Oposição da RDC exige marcação de eleições até 30 de Setembro

Coligação divulgou calendário de atividades com vista à retirada do Presidente Joseph Kabila. Plano inclui “cidades mortas” a 8 e 9 de agosto e um apelo à desobediência civil a partir de 1 de outubro.

A oposição congolesa, reunida na coligação Rassemblement, anunciou em Kinshasa, este fim-de-semana, o seu cronograma de acções "para a partida” do Presidente Joseph Kabila.  O segundo mandato do chefe de Estado, no poder desde 2001, terminou oficialmente a 20 de dezembro de 2016. Segundo a Constituição, o Presidente não pode voltar a candidatar-se, mas Kabila insiste em não deixar o poder. A resistência gerou uma onda de violência que já causou dezenas de mortos. 

As autoridades devem realizar eleições até ao final deste ano, segundo o Acordo de São Silvestre, assinado a 31 de dezembro, sob a égide da Igreja Católica. Na RDC, a data do pleito eleitoral deve ser anunciada pelo menos 90 dias antes da sua realização: para uma eleição ter lugar a 31 de dezembro, deve ser anunciada, o mais tardar, até 30 de setembro.

"Se não convocarem o pleito até 30 de setembro, Joseph Kabila não será reconhecido Presidente a partir de 1 de outubro”, garantiu o porta-voz do Rassemblement, François Muamba.

O ultimato da oposição

Protestos contra Joseph Kabila em dezembro de 2016

Se o prazo não for cumprido, a oposição promete apelar aos cerca de 70 milhões de congoleses para que deixem de pagar os seus impostos ao Estado e as contas da água e da electricidade às duas empresas estatais que detêm o monopólio.

O filho do opositor histórico Etienne Tshisekedi, morto a 1 de fevereiro em Bruxelas, Felix Tshisekedi, apelou em Lingala (uma das quatro línguas nacionais) "à polícia e militares que deixem de respeitar as ordens, especialmente para matarem congoleses”.

A coligação da oposição congolesa pretende também demitir o atual presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Corneille Nanga, se as eleições não forem marcadas no prazo estipulado. O Rassemblement lembra ainda que a CENI se comprometeu a divulgar os resultados do recenseamento eleitoral até ao dia 31 de julho.

Para já, a oposição planeia dois dias de "cidades mortas”, a 8 e 9 de agosto, em toda a RDC, "como um aviso”, explica François Muamba.

Por outro lado, o Rassemblement agendou vários comícios para o dia 20 de agosto nas capitais das 25 províncias do país. Só na capital, Kinshasa, estão previstos quatro comícios simultâneos.

O eterno segundo lugar: uma vida na oposição em África

O guerrilheiro moçambicano

Afonso Dhlakama é um veterano entre os oposicionistas africanos de longa duração. Em 1979 assumiu a liderança do movimento de guerrilha Resistência Nacional Moçambicana, RENAMO. Este tornou-se num partido democrático. Mas Dhlakama é famoso pelo seu tom combativo. Por vezes ameaça pegar em armas contra os seus inimigos. E concorreu cinco vezes sem sucesso à presidência do país.

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Morgan Tsvangirai - o resistente

O ex-mineiro tornou-se num símbolo da resistência contra o Presidente vitalício do Zimbabué, Robert Mugabe. Foi detido, torturado, sofreu fraturas do crânio e uma vez tentaram, sem sucesso, atirá-lo do décimo andar de um edifício. Após as controversas eleições de 2008, o líder do Movimento pela Mudança Democrática chegou a acordo com Mugabe sobre uma partilha do poder.

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O primeiro jurista doutorado na RDC

Étienne Tshisekedi foi nomeado ministro da Justiça antes de terminar o curso. Só mais tarde se tornou no primeiro jurista doutorado da República Democrática do Congo. Teve vários cargos na presidência de Mobuto, mas tornou-se crítico do regime. Foi preso e obrigado a abandonar o país. Liderou a oposição de 2001 até a sua morte em fevereiro de 2017. Perdeu as eleições de 2011 contra Joseph Kabila.

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Raila Odinga: a política fica em família

Filho do primeiro vice-presidente do Quénia, Raila Odinga nunca escondeu a ambição de um dia assumir a presidência. Foi deputado ao mesmo tempo que o pai e o irmão. Mas não se pode dizer que seja um militante fiel de algum partido: já mudou de cor política por quatro vezes. Após a terceira derrota nas presidenciais de 2013, apresentou queixa em tribunal contra o resultado e ... perdeu.

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O Dr. Col. Kizza Besigye do Uganda

Besigye já foi um íntimo de Museveni, para além do seu médico privado. Quando começou a ter ambições de poder, transformou-se no inimigo número um do Presidente do Uganda. Foi repetidas vezes acusado de vários delitos, preso e brutalmente espancado em público. Voltou a candidatar-se nas presidenciais de maio de 2016, durante as quais ocorreram novamente distúrbios violentos.

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Juntos por um novo Chade

Saleh Kebzabo (esq.) e Ngarlejy Yorongar são os dois rostos mais importantes da oposição no Chade. Embora sejam de partidos diferentes, há muitos anos que lutam juntos pela mudança política no país. Mas desavenças no ano de eleições 2016 enfraqueceram a aliança. A situação beneficiou o Presidente perene Idriss Déby, que somou nova vitória eleitoral.

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O Presidente autoproclamado

Desde o início da sua atividade política que Jean-Pierre Fabre se encontra na oposição do Togo. O líder da “Aliança Nacional para a Mudança” concorreu por duas vezes à presidência. Após a mais recente derrota, em abril de 2015, rejeitou os resultados do escrutínio e autoproclamou-se Presidente. Sem sucesso.

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Nana Akufo-Addo não desistiu

O pai foi Presidente do Gana na década de 70. Nana Akufo-Addo demorou muitos anos até seguir-lhe as pisadas. Muitos ganeses não levam muito a sério as tentativas desesperadas para chegar à presidência, tendo dificuldades em identificar-se com este membro das elites. Mas em novembro de 2016, Akufo-Addo candidatou-se pela terceira vez e venceu as eleições. Desde janeiro de 2017 é Presidente do Gana.

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