Presidente moçambicano inicia visita oficial ao Vaticano

Filipe Nyusi inicia esta quinta-feira visita de dois dias ao Vaticano, a convite do papa, para aprofundar relações bilaterais, depois do relacionamento atribulado nos primeiros anos após a independência de Moçambique.

A visita do chefe de Estado surge a convite do papa Francisco, anunciou a Presidência da República em comunicado.

Até sexta-feira (14.09) estão previstas conversações oficiais entre Filipe Nyusi e o papa, além de encontros com o cardeal Pietro Parolini, secretário de Estado da Santa Sé, bem como com a Comunidade de Santo Egídio e com a comunidade moçambicana residente em Itália.

Animosidades no passado

No passado, as frequentes denúncias dos dirigentes da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) da colaboração entre a Igreja Católica e o regime colonial português marcaram o início desta relação.

Uma das fases de maior animosidade surgiu com a nacionalização de escolas e centros de saúde que a Igreja Católica detinha, no quadro das relações que mantinha com o Governo colonial português.

O grande sinal de que Moçambique pretendia abrir uma nova página nas relações com o Vaticano foi a aceitação da visita do Papa João Paulo II ao país, em setembro de 1988.

Por outro lado, a abertura política introduzida pela primeira Constituição multipartidária em Moçambique, aprovada em 1992, permitiu à Igreja Católica voltar a ter um papel de relevo no campo social, com a recuperação de escolas e unidades de saúde que perdera com a independência em 1975.

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O começo da guerra civil

A guerra entre o Governo da FRELIMO e a RENAMO começou em 1977, isso cerca de dois anos após a proclamação da independência do país. A RENAMO contestava a governação da FRELIMo e queria democracia. Este movimento tinha o apoio da ex-Rodésia e da África do Sul, dois vizinhos de Moçambique. A guerra matou milhões de moçambicanos e quase paralisou a economia do país.

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Acordo de Inkomati, o primeiro de vários

Acabar com a guerra era o obetivo deste acordo, alcançado em 1984. Foi assinado entre os antigos Presidentes de Moçambique e da África do Sul, Samora Machel e Peter Botha, respetivamente. Ficou acordado que Pretória deixava de apoiar a RENAMO e Maputo parava o apoio ao ANC. Este último que lutava contra o Apartheid. Mas ninguém respeitou o acordo.

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Acordo Geral de Paz de Roma

Colocou finalmente fim a guerra em 1992. Foi patrocinado pela Comunidade Santo Egídio, instituição católica italiana. Nessa altura o país já estava devastado e tinha transitado do sistema socialista para o da economia de mercado. Afosno Dhlakama, líder da RENAMO, e Joaquim Chissano, ex-Presidene de Moçambique, assinaram um acordo que pôs fim a uma guerra de 16 anos.

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Eleições: nova era de desentendimentos

Em 1994 o país dava os seus primeiros passos rumo a democracia: início do multipartidarismo e realização das primeiras eleições, patrocinadas pela ONU. O primeiro Presidente eleito do país foi Joaquim Chissano. A RENAMO contestou, mas acabou por aceitar os resultados eleitorais.

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Eleições 1999: RENAMO revolta-se

Nas segundas eleições, em 1999, Joaquim Chissano e a FRELIMO voltaram a ganhar. Mas o processo foi novamente marcado por graves irregularidades, a RENAMO diz que houve fraude e contestou com mais veemência. E no ano 2000 apoiantes da RENAMO manifestaram-se em Montepuez província de Cabo Delgado, contra os resultados. Cerca de 700 manifestantes terão sido detidos e mortos por asfixia nas celas.

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Rastilho para o barril de pólvora já arde

As sucessivas irregularidades nas eleições, a lei eleitoral desajustada e difícil integração dos ex-guerrilheiros da RENAMO no exército nacional foram os principais pontos que aumentaram a tensão com o Governo. A falta de confiança que caracteriza a relação entre as partes aumentou.

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As armas falam novamente

Em 2013 a polícia e homens da RENAMO confrontaram-se. Era o início dos conflitos armados. Nesse ano a RENAMO recusa a aprovação da Lei Eleitoral e não participa nas autárquicas. Há um interregno no conflito para a realização de eleições gerais em 2014. A RENAMO perde e acusa a FRELIMO de fraude. O país volta a ser palco de guerra. RENAMO exige governar as seis províncias onde diz ter ganho.

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Guebuza e Dhlakama: o braço de ferro até ao fim

Em setembro de 2014 o Presidente Armando Guebuza e o líder da RENAMO chegam a acordo para por fim ao conflito armado. Abriu-se assim caminho para as eleições gerais, onde a RENAMO participou. Mas as negociações entre os dois homens nunca foram fáceis. Para começar os encontros foram poucos.

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Na guerra vale tudo

Em Setembro de 2015 Dhlakama sofreu dois atentados. Um deles contra a coluna em que viajava, de Manica a Nampula. Afonso Dhlakama saiu ileso, mas segundo relatos morreram várias pessoas. Mais tarde várias viaturas da comitiva do líder da RENAMO foram queimadas. Dhlakama acusou a FRELIMO pelos atentados.

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Cerco a casa de Afonso Dhlakama

Em outubro de 2015 a guarda pessoal do líder da RENAMO foi desarmada pelas forças governamentais durante um cerco à sua residência na cidade da Beira. O Governo pretendia um desarmamento forçado dos homens da RENAMO. O desarmamento da maior força da oposição é um dos pontos controversos nas negociações de paz.

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Diálogo de paz pouco frutífero

Infindáveis rondas marcaram as negociações de paz. E em paralelo as armas falavam nas matas, membros da RENAMO eram assassinados a média de um por mês em 2016. Observadores e mediadores, nacionais e internacionais, entraram e saíram do barulho sem conseguir muito. Houve também adiamentos de rondas e algumas pausas no processo.

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Dhlakama e Nyusi: maior proximidade, bons sinais

Em agosto de 2017 o Presidente Nyusi deslocou-se à Gorongosa, bastião da RENAMO, para se encontrar com Dhlakama. Os dois líderes acordaram sobre os próximos passos no processo de paz. Esperavam um acordo de paz até ao final de 2017, mas tal não deverá acontecer. Entretanto, Dhlakama está satisfeito com o andamento das negociações. O sigilo entre os dois parece ser o segredo de um bom entendimento.

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