Moçambique: Poucos aderem ao voluntariado em Inhambane

Esta terça-feira é Dia Internacional do Voluntariado. Mas, na província moçambicana de Inhambane, o trabalho voluntário pode estar com os dias contados: muitos estão mais preocupados em ganhar dinheiro, diz empresário.

O empresário Yassin Amuji dedica-se há vários anos a causas sociais, mas lamenta que outros jovens da sua idade não contribuam também com um pouco do seu tempo para apoiar quem mais precisa.

Quando são chamados a fazer voluntariado, jovens e adultos exigem dinheiro - mas não devia ser assim, diz Amuji. "Ser voluntário não tem custos. É algo que começa dentro do coração."

Dia Internacional do Voluntariado

Yassin Amuji deu uma palestra nesta terça-feira (05.12), Dia Internacional do Voluntariado, para tentar convencer outros jovens a abraçar esta causa. Segundo Amuji, é necessário recuperar os "valores morais".

"O mundo está com uma imagem negativa, uma mensagem negativa. As notícias têm sido de guerra e conflitos. É preciso lembrar que as crianças de hoje serão os nossos líderes amanhã. É muito importante que elas sejam educadas para que haja amor entre as pessoas", afirma.

Roubo de bens doados

Mamud Beny, um residente da cidade de Maxixe, lamenta que muitas pessoas tenham deixado de apoiar causas humanitárias sem receber nada em troca. Beny diz que há voluntários que chegam a roubar bens doados para os mais necessitados.

Abubacar Hidar

Abubacar Hidar, residente de Inhambane

"O voluntariado na República de Moçambique degradou-se muito em todos os aspetos, quer sociais e económicos. As pessoas passaram a trocar trabalho do voluntariado com o voluntariado monetário".

Segundo ele, não há um espírito de ajuda ao próximo. Beny também denuncia alegados desvios de bens. "A comunidade internacional, outras empresas públicas e privadas, contribuíram com uns bens para o voluntariado e as pessoas desviaram", diz.

É preciso sensibilizar os jovens, comenta Abubacar Hidar, outro cidadão da província de Inhambane. "Que não sejam egoístas; que sejam jovens maduros que possam dar o seu máximo. Quando há, aquilo que é pouco é melhor compartilhar com o outro". 

Sociedade

Viver na rua sem abrigo e comida

Isabel Bato vive há cinco anos nas ruas da cidade de Maxixe, na província de Inhambane. Os familiares rejeitaram-na, alegando que estava a enfeitiçar os filhos e netos para que não tivessem sucesso nos seus trabalhos e negócios. Sem apoio do Governo, a idosa vive pedindo esmola nas lojas dos comerciantes locais.

Sociedade

Caminhar sem destino

Como muitas pessoas da terceira idade, Jortina João caminha pelas ruas do distrito de Morrumbene a pedir ajuda às pessoas. É "caminhar sem ter destino e descanso", diz. Se ficar sentada, ninguém a apoiará com alimentação e roupas, sublinha.

Sociedade

Pedir ajuda

Nos mercados, lojas e mercearias, os idosos pedem ajuda todos os dias para conseguir algo para comer, mas nem todos satisfazem os seus pedidos. Abandonada pela família, Joana de Vaz precisa de sair para pedir ajuda, mas nem sempre sai satisfeita. "Às vezes, recebo dois quilos de arroz, um pouco de óleo, mas muitas pessoas não são solidárias", conta.

Sociedade

Olhar de fome

Tal como outras idosas no interior da província de Inhambane, Joana Wacitela passa fome devido à seca que assola esta região de Moçambique. A colheita não foi boa na sua machamba: "Estou a passar mal de fome, estou a pedir ajuda". Segundo o governo provincial, o apoio não chega a todos os idosos devido à falta de fundos.

Sociedade

Poucos idosos recebem apoio

A Associação dos Aposentados de Moçambique (APOSEMO), o Instituto Nacional de Ação Social (INAS) e a Associação Gupuanana em Inhambane confirmam que os apoios direcionados aos idosos não chegam a todos. Em Inhambane, nem metade das pessoas da terceira idade beneficia dos programas sociais básicos. Estas pessoas são cada vez mais excluídas.

Sociedade

Cesta básica com poucos produtos

O artigo 5º da Lei 03/2014, aprovada pelo Parlamento moçambicano, estabelece que cabe às famílias, à comunidade, à sociedade e ao Estado assegurar o direito à alimentação da pessoa idosa. Em Moçambique, algumas pessoas da terceira idade recebem uma cesta básica, mas com pouquíssimos produtos, como óleo, açúcar, arroz e sal.

Sociedade

Amizade para sempre

Apesar de tantas dificuldades, os idosos gostam de fazer novas amizades enquanto a vida lhes permite. Sitoe Manuel e Ernesto José enfrentam juntos os problemas e reclamam do pouco apoio que recebem do INAS. "Mesmo com dificuldades, temos que ter fé e recordar os bons momentos que passámos. A amizade faz bem a uma pessoa", dizem.

Sociedade

Sem alternativas

Japao Boane perdeu o emprego de motorista por causa da sua idade. Sem ter outra alternativa para se sustentar, decidiu abrir uma pequena banca em frente à sua residência para vender pequenos produtos, como rebuçados e bolachas. Ele diz sentir-se excluído da sociedade.

Sociedade

Investir em pequenos negócios

Joana Chaquir luta todos os dias para sobreviver. Os filhos não lhe dão nenhum apoio. Ela decidiu começar um negócio para vender caldo e alface no mercado distrital de Morrumbene, em Inhambane. Com o que vende, consegue comprar um copo de arroz, meio litro de óleo e arroz.

Sociedade

A perder as forças para trabalhar

Hawa Leka recebe um subsídio de 300 meticais fornecido pelo INAS. Com o dinheiro, começou a vender camarão e peixe seco em Inhambane. Ela afirma que está a perder as forças a cada dia que passa e não sabe o que será do seu futuro, caso não consiga mais trabalhar.

Sociedade

Idosos assassinados pelos familiares

Araujo Nhanice, líder comunitário do povoado de Guicico, no distrito de Morrumbene, não recebe apoio do Governo e não sabe porquê. Ele alerta que, na sua comunidade, os casos de assassinato de idosos prosseguem e que os principais autores são familiares das vítimas.

Sociedade

Esperança em dias melhores

Embora passem muitas dificuldades no dia-a-dia, os idosos de Inhambane ainda têm esperança de que melhores momentos virão. O rosto, no entanto, não esconde as marcas do sofrimento.

 

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