Presidente da Libéria deixará cargo em 2018

Na Libéria, que vai a votos esta terça-feira (10.10), Ellen Johnson Sirleaf já anunciou que não vai mudar a Constituição para se recandidatar. Presidente é criticada no país por falhar no combate à pobreza.

A Libéria, a mais antiga República de África, foi fundada há 170 anos. A Presidente Ellen Johnson Sirleaf está há mais de 10 anos à frente deste país, sendo a primeira mulher a ser eleita Presidente de uma nação africana. Foi em 2005 – ano em que a Libéria estava completamente destruída, depois de ter saído de uma sangrenta guerra civil que durara 14 anos e que matara mais de 250 mil pessoas.

É altura de fazer um balanço da sua atuação, uma vez que Ellen Johnson Sirleaf já anunciou que não se iria recandidatar nas próximas eleições. Mas esse balanço não é só positivo, dizem os observadores. A nível internacional, Sirleaf é bastante respeitada, é certo, mas a nível interno, as coisas não são bem assim. Muitos observadores dizem que Sirleaf falhou o objetivo principal: combater a pobreza e as desigualdades sociais. Sirleaf também é acusada de falta de transparência.

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Governação de Ellen Johnson Sirleaf é bem vista por líderes estrangeiros, mas presidente é criticada no país por nepotismo e falha no combate à pobreza

Alex Vines, pesquisador do "think tank” britânico Chattam House, lembra, no entanto, que Sirleaf conseguiu dar alguns passos na direção certa. A chefe de Estado manteve relações estreitas com Hillary Clinton, aquando da sua passagem pela administração Obama, atraiu apoios financeiros e vários acordos de perdão da dívida. Ela também conseguiu atrair alguns investidores estrangeiros, entre eles a ArcelorMittal, o maior produtor mundial de aço. Alex Vines lembra também que se deve a Ellen Sirleaf a reforma do setor dos diamantes na Libéria, que teve um triste papel no financiamento da guerra civil no país.

"Trabalhei com Sirleaf na Libéria entre 2001 e 2003 como inspetor das sanções impostas pelas Nações Unidas. O país estava numa situação desastrosa na altura. Voltei depois da guerra e com Sirleaf à frente do país. Ellen Sirleaf foi eleita depois do governo de transição de 2005 e cumpriu dois mandatos completos. O seu maior legado é a paz e também a estabilidade. É por isso que ela vai ser recordada. Entretanto, é certo que ela goza de mais admiração no estrangeiro do que na própria Libéria. E há que dizer que os problemas da desigualdade social e da pobreza continuam prementes no país, chega a ser deprimente", argumenta.

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NOTÍCIAS | 01.10.2017

Presidente da Libéria deixará cargo em 2018

Fonteh Akum, do Institituto de Segurança Internacional, sediado na África do Sul, é também de opinião que o balanço da carreira política de Ellen Johnson Sirleaf nem é de todo positivo, nem de todo negativo.

"Ela tentou resolver alguns dos problemas, mas muito ficou por fazer. O perigo da Libéria cair na violência continua real. Mas Sirleaf conseguiu, sem dúvida, dar um certo impulso à Libéria, com a ajuda da comunidade internacional. A ONU está a prestes a terminar a sua missão no país. Também é certo que o governo de Sirleaf foi repetidamente acusado de corrupção e nepotismo, porque dois dos seus filhos receberam postos no banco central do país. Isso contribuiu para uma certa corrosão da confiança que os liberianos depositavam nela, como presidente", explica o analista.

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf foi agraciada com o prémio Nobel da Paz pelo seu empenho em prol dos direitos e da segurança das mulheres no seu país. Foi isso também que lhe conferiu muita admiração a nível internacional. Em janeiro de 2018, deixará de ser presidente da Libéria. Ellen Johnson Sirleaf diz que não quer que a Constituição do país seja alterada, só para que ela possa manter-se no poder. Um gesto contra todos aqueles líderes africanos que se perpetuam no poder.

