Mortalidade infantil recua em quase 50% desde 1990 no mundo, segundo relatório

Relatório é da fundação norte-americana Bill e Melinda Gates, que se dedica ao combate à pobreza. Apesar do progresso, seis milhões de crianças ainda morrem por ano, sobretudo em África.

A redução da mortalidade infantil no mundo em quase 50%, desde 1990, se deve, de um modo geral, à melhoria das condições de vida e a campanhas de vacinação, de acordo com o relatório da Fundação Bill e Melinda Gates. Apesar de celebrar a melhora, Anita Zaidi, da organização, lembra que seis milhões de crianças ainda morrem por ano. A maioria delas em África. Outra área afetada é o sul da Ásia.

Mesmo com avanços na vacinação, os dados colhidos mostram que mais de 20 milhões de crianças em todo o mundo não estão vacinadas, o que preocupa Zaidi. "Temos que desenvolver novas vacinas e aumentar o número de crianças vacinadas. Se não o fizermos, corremos o risco de regredir e perder o progresso já conseguido", afirma.

Anita Zaidi, da Fundação Bill e Melinda Gates

Para reduzir ainda mais a mortalidade infantil de crianças com menos de cinco anos, a fundação propõe uma melhoria dos serviços maternos, para que os bebés nasçam num ambiente em que o maior risco para a criança e a mãe seja o dia do parto. A alimentação também é importante, salientou Zaidi numa entrevista com a DW. "É de suma importância amamentar o bebé no primeiro ano de vida. É algo simples, mas que não acontece automaticamente", sustenta.

Luta contra a SIDA

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NOTÍCIAS | 13.09.2017

Mortalidade infantil recua em quase 50% desde 1990 no mund...

O relatório da fundação realça ainda os progressos na luta global contra a SIDA. Atualmente, 37 milhões de pessoas são portadores do vírus HIV. Mas graças a esforços em todo o mundo, o número de mortos pela SIDA recuou em quase metade desde 2005.

Ao mesmo tempo, a fundação avisa que desleixar a luta contra esta e outras doenças seria fatal. Segundo os cálculos dos autores do documento, um corte de 10% nos donativos para o combate da SIDA significaria mais cinco milhões de mortos desta doença até 2030.

O relatório da fundação é o primeiro de uma série de relatórios anuais que pretendem monitorizar a erradicação da pobreza no mundo até 2030. A fundação, criada pelo bilionário Bill Gates, dono da empresa Microsoft, apoia os objetivos de desenvolvimento sustentáveis das Nações Unidas, determinados em 2015, que incluem a eliminação da pobreza, o abastecimento universal de água potável e energia sustentável, a igualdade de géneros e a preservação do clima.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Veneno dourado

Centenas de crianças trabalham, todos os dias, em minas de ouro na Nigéria. Em maio, 28 crianças morreram, envenenadas com chumbo - todas menores de seis anos. Os irmãos tinham levado pedras da mina para casa. Para separar o metal precioso da pedra, usa-se produtos químicos tóxicos. Pequenas quantidades podem ser fatais para um menor de seis anos.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Normalidade assustadora

Basta o contacto com roupas contaminadas com chumbo para crianças menores de seis anos entrarem em colapso. Meses depois da tragédia na Nigéria, a realidade continua a ser assustadora: muitas das crianças que trabalham nas minas de ouro têm à volta de seis anos de idade. Garimpam dia após dia, de manhã à noite. Aqui, mal se vê adultos.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Pó de chumbo mortal

Para proteger melhor as crianças, uma organização promove uma sessão de esclarecimento numa aldeia. As crianças não devem trazer roupas da mina para casa, não devem mexer em químicos e devem evitar minas de alto risco. Mais difícil é proibir as crianças de trabalhar.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Minas em vez da escola

"A minha família precisa do dinheiro", conta Habi. Ela não sabe quantos anos tem, sabe apenas que trabalha há 24 meses na mina. Ainda assim, ao contrário de muitos dos seus amigos, Habi vai de vez em quando à escola.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Acesso difícil

Muitas minas de ouro ficam no estado do Níger, no centro-oeste da Nigéria. Durante a época das chuvas, a região fica separada do resto do país. A única estrada para o Níger transforma-se num rio. Os carros não conseguem circular, as motorizadas têm de ser transportadas à mão. O caos ilustra bem a forma como esta região foi esquecida pelo Estado.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

"Trabalho infantil?"

Depois da morte das 28 crianças, foi criada uma força especializada em envenenamentos por chumbo. Mas em Kagara, a sede do Governo local, nega-se que haja trabalho infantil. "O que significa isso, trabalho infantil?", pergunta o líder da força, Alhaji Abdullahi Usman Katako. Ele diz que, durante a época das chuvas, é impossível tomar medidas de maior envergadura devido às más condições da estrada.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Cuidados médicos quase inexistentes

Cerca de 80% das crianças da região têm altas concentrações de chumbo no sangue. Mas faltam médicos para as tratar. Próximo da mina, só há um posto médico. Mas o médico nunca estudou Medicina, tirou apenas um curso rápido na capital provincial. Dezenas de crianças tiveram de ser levadas para tratamento em localidades maiores.

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

143 alunos, um professor

Na escola de Shikira, há um professor para 143 alunos – e ele ensina todas as disciplinas. "Muitas vezes, os alunos baldam-se às aulas e vão para o garimpo", conta Abdullahi Garba. Muitos pais não conseguiram pagar o uniforme da escola e mandaram os filhos para o trabalho nas minas. "Preciso de mais apoios para conseguir fazer alguma coisa contra isso."

Minas de ouro na Nigéria: trabalho mortal para crianças

Mais minas do que atos

O jornalista nigeriano Arukaino Umukoro diz que, desde a notícia das mortes por envenenamento com chumbo, pouco ou nada mudou. Pelo contrário: Há mais minas do que antes. "Os habitantes da aldeia não conhecem outra coisa que não o garimpo. O Estado tem de arranjar alternativas para estas pessoas e investir na educação", diz Umukoro.