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Meio Ambiente | 29.11.2012

O boom do carvão em Moçambique

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Coque, o trabalhador

Coque tem 28 anos. Trabalha há quatro anos na empresa mineira britânica Beacon Hill. Lá, amarra lonas nos camiões que transportam o carvão até ao vizinho Malawi. Tal como muitos jovens na região, dantes Coque fabricava tijolos que vendia no mercado local. Mas hoje, diz, vive melhor. Por camião recebe 800 meticais, cerca de 20 euros, que divide com o colega que estiver com ele no turno.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Paulo, o diretor de operações da Vale

Apesar dos enormes incentivos fiscais de que gozam as empresas dos megaprojetos em Moçambique, como a brasileira Vale, Paulo Horta diz que um projeto de mineração como o de Moatize gera uma cadeia produtiva tão grande que a população local beneficia em grande medida com a sua vinda para Tete: através da criação de outras empresas, serviços, tributos gerados por terceiros e criação de empregos.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Gomes António, vítima de maus tratos

Gomes António Sopa foi espancado e detido pela polícia na sequência da manifestação de 10 de janeiro de 2012, quando os habitantes de Cateme bloquearam a passagem do comboio que transportava carvão das minas até ao porto da cidade da Beira. Muitas das promessas feitas pela Vale, responsável pelo reassentamento de centenas de famílias, continuam por cumprir. Ainda hoje, Gomes António sente dores.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Duzéria, a curandeira

Os habitantes do Centro de Reassentamento de 25 de Setembro, no distrito de Moatize, queixam-se de que muitos aspetos culturais não foram respeitados durante o processo de reassentamento pelas empresas mineiras. A curandeira do bairro, por exemplo, diz que no planeamento do complexo não se teve em conta a construção de uma casa para o seu espírito.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Lória, a rainha

Provavelmente Lória Macanjo e a sua comunidade deverão ser reassentadas brevemente: a multinacional Rio Tinto está já a operar um mina de carvão em Benga, perto da sua aldeia, Capanga. Também aqui, debaixo da terra que herdou do pai, a empresa mineira descobriu carvão. Mas a rainha sabe do destino dos que já se mudaram e recusa-se a deixar a sua casa.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Olivia, a cabeleireira

Olivia (esq.) tem 29 anos e veio em 2008 do seu país, o Zimbabué, fugindo à crise financeira que lá se vive. Tete é agora a terra das grandes oportunidades, tinham-lhe dito. Hoje, é cabeleireira no Mercado Primeiro de Maio e, tal como a amiga Faith (dir.) faz trabalhos de manicure. Diz que, por dia, consegue 500 a 1000 meticais, entre 15 e 25 euros. Com esse dinheiro consegue sustentar-se.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Guta, o empresário

Ao todo, Guta emprega 130 homens nas áreas de carpintaria e construção civil na cidade de Tete. Diz que desde a chegada das grandes empresas à região não sentiu grandes alterações no seu negócio. Os projetos de mineração requerem quantidades às quais não consegue responder. Uma vez, conta, a Vale pediu que fornecesse, juntamente com outra carpintaria da cidade, 5000 portas em 60 dias.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Canelo, o vendedor de amendoins

Canelo diz que tem 11 anos. E diz também que frequenta a segunda classe. Todas as tardes vende amendoins no centro de Tete. "Para ajudar a mãe que não tem trabalho." O pai também está desempregado. Canelo é uma de muitas crianças que vendem amendoins na cidade. Um saco pequeno fica por dois meticais, cerca de cinco cêntimos de euro, o maior custa cinco meticais, treze cêntimos de euro.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Catequeta, o ativista

Manuel Catequeta mudou-se para Tete em 2001. O ativista dos direitos humanos sabe o que custa viver com a subida constante do custo de vida. O seu salário não lhe permite luxos. A sala de sua casa "de dia é sala, de noite vira quarto". Mas mudar de casa, para já, está fora de questão. Hoje em dia, uma boa casa na capital provincial passa dos 5.000 dólares, cerca de 4.000 euros, por mês.

