteve é "inédito" e o partido vai continuar a assumir as suas responsabilidades.

Questionado sobre se já sabe que candidato vai apoiar às eleições presidenciais, que deverão acontecer até ao final deste ano, Braima Camará disse que há "muitos presidenciáveis no partido" e que a seu tempo dará a resposta.

Além do PAIGC e do MADEM, mais quatro partidos conseguiram eleger deputados para o Parlamento guineense, nomeadamente o Partido da Renovação Social, com 21 mandatos, a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB), com 5, e a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), que elegeram um deputado cada um.

O PAIGC já anunciou um acordo de incidência parlamentar para governar com a APU/PDGB, UM e PND, pelo que deverá garantir apoio da maioria dos deputados eleitos.

O segundo e o terceiro partido, MADEM e PRS respetivamente, celebraram igualmente um acordo parlamentar.

O dia das eleições legislativas na Guiné-Bissau

Longas filas no início do dia

As urnas abriram as 07h00 de domingo na Guiné-Bissau. Mais de 761 mil eleitores guineenses foram chamados às urnas para votarem nas eleições legislativas e escolherem, entre os candidatos de 21 partidos políticos, os novos representantes do parlamento do país.

O dia das eleições legislativas na Guiné-Bissau

Três mil mesas em todo o país

Os eleitores puderam votar em mais de três mil mesas de voto distribuídas pelos 29 círculos eleitorais da Guiné-Bissau. A maior parte das mesas concentrou-se na capital, Bissau (foto). Antes de entregar os documentos para votar, os agentes eleitorais controlaram a identificação de cada eleitor.

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Guineenses esperam solução para crise

Há esperança que estas eleições legislativos de 2019 venham a solucionar a crise política que o país vive desde meados de 2015, após a demissão, pelo Presidente José Mário Vaz, do Governo liderado por Domingos Simões Pereira, vencedor das legislativas de 2014 com maioria absoluta. Ambos são do mesmo partido, o PAIGC, mas não conseguiram cooperar nos últimos anos.

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"Guiné-Bissau é campeã da liberdade"

Em declarações ao jornalistas, depois de votar, o Presidente guineense José Mário Vaz disse que as eleições ocorreram "sem mortos, sem espancamentos, sem prisões arbitrárias, sem golpes de Estado, sem prisioneiros políticos." O Chefe de Estado salientou que o pleito teve lugar num ambiente de "liberdade de manifestação, de expressão e de imprensa" e considerou a Guiné-Bissau "campeã da liberdade".

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Poucas queixas sobre a organização eleitoral

Agentes das brigadas de votação queixaram-se da falta de agentes de segurança em algumas mesas de voto e falam de uma baixa afluência nas regiões do interior do país. Houve queixas de alguns guineenses, que não conseguiram votar, porque possuíam cartão de eleitor, mas não tinham o seu nome nos cadernos eleitorais, feitos a partir de uma base informatizada.

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Boas notas dos observadores

O Chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Africana, Rafael Branco (à esq.), deu nota positiva ao processo eleitoral. "As mesas de voto abriram a horas, nós estivemos lá. O processo de abertura correu sem qualquer incidente, as populações estavam lá à espera da sua vez para votar, num ambiente de tranquilidade", afirmou Rafael Branco à DW África.

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CPLP: "Exercício cívico exemplar"

A missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse que as eleições na Guiné-Bissau foram um "exercício cívico exemplar" que decorreu com a "maior tranquilidade e normalidade". A CPLP fez um balanço positivo do ato eleitoral sem registo de incidentes.

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Votação também no estrangeiro

Em Portugal, a votação na mesa de voto da Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa decorreu com normalidade. Registou-se apenas a reclamação de um eleitor que não conseguiu votar por não ter obtido o cartão de eleitor durante o recenseamento eleitoral. A mesa da Assembleia de Voto nº 1 teve como presidente Braima Seidi, que dirigiu uma equipa constituída por elementos de seis partidos políticos.

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Contagem nos próximos dias

As urnas na Guiné-Bissau fecharam às 17h00 (hora local) de domingo. Ao longo dos próximos dias, os votos serão contados. A porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Felisberta Vaz, disse que os resultados oficiais provisórios serão conhecidos na terça-feira (12.03). As eleições legislativas foram impostas pela comunidade internacional após uma longa crise política desde 2015.

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Três partidos como favoritos

O favorito à vitória é o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Seguem-se, segundo analistas, o Partido da Renovação Social (PRS) e o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15). O último foi formado por dissidentes que saíram do PAIGC após longas divergências entre as várias alas do antigo movimento de libertação.