João Lourenço na Rússia com indústria bélica na agenda

Agenda da visita oficial de quatro dias de João Lourenço à Rússia gera críticas em Luanda. Alguns setores da sociedade angolana estão contra a instalação da indústria bélica no país.

O Presidente de Angola, João Lourenço, iniciou esta segunda-feira (01.04) uma visita oficial de quatro dias à Rússia, para negociar a instalação de uma fábrica de armas em Angola e condecorar o seu homólogo russo, Vladimir Putin, com a Ordem Agostinho Neto, a mais alta distinção do Estado angolano.

Em Luanda, a condecoração e o futuro da indústria bélica está a gerar críticas por parte da sociedade civil angolana. O especialista em questões internacionais Augusto Báfuabáfua não tem dúvidas: a visita do Presidente angolano à Federação Russa é "estratégica".

"João Lourenço começa a sua visita para um país estratégico que é a Rússia, um país que, para além de ser um dos mais fortes aliados em matéria de segurança, de provimento de material bélico para as nossas forças, mas também é um país que tem emprestado o seu saber nas áreas económicas como a industria extractiva", considera Báfuabáfua.

Presidente russo, Vladimir Putin

Mas é a área bélica que está a dar que falar em Angola. Alguns cidadãos dizem não ver necessidade de se instalar uma indústria de armas no país.

O politólogo João Lucombo concorda e receia que muitas destas armas poderão parar nas mãos de criminosos.  "A instalação de uma fábrica de armas por mais que gere emprego, acho que não seria prioridade absoluta porque nós temos uma sociedade com índice de criminalidade muito elevada e com uma instalação de fábrica a tendência é de vermos mais armas nas ruas e isso não é prioridade para Angola", sustenta.

“Industria bélica não é prioridade para Angola”

Também para Augusto Báfuabáfua uma empresa bélica não é prioridade, apesar de reconhecer que há necessidade de Angola se proteger contra fenómenos mundiais como o terrorismo. Augusto não vê com os melhores olhos uma indústria de armas em Angola e afirma que há questões que não se podem descurar: "Há grupos terroristas por aí."

Outra questão que está a ser criticada é a condecoração do Presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, na próxima quinta-feira (04.04), em pleno dia de comemoração de paz e reconciliação em Angola. 

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Angola | 01.04.2019

João Lourenço em moscovo para negociar instalação da indús...

Mas Augusto Báfuabáfua vê a distinção com normalidade: "Todos estes factos é que fazem com que a relação com a Russia sejam acima do normal e é natural que por causa desta história, desta riqueza, deste acervo é que João Lourenço condecora Vladimir Putin com Ordem de Mérito Agostinho Neto. Vladimir Putin é actualmente considerado por várias revistas, incluindo a "Times", que é o cidadão do ano, é o político do ano é uma das pessoas mais poderosas que há neste mundo."

O primeiro a ser condecorado com a Ordem de Mérito Agostinho Neto foi o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, que em março efetuou uma visita de quatro dias a Angola.  

Lourenço e Putin devem assinar acordos em várias áreas

A delegação angolana ficará em terras russas por quatro dias e deverão assinados vários acordos de cooperação nos domínios das pescas, agricultura, tecnologia de informação, bem como um pedido de pacote financeiro à Rússia.  

Em Moscovo, o Presidente angolano discursará no Parlamento russo e também será realizado um fórum empresarial entre os dois países. As relações entre ambos os Estados remontam a 1976, um ano após a proclamação da independência de Angola.  

A Rússia foi a fabricante do primeiro satélite angolano lançado, no Cazaquistão, a 26 de dezembro de 2017 – evento muito festejado em Luanda. O Angosat 1 custou aos cofres do Estado perto de 270 milhões de euros e desapareceu dias depois.

Em abril de 2018, o governo russo anunciou a construção do Angossat 2, com previsão de lançamento para 2020.

O politólogo João Lucombo entende que o governo russo deve aproveitar a visita do chefe de Estado angolano para prestar explicações sobre o satélite. "O Presidente João Lourenço, na qualidade de representante do povo angolano, tem essa obrigatoriedade de procurar saber diante das autoridades russas e sobretudo do seu alto mandatário, o Presidente Putin, como está esse processo, defende."

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

À procura de parcerias

O Presidente angolano, João Lourenço, veio à Alemanha numa visita oficial de dois dias e foi recebido com honras militares pela chanceler Angela Merkel. O chefe de Estado veio sobretudo à procura de atrair investidores para diversificar a economia, mas também com o intuito de comprar embarcações de guerra, e a Alemanha deu sinais de abertura.

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

Embarcações de guerra

O Presidente angolano disse, no primeiro dia da visita, quarta-feira (22.08), que estava interessado no "fornecimento de embarcações de guerra" e "outros meios eletrónicos" para a marinha angolana. O objetivo: ajudar a defender o Golfo da Guiné, cobiçado "por piratas e terroristas".

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

Alemanha disponível para cooperar

A Alemanha mostrou-se disponível para apoiar Angola a comprar as embarcações. "Pode ser que, agora, sejam concretizados determinados investimentos do lado angolano, e é claro que aí também ficaremos contentes em estabelecer uma parceria, se a marinha angolana tomar tais decisões de investimento", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel.

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

Uma "nova Angola"

Num fórum em que participaram empresários alemães, o Presidente João Lourenço fez publicidade a uma "nova Angola". Lourenço garantiu que o Estado mantém-se firme no combate à corrupção e impunidade e citou ainda reformas em curso para melhorar o ambiente de negócios. Algumas das áreas em que Angola manifestou interesse: energias renováveis, construção de estradas e ferrovias e agricultura.

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

Empresários atentos

Os empresários alemães mostram interesse nas oportunidades em Angola e aplaudem as reformas implementadas por João Lourenço, desde que assumiu a Presidência em setembro. No entanto, ainda há desafios para as empresas: "Certamente a corrupção continua a ser um tema, que também o Presidente citou aqui", disse Heinz-Walter Große, da Iniciativa para a África Austral da Economia Alemã.

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

João Lourenço satisfeito

Em entrevista à DW, João Lourenço disse que fez mais do que o esperado em Angola: "Eu considero que, em 11 meses, muito foi feito. [Tomou-se] um conjunto de medidas corajosas que uma boa parte das pessoas pensava não ser possível fazer-se neste período inicial de arranque do meu mandato", afirmou.

João Lourenço: Viagem de negócios à Alemanha

Visitas europeias

No último dia da visita à Alemanha (23.08), o Presidente João Lourenço encontrou-se com o homólogo alemão Frank-Walter Steinmeier. Esta foi a primeira visita de Lourenço à Alemanha desde que foi eleito, há um ano. O chefe de Estado fez, no final de maio e início de junho, uma pequena tour pela França e pela Bélgica - visitas dedicadas também à procura de novas parcerias.

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