Faces de Tete e do carvão de Moçambique

Júlio, o otimista

O músico Júlio Calengo vê oportunidades de negócio, agora que em Tete há tantas empresas novas. O seu objetivo é, em breve, montar uma empresa de limpeza: tanto nos escritórios das empresas mineiras como nos das firmas que entretanto apareceram na cidade. Interessados não vão faltar, diz Júlio. O que é preciso é ter criatividade e, claro, dinheiro.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Lama no cotidiano

O bairro Cazenga é o mais populoso de Luanda – ali, vivem mais de 400 mil pessoas numa área de 40 quilômetros quadrados. Em outubro de 2012, chuvas fortes obrigaram muitos habitantes a andar na lama. Do Cazenga saíram muitos políticos do partido governista angolano MPLA. "Uma das prioridades de políticos pobres é a riqueza rápida", diz o economista angolano Fernando Heitor.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Dominância do MPLA

Euricleurival Vasco, 27, votou no MPLA nas eleições gerais de agosto de 2012: "É o partido do presidente. Desde a guerra civil, ele tenta deixar o poder, mas a população não deixa". Críticos dizem que José Eduardo dos Santos não cumpriu nenhuma promessa eleitoral, como acesso à água e à eletricidade. Mas o governo lançou um plano de desenvolvimento em novembro para dar esses direitos à população.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Economia informal em Angola

Muitos angolanos esperam riqueza do chamado "boom" do petróleo. Mas grande parte da população é ativa na economia informal, como estas vendedoras de bolachas na capital, Luanda. Segundo a ONU, 37% da população vivem com menos de um dólar por dia. Elias Isaac, da organização de defesa dos direitos humanos Open Society, considera este um "contrassenso" entre "crescimento e desenvolvimento".

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Uma infraestrutura de fachada?

A capital angolana Luanda é considerada uma das cidades mais caras do mundo. Um prato de sopa pode custar cerca de 10 dólares num restaurante, o aluguel de um apartamento mais de cinco mil dólares por mês. A Baía de Luanda é testemunho constante do "boom" do petróleo: guindastes e arranha-céus disputam quem é mais alto.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

O "Capitólio" de Angola

Próximo à Baía de Luanda, surge a nova sede do parlamento angolano. O partido governista MPLA vai ocupar a maior parte dos 220 assentos: elegeu 175 deputados em agosto de 2012. Por outro lado, o MPLA perdeu 18 assentos em comparação à eleição de 2008. A UNITA, maior partido da oposição, ganhou 32 assentos em 2012 – mas tem pouco espaço...

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

O presidente no cotidiano de Luanda

…porque, segundo críticos, o presidente José Eduardo dos Santos (numa foto da campanha eleitoral) "domina tudo": o poder Executivo, o Judiciário e o Legislativo, diz o economista Fernando Heitor. José Eduardo dos Santos também parece dominar muitas ruas de Luanda: em novembro de 2012, quase todas as imagens eram da campanha do partido no poder, o MPLA.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Dormir nos carros

Os engarrafamentos são frequentes em Luanda. Por isso, muitos funcionários que moram em locais mais afastados já partem para a capital angolana de madrugada. Ao chegarem em Luanda, dormem nos carros até a hora de ir trabalhar – juntamente com as crianças que precisam ir à escola. A foto foi tirada às 06:00h da manhã perto do Palácio da Justiça em novembro de 2012.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

A riqueza em recursos naturais de Angola

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África, mas também tem potencial para se tornar um dos maiores exportadores de gás natural. A primeira unidade de produção de LNG – Gás Natural Liquefeito, em inglês – foi construída no Soyo, norte do país, mas ainda está em fase de testes. A fábrica tem uma capacidade de produção de 5,2 milhões de toneladas de LNG por ano.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Para acabar com a dependência do petróleo...

A diversificação da economia poderia ser uma solução, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo angolano criou um fundo soberano do petróleo para investir no país e no estrangeiro, e para ter uma reserva caso haja oscilações no preço do chamado "ouro negro". Uma alternativa, segundo especialistas, poderia ser a agricultura, já que o petróleo só deve durar mais 20 ou 30 anos.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Angola atrai estrangeiros

Vêem-se muitas placas em chinês e empresas chinesas em Angola. Os chineses são a maior comunidade estrangeira no país. Em seguida, vêm os portugueses, que em parte fogem à crise económica europeia. Depois, os brasileiros, por causa da proximidade cultural. Todos querem uma parte da riqueza angolana ou investem na reconstrução do país.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Homem X Asfalto

Para o educador Fernando Pinto Ndondi, o governo angolano deveria investir "no homem e não no asfalto". Há cinco anos, Fernando e sua famíla foram desalojados da ilha de Luanda por causa da construção de uma estrada. Agora vivem nestas casas precárias. O governo constrói novas casas para a população. Porém, os preços, a partir de 90 mil dólares, são altos demais para a maior parte dos angolanos.

