René Gagnaux, o médico suíço ao serviço do povo moçambicano

René Gagnaux, o médico suíço ao serviço do povo moçambicano

Para sempre com o nome na história da Medicina em Moçambique

René Gagnaux foi um médico suíço que trabalhou durante 26 anos ininterruptamente ao serviço do povo moçambicano. Conseguiu levar os cuidados de saúde a várias regiões remotas do país e ajudou a reestruturar os serviços de saúde em Moçambique. Não olhava a cores partidárias, nem a extratos sociais. Para muitos é o eterno "Médico do Povo".

René Gagnaux, o médico suíço ao serviço do povo moçambicano

Mudou-se de malas e bagagens com a família

René Gagnaux nasceu em Lausanne no dia 4 de janeiro de 1929. Formou-se em Medicina e seguiu para Lisboa para se especializar em Medicina Tropical. Foi na capital portuguesa que concorreu a uma vaga como médico para integrar uma missão da Igreja Presbiteriana em Moçambique. Chegou a Maputo a 13 de setembro de 1964 com a esposa, que era técnica de laboratório, e os três filhos.

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Trabalhou em várias regiões

Começou por trabalhar no Hospital Geral do Chamanculo, nos arredores da capital. Após a Independência de Moçambique, em junho de 1975, foi transferido para Xai-Xai, capital da Província de Gaza, a 224 quilómetros a norte de Maputo. Aí permaneceu cerca de três anos, sendo depois enviado para Xinavane, em Maputo, onde trabalhou até à sua morte.

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Uma referência nacional

Durante a guerra civil de Moçambique, René Gagnaux dedicou-se ao tratamento das vítimas do conflito e à assistência na doença. Gradualmente, o distrito da Manhiça, onde se localizava a Vila de Xinavane, passou a ser uma referência no tratamento médico. O clínico conseguiu vários financiamentos e até a construção de um pequeno bloco operatório.

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Ensinou quem o rodeava

Por ser influente, o suíço conseguiu captar para Moçambique doações internacionais de fármacos. Na sua atividade clínica, dedicou-se ao tratamento das patologias relacionadas com o parto e formou inúmeros quadros e profissionais de saúde. Com o seu trabalho, foi ganhando a confiança e o carinho da população e do Governo.

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Visitado pelo Presidente da República

Esta foto retrata a visita do Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, ao Hospitalar Geral de Xinavane. Na imagem, o Presidente e o médico cumprimentam-se.

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Famoso em Moçambique

Médico e cirurgião, rapidamente ganhou fama em Moçambique, recebendo e tratando pessoas de várias partes do país. Houve quem deixasse a capital, Maputo, que detinha as maiores instalações sanitárias do Estado, para procurar assistência médica em Xinavane.

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Todos os dias eram dias de trabalho

O Dr. Gagnaux não tinha dias, nem horas para trabalhar. Todos os dias poderiam ser jornadas de trabalho, fossem cirurgias, consultas ou emergências médicas. O médico visitava centenas de postos de saúde em regiões populosas onde não havia médicos e transportava os doentes mais graves para o seu hospital em Xinavane.

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Fazia emergência médica

Esta fotografia retrata o momento em que René Gagnaux se deslocou a um troço da Estrada Nacional Número 1, entre Manhiça e Gaza, para prestar os primeiros socorros a vítimas de um ataque armado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) a uma coluna de veículos escoltados por militares.

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Morreu em serviço

René Gagnaux foi morto no dia 2 de maio de 1990, dois anos antes do fim da guerra civil. Todas as quartas-feiras, o médico viajava sozinho de Xinavane a Manhiça para tratar doentes. Foi morto às primeiras horas da manhã a cerca de sete quilómetros de Xinavane. O seu jipe, um Toyota Land Cruise, foi encontrado totalmente carbonizado. Do chão, foram recolhidos vestígios de 31 balas.

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Para sempre o "Médico do Povo"

As fotografias de René Gagnaux foram disponibilizadas pela família e integraram uma exposição organizada por um dos filhos. A maioria das fotos foi tirada nos finais dos 80. René Gagnaux ficará para sempre na memória de Moçambique como o "Médico do Povo".

René Gagnaux faria 90 anos se fosse vivo. Apesar de ter desaparecido fisicamente em 1990, vítima de homicídio, o nome do médico continua bem presente na memória dos moçambicanos e na história da Saúde do país.