Liga dos Campeões com vídeo-árbitro esta época

Está decidido: a fase eliminatória da Liga dos Campeões vai ter o auxílio do vídeo-árbitro. Sucesso nas provas da FIFA e erros na Champions foram determinantes.

Confrontada com alguns erros comprometedores, a UEFA cedeu às pressões, e assume a integração do sistema de vídeo-árbitro já a partir dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, em fevereiro do próximo ano. O organismo dirigente do futebol europeu, que previa a utilização desta ferramenta apenas a partir da temporada 2019/2020, reconhece assim, tacitamente, a sua utilidade, desde que, a nível internacional, foi implementada pela FIFA nos últimos Mundiais de clubes (nos Emirados Árabes Unidos) e de seleções (na Rússia).

Desporto | 25.10.2018

Até ao final da fase de grupos, a Liga dos Campeões integra seis elementos nas equipas de arbitragem: os habituais árbitro, dois árbitros assistentes e quarto árbitros, acrescidos de dois árbitros assistentes adicionais, com responsabilidades de atuação nos lances das grandes-áreas e na sinalização dos golos (uma vez que a "Goal Line Tecnology" ainda não foi adotada nas principais competições europeias de clubes).

Porém, apesar deste "reforço" de meios humanos, os erros têm sido notórios e, curiosamente, partindo de situações em que não podem ser responsabilizados os árbitros assistentes adicionais.

Symbolbild Videobeweis im Fußball

"Foras-de-jogo": maiores armadilhas para os árbitros no relvado

Os lances de golo em posição irregular ("foras-de-jogo") são os maiores alçapões para os árbitros, uma vez que todos os jogos da Liga dos Campeões são televisionados e, com os recursos ao seus dispor, os telespetadores facilmente identificam os erros arbitrais.

Experiências de sucesso na FIFA

Com a subida da contestação surge, igualmente, a garantia de fiabilidade do sistema VAR (do inglês Video Assistant Referee). A FIFA, que havia realizado experiências no decurso da Taça das Confederações, na Rússia, em 2017, adotou oficialmente o recurso no Mundial de clubes dos Emirados Árabes Unidos, há um ano, e replicou-o, com sucesso, no Mundial para seleções nacionais, no verão passado.

As equipas de arbitragem são reforçadas por quatro elementos (um vídeo-árbitro principal e três assistentes), não sendo sequer necessária a sua deslocação aos recintos onde decorrem as partidas. No Mundial da Rússia, toda a tecnologia para aplicação desta ferramenta estava sediada no IBC (International Broadcast Centre), em Moscovo, e foi da capital russa que se estabeleceu a comunicação com todas as equipas de arbitragem, nos doze estádios (em onze cidades) onde decorreram os 64 jogos da competição.

Fußball Bundesliga 1899 Hoffenheim vs Schalke 04 | Videobeweis

A decisão final compete sempre ao árbitro central, que poderá visionar as imagens junto ao relvado

Um dos entraves encontrados pela UEFA para assumir de imediato o sistema VAR, sobretudo na fase de grupos das suas competições para clubes, foi a necessidade de uniformização de meios para as transmissões televisivas de todos os jogos.

Nas primeiras fases da Liga dos Campeões e da Liga Europa, facilmente se encontram exemplos de cidades e países cujas estações de televisão não dispõem, na íntegra, dos meios e do número de câmaras para cada jogo requeridas para legitimar a eventual intervenção da equipa de vídeo-árbitros. Essa é, porém, uma questão agora ultrapassada, porque, para os oitavos-de-final (primeira fase eliminatória) da Liga dos Campeões essa uniformização de meios está garantida.

Deste modo, o esloveno Aleksandar Ceferin, presidente da UEFA, cedeu às sucessivas interpelações de clubes e associações nacionais, no sentido de antecipar para esta época a utilização do VAR. O italiano Roberto Rosetti, líder da comissão de arbitragem da UEFA, e principal responsável pela designação dos árbitros no velho continente, iniciou já um conjunto de ações junto dos árbitros com maior experiência na aplicação desta tecnologia. Neste particular, as ligas portuguesa, italiana e alemã deram um contributo fundamental, uma vez que, há dois anos, assumiram a responsabilidade de encabeçar as experiências "em competição".

Em que situações pode intervir o vídeo-árbitro?

Symbolbild Videobeweis im Fußball

As equipas de VAR podem estar concentradas em estruturas fora dos estádios onde decorrem as partidas

São quatro os momentos em que a equipa de vídeo-árbitros pode - e deve - intervir no desenrolar de um jogo: em lances de golos (quando há uma falta ou "fora-de-jogo" em lances decisivos), nas grandes penalidades (quando há uma decisão errada na atribuição ou não atribuição de falta passível de castigo máximo), nos cartões vermelhos (sempre que seja descortinada uma situação que possa ou deva conduzir a uma eventual expulsão) e em casos de identidades trocadas (quando o árbitro tenha admoestado o jogador errado). Estas são as quatro únicas situações previstas no protocolo de atuação do vídeo-árbitro, num princípio de "mínima interferência, máximo benefício", que rege a postura da equipa de vídeo-árbitros em cada jogo.