Angola: Os contrastes de um gigante petrolífero

Para onde vai o dinheiro?

O que aconteceu com 32 mil milhões de dólares lucrados pela empresa petrolífera estatal angolana Sonangol entre 2007 e 2011? Um relatório do FMI constatou, em 2011, que faltava essa soma nos cofres públicos. A Sonangol diz ter investido o dinheiro em infraestrutura. Elias Isaac, da Open Society, diz que o governo disponibiliza mais informações – o que "não é sinônimo de transparência".

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Meio Ambiente | 28.11.2012

Derramamento de petróleo no Delta do Níger

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Pesca ineficaz

A aldeia de Bodo, na Nigéria, sempre viveu da pesca. Mas desde os derrames de petróleo no Delta do Níger, em 2008 e 2009, as redes dos pescadores estão vazias. Quem hoje em dia ainda pretende viver da pesca tem de ir para o mar, o que significa mais horas de trabalho e custos mais elevados.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Dependentes da água

Bodo fica na região de Ogoniland, no Delta do Níger, no extremo sudeste do país. Aqui, quase todos os canais do Níger estão contaminados por petróleo. E as pessoas sempre viveram na e com a água. Ainda hoje muitos vilarejos só são acessíveis por barco.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Manchas de petróleo por toda a parte

O caso do derrame de petróleo em Bodo e noutras partes de Ogoniland também foi abordado pelo Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (PNUMA). Num relatório publicado em agosto de 2011, o PNUMA recomendou que o governo e as petrolíferas disponibilizem mil milhões de dólares para trabalhos de limpeza. No entanto, as manchas de petróleo, que reluzem na água, continuam até agora.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

O meio ambiente não tem interesse na Nigéria

Saint Emmah Pii, o chefe da aldeia de Bodo, está zangado. “Estamos todos a morrer aqui. Bebemos água contaminada. Inalamos fumos tóxicos. A culpa é do petróleo.” Fora de Bodo, no entanto, ninguém parece preocupado. “Até ao momento, nem o governo em Abuja nem mesmo as multinacionais se interessaram pelos nossos problemas”, lamenta o chefe da aldeia.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Nada funciona sem o ouro negro

Desde o início da produção de petróleo, em 1958, a Nigéria tornou-se no oitavo exportador de petróleo no mundo. O Estado depende fortemente do ouro negro, do qual advém 90% das receitas de exportação. Cerca de 80% dos impostos do país derivam da produção do crude. Oleodutos como estes no estado de Rivers têm, portanto, de ser tolerados.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Na sombra das chamas de gás

Em todo o Delta do Níger, chamas como estas aparecem de repente. E não importa se a aldeia mais próxima fica a poucas centenas de metros de distância. Aqui, a queima de gás é oficialmente proibida desde 1984. Porém, 28 anos depois, ninguém se preocupa com o cumprimento da lei.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Tão ricos, tão pobres

Furioso, Chukwuma Samuel mostra as chamas de metros de altura com as quais ele e toda a aldeia têm de viver perto da pequena cidade de Egbema. “Olhem para as pessoas aqui. Elas estão indignadas”, diz, apontando para o pequeno mercado em que se encontra. “Estamos a sofrer aqui. Temos de lutar. Para nós, não sobra nada da riqueza do petróleo.”

