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Marrocos de luto após forte terramoto

rl | Lusa
10 de setembro de 2023

Operações de resgate dos sobreviventes do sismo que abalou Marrocos continuam, numa altura em que as autoridades contabilizam já mais de dois mil mortos. Ajuda internacional aguarda luz verde de Rabat para avançar.

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Marokko nach dem schwerem Erdbeben
Foto: Hannah McKay/REUTERS

O mais recente balanço das autoridades marroquinas sobreo terramoto que atingiu o país na sexta-feira à noite dá conta que estão já confirmados 2.012 mortos e 2.059 feridos, dos quais 1.404 em estado grave.

No país, onde foi decretado um luto nacional de três dias, continuam as operações de resgate.

No terreno, a agência Associated Press descreve o esforço dos soldados e trabalhadores marroquinos para fazerem chegar água e alimentos às aldeias montanhosas que ficaram em ruínas.

O rei de Marrocos, Mohammed VI, ordenou que seja providenciada água, comida e abrigo a quem perdeu as suas casas e pediu que as mesquitas espalhadas pelo país rezassem pelas vítimas durante o dia de hoje. Já o exército marroquino mobilizou equipas especializadas de busca e resgate.

Ajuda internacional

Entretanto, as equipas de ajuda internacional permanecem "no limbo", esperando que as autoridades marroquinas peçam formalmente ajuda - demora que já motivou algumas críticas de cidadãos marroquinos nas redes sociais.

Erdbeben in Marokko
Terramoto em Marrcoso fez já 2.012 mortos e 2.059 feridosFoto: Said Echarif /AA/picture alliance

Ainda assim, os trabalhadores humanitários não param de chegar. Segundo Arnaud Fraisse, da organização Rescuers Without Borders, uma centena de equipas, num total de 3.500 elementos de todo o mundo, estão registadas na plataforma das Nações Unidas, prontas para partir para Marrocos mal haja luz verde do Governo de Rabat.

Segundo a AP, as Nações Unidas já têm uma equipa no terreno, em coordenação com as autoridades locais, para avaliar a ajuda internacional que será necessária.

Em resposta a um pedido bilateral das autoridades marroquinas, Espanha também já enviou um avião da Força Aérea com 56 soldados e quatro cães especializados em operações de busca e resgate.

Em comunicado, a Cruz Vermelha Internacional alertou, este domingo, que Marrocos vai precisar de ajuda para os próximos "meses ou mesmo anos", além das necessidades das primeiras "24 a 48 horas críticas".

"Não será uma questão de uma ou duas semanas, como a nossa região viu com o grande terramoto na Turquia e na Síria no início deste ano. Esperamos meses, senão anos, de resposta", alertou, em comunicado, Hossam Elsharkawi, diretor regional para o Próximo Oriente e Norte de África da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

Terramoto em Marrocos faz mais de 800 mortos

Também Caroline Holt, diretora global de operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, afirma que "as próximas 24 a 48 horas serão críticas para salvar vidas. Os esforços de busca e salvamento serão a prioridade, claro, garantindo ao mesmo tempo que os sobreviventes sejam cuidados”.

FMI e Banco Mundial prometem ajuda

O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e outras organizações internacionais comprometeram-se, entretanto, a disponibilizar meios financeiros urgentes para o país.

"Com todos os nossos parceiros internacionais, estamos ao lado de Marrocos para prestar todo o apoio necessário a quaisquer necessidades financeiras urgentes a curto prazo e aos esforços de reconstrução", disseram numa declaração conjunta.

"Mobilizaremos os nossos instrumentos técnicos e financeiros e a nossa assistência de forma coordenada para ajudar o povo marroquino a ultrapassar esta terrível tragédia", acrescentaram.

Sobreviventes dormem nas ruas

Segundo observou a AP, quem ficou sem teto em Marraquexe dormiu nas ruas da cidade velha, enquanto nas zonas mais atingidas das montanhas do Atlas, como Moulay Brahim, improvisaram-se camas.

Erdbeben in Marokko
Vários sobreviventes sem teto dormiram nas ruas da cidade velha, em MarraquexeFoto: Hannah McKay/Reuters

A maior destruição verifica-se nas comunidades rurais pequenas, às quais os socorristas têm dificuldade em chegar, devido ao terreno montanhoso.

"Sentimos um forte abalo, parecia o apocalipse. Dez segundos e foi-se tudo", contou Ayoub Toudite, morador em Moulay Brahim.

"Estava a dormir quando aconteceu o terramoto. Não consegui escapar, porque o telhado caiu-me em cima. Fiquei presa. Fui salva pelos meus vizinhos", contou Fatna Bechar, também residente em Moulay Brahim. 

Algumas lojas de Marraquexe já voltaram a abrir portas, depois de o rei ter encorajado a retoma da atividade económica e ter dado ordens para o início da reconstrução dos edifícios destruídos. Mas as pessoas circulam sobretudo nas ruas, temendo entrar em edifícios que ainda podem estar instáveis.

O tremor de terra em Marrocos, cujo epicentro se registou na localidade de Ighil, 63 quilómetros a sudoeste de Marraquexe, foi sentido em Portugal e Espanha, tendo atingido uma magnitude de 7,0 na escala de Richter, segundo o Instituto Nacional de Geofísica de Marrocos. 

O Serviço Geológico dos Estados Unidos registou a magnitude do sismo em 6,8.