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Moçambique vive crise de medicamentos enquanto nos armazens expiram os prazos de farmácos

4 de abril de 2011

Enquanto faltam medicamentos aos moçambicanos, grandes quantidades de remédios passaram do prazo nos armazéns do Ministério da Saúde. Explicações para o caso ainda não existem e a responsabilização mostra-se uma miragem.

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Os medicamentos com os prazos expirados são por exemplo, o paracetamol, ibuprofeno, metronidazol e ampecilina. Estes remédios escassearam em 2010 nas unidades sanitárias moçambicanasFoto: Fotolia/Evgeny Rannev

As perdas até ao momento estão avaliadas em mais de dois milhões de dólares, quando prossegue ainda o levantamento dos medicamentos com o prazo de validade expirado. De acordo com Paulo Nhaducue, diretor da central de medicamentos do Ministério da Saúde, estas perdas aconteceram durante vários anos até atingirem estas proporções.

Paulo Nhaducue, entretanto, não sabe explicar como isto aconteceu, mas especula que provavelmentes a quantificação das necessidades não tenha sido adequada, ou então a faltou prescrição médica para os medicamentos em causa, ou ainda alguns remédios estão a ser abandonados ou usados menos por causa do evolução da ciência."

Consumo de medicamentos fora do prazo

Em Moçambique a população, principalmente nas zonas rurais, tem um acesso difícil aos medicamentos, por vários motivos, entre eles a falta de farmácias. Nos lugares onde elas existem, como nas capitais provinciais ou nos distritos, por sua vez, tem havido falta de medicamentos. No último ano houve ruptura de medicamentos no país, na província da Zambézia, por exemplo, até em hospitais a crise chegou.

O Ministério da Saúde teve de pedir à população que consumisse medicamentos fora de prazo, depois de terem sido testados em Portugal, disse o Ministro da Saúde, Alexandre Manguel, aos media moçambicanos.

Depois disto tudo irá o Ministério organizar-se melhor? O diretor da central de medicamentos garante que sim: "Estamos a trabalhar para criar mecanismos de gestão que nos permitam recolher informação sobre a utilização dos medicamentos para depois podermos quantificar as quantidades com base em critérios mais afinados que nos permitam comprar exatamente o que vai ser utilizado."

Internationale Koproduktion in Mosambik
As zonas rurais são as que menos tem acesso aos farmácosFoto: DW/ António Cascais

Difícil responsabilização

Entretanto os culpados por estes danos não tem cara, e portanto responsabiliza-los mostra-se uma tarefa quase impossível. Paulo Nhaducue justifica que o seu sector enfrenta várias dificuldades, entre elas quadros novos que aprendem com o trabalho. O responsável finaliza: "Acho que se formos pela responsabilização, começariamos pelo nível mais alto até ao nível mais baixo."

Paulo Nhaducue, atual director da central de medicamentos, que está no cargo a menos de dois meses, diz que os documentos sobre os medicamentos fora do prazo perderam-se em contextos confusos.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde já encomendou medicamentos avaliados em cerca de 30 milhões de euros para fazer face ao deficit, estes devem chegar as armazéns da central até aos finais deste mês.

Autor: Nádia Issufo
Revisão: António Rocha/Helena de Gouveia