Política

Do golpe de Estado até hoje

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 75 anos, assumiu a Presidência da Guiné Equatorial em 1979, ainda antes de José Eduardo dos Santos. Teodoro Obiang Nguema derrubou o seu tio do poder: Francisco Macías Nguema foi executado em setembro de 1979. A Guiné Equatorial é um dos países mais ricos de África devido às receitas do petróleo e do gás, mas a maioria dos cidadãos não beneficia dessa riqueza.

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O Presidente que adora luxo

Paul Biya é chefe de Estado dos Camarões há 34 anos. Muitos dos camaroneses que falam inglês sentem-se excluídos pelo francófono Biya. E o Presidente também tem sido alvo de críticas pelas despesas que faz. Durante as férias, terá pago alegadamente 25 mil euros por dia pelo aluguer de uma vivenda. Na foto, está acompanhado da mulher Chantal Biya.

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Quase na reforma

Yoweri Museveni já foi confirmado seis vezes como Presidente do Uganda. Nas eleições de 2021, o chefe de Estado de 72 anos não se poderá recandidatar – os candidatos não podem ser mais velhos do que 75 anos. Filho de pastores, teve uma carreira meteórica. Licenciou-se, tornou-se coronel e assumiu a dianteira política. No seu mandato, foram acrescentados direitos fundamentais na Constituição.

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Procurado por genocídio

Omar al-Bashir é Presidente do Sudão desde 1993. Chegou ao poder em 1989 depois de um golpe de Estado sangrento. O Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, emitiu em 2009 um mandado de captura contra al-Bashir por alegada implicação em crimes de genocídio e de guerra no Darfur. Estima-se que mais de 300 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito.

Política

"O Leão da Suazilândia"

Mswati III é o último governante absolutista de África. Há 31 anos que dirige o reino da Suazilândia. Acredita-se que tem 210 irmãos; o seu pai teve 70 mulheres. A tradição da poligamia continua a cumprir-se neste reinado - até 2013, Mswati III teve quinze esposas. A polícia costuma reprimir os protestos no reino.

Política

O sultão acima de tudo

Há quase cinco décadas que o sultão Haji Hassanal Bolkiah é chefe de Estado e Governo e ministro dos Negócios Estrangeiros, do Comércio, das Finanças e da Defesa do Brunei. Há mais de 600 anos que a política do país é dirigida por sultões. Hassanal Bolkiah, de 71 anos, pondera introduzir o apedrejamento para punir a infidelidade ou o corte da mão para castigar ladrões.

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Nas pegadas reais

Ao contrário de outros monarcas europeus, Hans-Adam II (esq.) não é apenas príncipe: é também chefe de Estado do Liechtenstein. Assumiu do pai o "negócio de família" em 1989 e, em 2004, nomeou o filho Aloísio (dir.) como seu representante, embora continue a chefiar o país.

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De pastor a parceiro do Ocidente

Idriss Déby tornou-se Presidente do Chade em 1990. Filho de pastores, Déby formou-se em França como piloto de combate. Após várias guerras civis e tentativas de golpes de Estado, o país estabilizou politicamente em 2008. Déby tornou-se, entretanto, um parceiro do Ocidente na luta contra o extremismo islâmico na região do Sahel.

Política

Fã de si próprio

Robert Mugabe chegou a ser o mais velho chefe de Estado do mundo (com uma idade de 93 anos). O Presidente do Zimbabué esteve quase 30 anos na Presidência do país. Antes foi o primeiro-ministro. Naquela época, aconteceram vários massacres que vitimaram milhares de pessoas. Também foi criticado por alegada corrupção. Após um levantamento militar, renunciou à Presidência em 21 de novembro de 2017.

Política

O adeus

José Eduardo dos Santos foi, durante 38 anos, chefe de Estado de Angola. Mas não se recandidatou nas eleições de 2017. Há anos que circulam rumores de que estará doente. A guerra civil terminou em 2002 durante o seu mandato. Muito melhorou desde então, mas grande parte da população continua a viver na pobreza e protestos de ativistas a pedir melhores condições de vida têm sido reprimidos.

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