Moçambique: Ossufo Momade diz que a polícia vai usar força para trocar urnas

A RENAMO vai às autárquicas insatisfeita com condução do processo eleitoral, segundo líder interino do partido, alegando falta de transparência e criticando atuação da polícia, "instrumentalizada" pela FRELIMO.

Às vésperas das eleições autárquicas que decorrem esta quarta-feira (10.10) em 53 municípios moçambicanos, a DW África entrevistou o líder interino da RENAMO.

Ossufo Momade alertou que a polícia vai usar a força para intimidar os seus delegados e tentar trocar as urnas nas assembleias de voto.

Numa avaliação do processo eleitoral, Momade criticou ainda a organização do pleito, mostrou-se optimista para a vitória em Maputo e na Matola e lamentou o uso da violência contra membros da RENAMO, bem como os imbróglios com seus cabeças de lista em Quelimane e Maputo.

DW África: Está satisfeito com o processo até este momento?

Ossufo Momade (OM): É difícil eu dizer que o processo está limpo, na medida em que estamos em África. A transparência é tão complicada na medida em que os Governo africanos, os regimes africanos nunca querem largar o poder.

Eu não vou poder dizer que o processo, na sua preparação, foi um processo limpo. Na medida em que falta transparência na organização desse processo.

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MEDIATECA | 09.10.2018

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DW África: E quais são as suas expetativas em relação às eleições desta quarta-feira?

OM: É de termos uma vitória. Se forem eleições transparentes e lives, contamos com uma vitória em várias autarquias.

DW África: No sul do país também contam com vitórias?

OM: Sim senhora. Na cidade de Maputo, nós esperamos ter uma vitória, assim como na cidade da Matola.

DW África: Mesmo sendo bastiões da FRELIMO?

OM: Olha, hoje a cidade de Maputo não é baluarte da FRELIMO. Sabe muito bem que Maputo é uma cidade metropolitana. Todo mundo está naquela cidade, como na cidade da Matola. Nós esperamos ter bons resultados nessas duas cidades.

DW África: A campanha eleitoral terminou no domingo (07.10) e foi manchada por atos de violência, como tem sido habitual em outras campanhas. Viu alguma evolução no esforço das autoridades para controlar e punir os violadores da lei?

OM: Aquilo que vivemos no dia 7 do mês corrente, que foi no encerramento da campanha eleitoral, foi uma vergonha para o país e para o mundo - porque a polícia é instrumentalizada. A polícia é usada para criar problemas para a oposição.

Mosambik, Wahlkampagne, Ricardo Tomás

Ricardo Tomás, em campaha em Tete

Aquilo que nós esperávamos, que teríamos uma campanha que podíamos garantir o sossego, não foi aquilo que nós vimos. Na medida em que, no Alto Molócuè [distrito da província da Zambézia], a nossa caravana partiu da delegação distrital, ia para um campo onde iria realizar um comício, pelo caminho foram disparados e a polícia utilizou balas verdadeiras de AK47 e gás lacrimogéneo. Houve feridos graves, duas crianças que desapareceram e muitos que estão detidos.

Na cidade de Tete tivemos também a mesma sorte. A nossa caravana estava a passar para ir à delegação da cidade e dali foi violentada. A polícia usou AK47 com balas verdadeiras, alguns dos nossos membros estão hospitalizados e 12 membros nossos estão, neste momento, na primeira esquadra da cidade de Tete.

Esse o comportamento da FRELIMO, de usar a polícia como seu instrumento para criar pânico, condições que amedrontam os nossos membros, é uma realidade. Por isso, não posso dizer, neste momento, que a preparação dessas eleições é positiva – porque temos informações de várias fontes que amanhã, dia da votação, eles vão usar a mesma força. Vão usar meios militares para amedrontar os nossos delegados de candidatura.

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Portugiesisch | 09.10.2018

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Porque o objetivo é de trocar urnas. Como eles sabem que temos delegados de candidatura em todas as assembleias de voto, eles têm uma missão de disparar para amedrontar para que os nossos delegados de candidatura abandonem as mesas para que eles fiquem a trocar as urnas.

Esse é o comportamento do nosso adversário cá em Moçambique

DW África: Falou de Tete. Nesta província, o filho do cabeça de lista, Ricardo Tomás, foi detido na sequência de escaramuças. A polícia é acusada de ter usado excesso de força. Vê alguma motivação política neste caso em particular?

OM: Por isso estou a dizer que a polícia moçambicana está a ser instrumentalizada para criar problemas com a oposição. Só para ver que a criança, o filho do nosso cabeça de lista em Tete, não estava envolvido na confusão. Estava dentro de uma viatura e a viatura sofreu, sofreu. Mas a criança deu a sorte, não apanhou tiros ou não apanhou bala, não foi atingida.

Mas depois de a polícia ter alcançado o carro onde estava a criança, foi levada e está na esquadra da cidade de Tete - uma criança menor, de 16 anos. É uma vergonha para o país.

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DW África: O edil de Quelimane recorreu, junto ao Tribunal Administrativo, da decisão do Conselho de Ministros de o exonerar das suas funções. Como é que o partido está a lidar com este imbróglio que envolve o seu cabeça de lista?

OM: Nós conhecemos as nossas instituições da Justiça. Estão manipuladas. É aquilo que aconteceu com o nosso cabeça de lista da cidade de Maputo, Venâncio Mondlane. Nós entramos com dois recursos, mas todos foram chumbados.

É a mesma sorte que teve também o nosso cabeça de lista de Quelimane [Manuel de Araújo]. Aguardamos pelo parecer do Tribunal Administrativo em relação ao recurso que ele apresentou.

Neste momento, pensamos que o único caminho é de amanhã a população votar de novo no nosso partido e ele vai ter de continuar a governar a cidade de Quelimane.

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