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

O povo deve decidir

As petrolíferas não gostam de ouvir que não se importam com as pessoas. Portanto, o Grupo Shell anunciou um programa chamado GMoU - "Memorando de Entendimento Global". Os municípios recebem o dinheiro e decidem eles mesmos o que fazer com ele. Na maior cidade do Delta do Níger, Port Harcourt, o Hospital de Obio Cottage foi renovado. Todos os pacientes elogiam o empenho da Shell.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Bodo sem qualquer apoio

Contudo, a Bodo não chegou qualquer apoio, critica Kentebe Ebiaridor da organização de defesa ambiental Environmental Rights Action (ERA). E a maior prova disso são as margens sujas de petróleo. "As pessoas estão desiludidas", diz.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Petróleo barato do governo

Que a Nigéria é um país produtor de petróleo, os nigerianos só o notam nos preços da gasolina subsidiados pelo Estado. Até o final de 2011, um litro de gasolina custava 65 nairas (32 cêntimos). No início de 2012, o governo acabou com uma parte dos subsídios. Isto causou uma onda de protestos. Atualmente o litro custa 97 nairas (50 cêntimos), bem menos do que em muitos outros países de África.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

A sonhar com uma pequena loja

Franziska Zabbey nada sabe sobre os preços da gasolina barata. Vive da terra e raramente sai de Bodo. O dinheiro que ganha mal lhe chega para sobreviver. “Se a Shell nos pagar uma indemnização pelo derrame de petróleo, eu poderia abrir uma pequena loja”, espera. Tudo o resto teria pouco futuro em Bodo.

Ogoniland – O dia a dia após o derrame de petróleo

Pescadores para sempre

Apesar de ser quase impossível viver da pesca, os barcos de pesca de Bodo são bem preservados. Quando voltarão a poder ser usados como antigamente não se sabe bem. As Nações Unidas estimam que irá demorar entre 25 e 30 anos até Ogoniland ficar limpa do petróleo.

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Meio Ambiente | 09.01.2013

Os invasores do ouro da Tanzânia

A luta diária pelo ouro

O tesouro

Nos solos de Mara Norte, no noroeste da Tanzânia, ainda repousam 3,8 milhões de onças de ouro. A mina de ouro que aqui se encontra é uma das seis existentes em todo o país. É operada desde 2006 pela African Barrick Gold, uma subsidiária da Barrick Gold, a maior empresa de ouro do mundo.

A luta diária pelo ouro

A mina de ouro

"Gokona" é uma das três minas a céu aberto de Mara Norte. Todos os dias são retiradas pedras de ouro dos solos. O material de primeira contém quatro a cinco gramas de ouro por tonelada. Em cerca de dez anos, no entanto, calcula-se que as reservas aqui estarão esgotadas.

A luta diária pelo ouro

A esperança de arranjar emprego

A mina da African Barrick Gold é o maior empregador em toda a região de Mara Norte. Mais de 2.000 pessoas estão diretamente empregadas ou trabalham como fornecedores de serviços externos para a multinacional. No entanto, a maioria das pessoas da região não tem emprego.

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Muro de proteção

Uma cerca de arame farpado protege a mina de saqueadores, que muitas vezes conseguem fazer buracos na cerca. Por essa razão, a mina é vigiada por seguranças particulares e também por polícias tanzanianos. Constantemente há confrontos, mortos e feridos.

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Os "invasores"

Muitas vezes, são às centenas os "intruders" – ou "invasores" – como eles próprios se denominam. De manhã, à tarde e à noite, invadem a mina em busca de pedras que contêm pequenas quantidades de ouro e que podem vender a intermediários para obter algum dinheiro.

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A corrida ao ouro

“Só levamos o que sobra”, diz Jumanne. “Mas a polícia expulsa-nos, persegue-nos nas nossas próprias aldeias”, conta. Tal como muitos outros “invasores” de minas, Jumanne defende que a multinacional devia deixar os montes de cascalho para os habitantes da aldeia.

A luta diária pelo ouro

A garimpeira

O cascalho é lavado pelos “invasores”, que procuram encontrar vestígios de ouro. É um trabalho difícil, sobretudo para as mulheres. Passam horas a procurar nos montes de cascalho, mas a maioria parte de mãos vazias. Por mês, esta garimpeira ganha 20.000 xelins tanzanianos (cerca de dez euros).

A luta diária pelo ouro

Uma região esquecida

A região de Mara Norte é uma das mais pobres e menos desenvolvidas da Tanzânia. Durante muito tempo, os habitantes das sete aldeias nos arredores da mina extraíam eles mesmos o ouro. O cenário mudou com a chegada das multinacionais, no fim da década de 90. Hoje, a pecuária e a agricultura dão pouco dinheiro.

