Moçambique: Adiada leitura da sentença do caso do procurador Vilanculo

Não foram apresentadas justificações para o adiamento e nem uma nova data. Os jornalistas que deviam cobrir o evento só souberam do adiamento no local.

A leitura da sentença estava marcada para a manhã desta sexta-feira (12.01.) no recinto da cadeia civil na cidade de Maputo. Mas nem os guardas sabiam que estava prevista a leitura. Fora os jornalistas, ninguém mais estava no local, segundo um correspondente da DW África.

O caso refere-se ao assassinato do procurador Marcelino Vilanculo a 11 de abril de 2016, à porta de casa. Na altura ele investigava uma onda de raptos. Supostamente estariam envolvidos Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, um conhecido empresário moçambicano que está em liberdade condicional após ter cumprido pena por envolvimento no homicídio, em 2000, do jornalista Carlos Cardoso.

Mosambik - Maputo

Maputo, capital moçambicana

Danish Satar foi deportado de Itália para Moçambique no final de 2015, após ter saído do país em circunstâncias até agora desconhecidas. Encontrava-se em liberdade provisória a aguardar o andamento do processo em que é indiciado de envolvimento em raptos.

Acusados

Há quatro acusados no processo, um deles é Edith Cylindo, acusada de ser uma das autoras materiais do crime. Ela terá seguido o magistrado do local de trabalho até perto da sua residência, onde terá ordenado a outros executores que baleassem o procurador.

O julgamento deste caso começou no dia 25 de novembro de 2017 na cadeia civil de Maputo.

E este não é o primeiro caso. Em 2014, Diniz Silica, um juiz que também tinha em mãos processos relacionados com a onda de raptos em Maputo, foi morto a tiro por desconhecidos.

Política

Mahamudo Amurane: Silenciada uma voz contra corrupção e má governação

O edil da cidade de Nampula foi morto a tiros no dia 4 de outubro de 2017. Insurgia-se contra a má gestão da coisa pública e corrupção no seu Município. Foi eleito para o cargo de edil através do partido MDM. Embora mais de sessenta pessoas já estejam a ser ouvidas pela justiça não se conhecem os autores do crime.

Política

Jeremias Pondeca: Uma voz forte nas negociações de paz que foi emudecida

Foi alvejado mortalmente a tiro por homens desconhecidos no dia 8 de setembro de 2016 em Maputo quando fazia os seus exercícios matinais. O assassinato aconteceu numa altura delicada das negociações de paz. Pondeca era membro da Comissão Mista do diálogo de paz, membro do Conselho de Estado, membro sénior da RENAMO e antigo parlamentar. Até hoje a polícia não encontrou os autores do crime.

Política

Manuel Bissopo: O homem da RENAMO que escapou por um triz

No dia 4 de janeiro de 2016 foi baleado depois de uma conferência de imprensa do seu partido na Beira. Bissopo tinha acabado de denunciar alegados raptos e assassinatos de membros do seu partido e preparava-se para se deslocar para uma reunião da força de oposição quando foi baleado. A polícia moçambicana até hoje não encontrou os atiradores.

Política

José Manuel: Uma das caras da ala militar da RENAMO que se apagou

Em abril de 2016 este membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança em representação da RENAMO e membro da ala militar do principal partido da oposição foi morto a tiro por desconhecidos à saída do aeroporto internacional da Beira. A questão militar é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz. Os assassinos continuam a monte.

Política

Marcelino Vilanculos: Assassinado quando investigava raptos

Era procurador foi baleado no dia 11 de abril de 2016 à entrada da sua casa, na Matola. Marcelino Vilanculos investigava casos de rapto de empresários que agitavam o país na altura. O julgamento deste assassinato começou em outubro de 2017.

Política

Gilles Cistac: A morte foi preço pelo conhecimento divulgado?

O especialista em assuntos constitucionais de Moçambique foi baleado por desconhecidos no dia 3 de março de 2015 na capital Maputo. O assassinato aconteceu após uma declaração que fortaleceu a posição da RENAMO de gestão autónoma na sua querela com o Governo da FRELIMO. Volvidos mais de dois anos a sua morte continua por esclarecer.

Política

Dinis Silica: Assassinado em circunstâncias estranhas

O juiz Dinis Silica também foi morto a tiro por desconhecidos, em 2014, em plena luz do dia, quando conduzia o seu carro na capital moçambicana. Na altura transportava uma avultada quantia de dinheiro, cuja proveniência é desconhecida. O juiz da Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo investigava igualmente casos de raptos. Os assassinos continuam a monte.

Política

Siba Siba Macuacua: Uma morte brutal em nome da verdade

O economista do Banco de Moçambique foi atirado de um dos andares do prédio sede do Banco Austral no dia 11 de agosto de 2001. Na altura investigava um caso de corrupção na gestão do Banco Austral. Siba Siba trabalhava na recuperação da dívida de milhões de meticais, resultante da má gestão do banco. Embora tenha sido aberta uma investigação sobre esta morte ainda não há esclarecimentos até hoje.

Política

Carlos Cardoso: O começo da onda de assassinatos

Considerado o símbolo do jornalismo investigativo em Moçambique, Carlos Cardoso foi assassinado a tiros a 22 de novembro de 2000. Na altura investigava a maior fraude bancária de Moçambique. O seu assassinato foi interpretado como um aviso claro aos jornalistas moçambicanos para que não interferissem nos interesses dos poderosos. Devido a pressões internacionais o caso chegou a justiça.

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