Manica: População de Tambara em risco de fome devido à falta de chuva

Para além das dificuldades da última campanha agrícola, por causa da seca, foi também interditada a circulação de animais no distrito devido a um surto de febre aftosa. O governo pede ajuda aos parceiros de cooperação.

Cerca de 30 mil habitantes do distrito de Tambara, na província moçambicana de Manica, estão em risco de passar forme, alertam as autoridades moçambicanas.

Depois das dificuldades enfrentadas na última campanha agrícola, por causa da falta de chuva, Frederico Constâncio, um dos habitantes deste distrito, está receoso que o mesmo se possa repetir no próximo ano. "Tivemos uma queda irregular das chuvas na campanha 2017/2018", por isso, explica, "cada um tem que se arranjar".

Camponeses de Manica

"Por exemplo, tenho uma pequena horta e espero ter uma pequena colheita que poderá suportar alguns meses, mas não vai ser o suficiente até à próxima colheita. Ajuda é sempre bem-vinda, sempre precisamos de uma mãozinha, se possível", afirma.

A agravar a situação está o facto de ter sido interditada a circulação de animais na região, depois da eclosão de um surto de febre aftosa. Sem animais para vender, produtores e criadores ficam sem dinheiro para comprar comida.

Mais apoios

Em entrevista à DW África, Ronaldo Naico, diretor provincial da Indústria e Comércio, afirma que são precisos mais de três milhões e meio de euros para ajudar as famílias carenciadas.

Ronaldo Naico, diretor provincial da Indústria e Comércio

E explica: "o que está a ser feito ao nível do governo é mobilizar apoios com parceiros de cooperação para dar resposta a esta situação. Refiro-me à distribuição de produtos básicos alimentares por agentes económicos para aquelas zonas, mas também o apoio multiforme em géneros alimentícios às famílias."

Ronaldo Naico afirma ainda que, apesar da situação não ser tão grave como em Tambara, também houve uma baixa produção agrícola nos distritos de Guro e Machaze. O que faz com que, explica, "os agentes económicos estejam a movimentar o grão de milho dos distritos onde houve melhor produção para a zona sul, refiro-me a Mossurize". "Parte da produção está a ser vendida no distrito de Machaze.

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MEDIATECA | 12.11.2018

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Ainda não há alarme e para a zona norte tem existido movimento de produtos de primeira necessidade, mas também existe movimento de cereais que saem do distrito de Baruè para abastecer aquela população", nota.

O diretor provincial da Indústria e Comércio de Manica espera que a interdição à circulação de gado possa ser levantada em breve, pois ajudaria a melhorar a situação.

Tobias Alune Nguilaze, agricultor em Tambara, apela também à ajuda do Governo. "Devia ajudar-nos no aprovisionamento da semente resiliente à seca para que, caso haja chuva dentro de três meses, tenhamos alguma coisa para comer porque, para além do milho, que é a base, também cultivamos batata-doce e mandioca. Arroz e inhame não cultivamos com frequência", dá conta este agricultor, acrescentando que o que tem salvo a população da fome tem sido a batata-doce.

África do Sul: seca na Cidade do Cabo

Chuva bem-vinda

Mais um dia de céu azul na Cidade do Cabo, onde a baixa precipitação e a diminuição do nível das barragens está deixar a população à beira de uma grave seca. Estão já em vigor restrições apertadas ao uso de água, ainda assim a cidade pode ficar sem água potável até abril de 2018.

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Cada gota conta

Um residente instala um depósito de água da chuva nesta propriedade no centro da Cidade do Cabo. Se as torneiras secarem, cada cidadão terá acesso a 25 litros de água potável por dia em pontos de recolha em toda a cidade.

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Jardins secaram

Os jardins da calçada da Sea Point, outrora verdes, estão agora cobertos por erva seca. Desde meados de 2017, foi proibida a utilização de água potável para a rega. De forma a economizar as reservas de águas subterrâneas, a cidade está também a desencorajar o uso das águas dos furos nos canteiros e jardins.

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Negócios criativos

Localizada nos subúrbios de Sunset Beach, esta empresa usa água reciclada, armazenada num tanque, para lavar os carros dos seus clientes. Com as restrições atuais, as propriedades comerciais devem reduzir o uso de água em 45% face a 2015. O não cumprimento das restrições é punível com multas.

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Cresce procura por tanques de água

Do lado de fora de um armazém que vende produtos para a casa, localizado nos subúrbios de Table View, os poucos tanques de água que restam estão assinalados como “vendidos”. O uso de água está limitado a 87 litros por pessoa por dia. Com o aproximar do “Dia Zero” - o dia em que as torneiras poderão secar - as lojas não conseguem acompanhar a procura por depósitos de água e recipientes.

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Piscinas com água do mar

As piscinas públicas de Sea Point ainda estão abertas. As quatro piscinas foram cheias com água do Oceano Atlântico tratada. Para economizar água fresca, os chuveiros foram fechados.

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