A luta diária pelo ouro

Os desiludidos

“Por nós, a mina não tem feito nada”, dizem estes moradores de Kewanja. Eles não têm água corrente nem eletricidade. Aqui, uma família com mais de 20 membros vive com 300.000 xelins por mês (cerca de 140 euros).

A luta diária pelo ouro

Um filho perdido

“A mina levou-me tudo”, conta Gati Marembera Mwita. No dia 6 de novembro de 2012, um polícia disparou contra o seu filho. “Dezenas de invasores, sobretudo homens jovens com armas tradicionais, invadiram a mina”, lê-se numa notícia. “O meu filho não era um invasor”, diz o pai. “Ele estava, por mero acaso, ali perto, a cuidar das ovelhas e das cabras.”

A luta diária pelo ouro

Os rendimentos

Pedras - pó - ouro. Os habitantes da aldeia especializaram-se nas diversas fases de produção. Todas elas são perigosas. No final, o pó que contém ouro é misturado com mercúrio altamente tóxico para ligar o metal precioso. Um grama vale cerca de 42 mil xelins tanzanianos (cerca de 20 euros).

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Economia | 29.11.2012

A bauxite e a Guiné-Conacri

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Uma riqueza explosiva

As explosões acontecem diariamente nas minas de Débélé. Os trabalhadores dinamitam a pedreira por causa da bauxite, a principal matéria-prima para a produção de alumínio. A Guiné-Conacri tem os maiores jazidos de bauxite do mundo.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Extração de acordo com métodos tradicionais

Quando o fumo se dissipa, a bauxite é transportada. O procedimento é o mesmo há décadas: as escavadoras carregam os camiões, que transportam as rochas para a fábrica ali perto. É lá que as pedras são esmagadas. Um processo árduo e demorado.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Máquinas em vez de trabalhadores

No entanto, existe uma maneira mais fácil: nas minas a céu aberto, as escavadoras realizam várias operações ao mesmo tempo. Recolhem pedras do chão, esmagam-nas e carregam-nas para um camião. Uma escavadora substitui 300 trabalhadores, criticam os sindicatos.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Especialistas em tecnologia

As escavadoras foram compradas pelo grupo de mineração russo Rusal a uma empresa alemã. Quando as máquinas por vezes se avariam, o engenheiro-chefe é chamado. Ele e a sua equipa receberam formação na Alemanha para reparar estas escavadoras especiais.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Região rica em recursos naturais

As minas a céu aberto estão localizadas em Débélé, na região de Kindia. A bauxite é extraída aqui, no oeste do país, desde 1972. As pessoas vivem com e das minas.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Nas mãos dos russos

Os russos já estão no país há mais de 20 anos. Atualmente, o grupo Rusal, de Moscovo, explora as minas de Débélé. Trabalham aqui cerca de 1.200 pessoas. A maioria vive na cidade de Kindia, que fica a cerca de 50 quilómetros de distância.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Um pequeno país com grandes reservas

As reservas de bauxite da Guiné-Conacri estão estimadas em dez mil milhões de toneladas. Nenhum país no mundo é tão rico nesta matéria-prima como este pequeno país do oeste africano. O país exporta grandes quantidades de bauxite, enchendo, desta forma, os cofres do Estado.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

A população continua pobre

Ainda assim, a maioria da população vive com menos de um dólar por dia. Os lucros provenientes do produto final, o alumínio, ficam no estrangeiro. Devido à corrupção, a instabilidade política e a falta de energia elétrica, a Guiné-Conacri nunca conseguiu construir a sua própria indústria, que transforma a matéria-prima bauxite em alumínio.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

País de destino: Ucrânia

No final do dia, nas minas de Débélé, a bauxite está pronta para exportação. Aqui em Débélé, a Rusal extrai cerca de 3,5 milhões de toneladas da matéria-prima por ano da preciosa terra. A bauxite é depois processada, principalmente na Ucrânia. Aí, numa operação que consome muita energia elétrica, a matéria-prima é transformada em alumínio.

O tesouro da Guiné-Conacri: As minas de bauxite

Dependentes do mercado mundial

A bauxite é transportada de comboio para o porto de Conacri, de onde sairá de navio. De cinco toneladas de bauxite obtém-se aproximadamente uma tonelada de alumínio, que no mercado mundial vale cerca de 2.000 dólares.

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