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Importa, todavia, sublinhar que a decisão final, em qualquer dos casos referidos, é sempre tomada pelo árbitro central do encontro. Tal facto valeu, por exemplo, ao alemão Felix Brych, no (único) encontro que dirigiu na fase final do Mundial (Sérvia-Suíça, em Kaliningrado), uma dispensa prematura da competição. O advogado de Munique - um dos melhores árbitros mundiais da sua geração, mas conhecido, também, por alguma "teimosia" - não escutou sequer os alertas da equipa de VAR em relação a uma jogada que se revelaria decisiva no encontro, após uma sua decisão errada.

VAR poderá passar a ser carreira

1. Bundesliga 1. Spieltag | Bayern München - Bayer 04 Leverkusen | Schiedsrichter Tobias Stieler

Tobias Stieler, um dos principais árbitros da Bundesliga, sinaliza aos jogadores que está a aguardar indicações da equipa VAR

Nesta primeira fase de implementação internacional da tecnologia VAR, são utilizados árbitros com insígnias da FIFA em atividade, sejam juízes centrais ou árbitros assistentes. Porém, a evolução operacional dos VAR poderá, a curto prazo, levar a uma especialização nas funções. Isto é, serão criadas equipas específicas de vídeo-árbitros, independentes das listas de árbitros internacionais à disposição das confederações continentais e da FIFA. Portugal, por exemplo, segue um caminho misto, com a integração de ex-árbitros, que terão abandonado as carreiras nos relvados por limite de idade, e que, com a sua experiência, auxiliam de modo decisivo nas cabines de VAR.

Independentemente das opções, um dado é incontornável: o futebol, pelo menos ao nível das suas principais competições mundiais de clubes e de seleções, ganhou uma ferramenta de utilidade indiscutível, e que auxiliará de modo decisivo as equipas de arbitragem no terreno. Acabarão os erros? Enquanto errar for humano, certamente que não. Mas podem, drasticamente, diminuir.

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Melhor Jogador - Luka Modrić

Luka Modrić foi o melhor jogador do Mundial de 2018. O médio croata de 32 anos, tricampeão europeu pelo Real Madrid, foi o grande responsável pela caminhada histórica da Croácia até à final. Tatica e tecnicamente, Modrić continua ao mais alto nível. Dois golos e uma assistência direta para golo, mas o futebol croata foi pensado pela cabeça de Modrić, o cérebro da equipa. Prémio mais que justo.

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Melhor Jogador Jovem - Kylian Mbappé

Kylian Mbappé, o "tartaruga ninja", foi eleito, com justiça, o melhor jogador jovem do Mudial de 2018. Com apenas 19 anos, Mbappé é a segunda maior transferência do futebol mundial (custou 180 milhões de euros ao PSG), campeão do mundo pela França e o melhor jovem do Mundial, com 4 golos. A época de 2017/18 foi de sonho para uma das maiores, ou até mesmo, maior promessa do futebol mundial.

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Melhor Marcador - Harry Kane

Depois do desgosto de perder a meia-final no prolongamento para a Croácia, e o terceiro lugar, para a Bélgica, Kane deverá ser uma das poucas memórias positivas que a Inglaterra traz do Mundial da Rússia. O avançado de 24 anos do Tottenham Hotspur, fez seis golos em seis jogos, e ganha o prémio de melhor marcador do Mundial. Kane igualou o feito da lenda inglesa, Gary Lineker, no Mundial de 1986.

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Melhor Guarda-Redes - Thibaut Courtois

Thibaut Courtois foi o guarda-redes que mais interveio neste Mundial 2018. O guardião belga, de 1.99cm, fez 27 defesas, em sete jogos, o que representa uma média de 81.8% de eficácia de defesas. A Bélgica sofreu seis golos na competição, e a solidez defensiva deve-se, em grande parte, a Courtois, que defendeu várias bolas para golo, que podiam ter impedido o belo percurso da Bélgica neste Mundial.

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Desilusão - Alemanha

Campeã do mundo em 2014, e a segunda seleção com mais títulos mundiais, 4 (a par da Itália), era díficil prever que a Alemanha fizesse história... pela negativa no Mundial 2018. "Die mannschaft" ficou em último lugar do grupo D, e, pela primeira vez, foi eliminada na fase de grupos de um campeonato do mundo de futebol. Uma atuação humilhante e que deixou muito a desejar, de uma seleção campeã.

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Melhor Ataque - Bélgica

A Bélgica praticou um futebol ofensivo e cativante no Mundial da Rússia. Os 16 golos marcados, em sete jogos, dão uma média de dois golos por jogo, dos belgas. Romelu Lukaku marcou quatro desses 16 golos e foi o segundo melhor marcador deste Mundial 2018. No entanto, foi Eden Hazard quem mais contribuiu para a produção ofensiva da Bélgica. Três golos e duas assistências.

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Jogos com mais golos

Bélgica e Tunísia protagonizaram o jogo com o maior número de golos marcados no Mundial 2018. No segundo jogo do Grupo G, os belgas venceram a seleção africana por 5-2. No entanto, um dia depois, a Inglaterra goleou o Panamá por 6-1 e igualou a marca dos sete golos.

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Alarme Africano

O Mundial de 2018 deve servir de exemplo, a não repetir. O continente africano teve cinco representantes no campeonato do mundo, na Rússia. Egito, Marrocos, Nigéria, Senegal e Marrocos, nenhuma destas seleções conseguiu passar da fase de grupos do Mundial. Este fator deveria preocupar o futebol africano. O talento e a experiência de grandes equipas estão lá. Talvez, falte querer "ser grande".

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