Somália: Ataque extremista faz dezenas de mortos, incluindo um ministro

Ataque aconteceu no complexo de edifícios do Governo, em Mogadíscio. Entre os mortos está o vice-ministro do Trabalho. Grupo al-Shabab assumiu autoria do atentado.

Um ataque envolvendo homens armados e explosões de bombas, no complexo de edifícios do Governo da Somália, deixou pelo menos 15 mortos em Mogadíscio neste sábado (23.03), segundo informações da agência de notícias Reuters. Entre as vítimas está o vice-ministro do Trabalho, Saqar Ibrahim Abdalla.

O ataque foi reivindicado pelo grupo extremista al-Shabab. Segundo a polícia, o atentado começou com duas explosões nos portões do complexo que abriga os ministérios do Governo. Em seguida, pelo menos quatro homens armados invadiram o complexo, iniciando um tiroteio.

De acordo com o capitão da polícia Mohamed Hussein, o ministro Saqar Ibrahim Abdalla foi morto no seu escritório, logo após a invasão de um dos edifícios pelo grupo de homens armados.

A mesma fonte adiantou que as forças de segurança puseram fim ao cerco feito pelo grupo armado ao edifício, depois de trocas de tiros com os atacantes, que foram mortos.

Além do vice-ministro, também estão entre os mortos alguns polícias. Do ataque resultaram ainda pelo menos 10 feridos, segundo a mesma fonte policial.

Insurgência

Estes ataques tornaram-se uma especialidade do grupo ligado à Al-Qaeda, que está a conduzir uma insurreição armada contra o que vê como influência estrangeira na Somália.

Em 2010, o al-Shabab declarou sua lealdade à Al-Qaeda. No ano seguinte, o grupo foi expulso de Mogadíscio pela missão de imposição da paz da União Africana, a AMISOM. Desde então, eles perderam muitas de suas fortalezas, mas mantêm o controlo de grandes áreas rurais do país e continuam a travar combates contra o Governo, frequentemente atingindo Mogadíscio.

Em outubro de 2017, um camião-bomba em um bairro movimentado da capital matou mais de 500 pessoas, o mais mortífero ataque na Somália até hoje.

Mogadíscio - cidade de extremos

Combate à fome

Xamdi é filha de nómades somalis e esteve na enfermaria de nutrição do Hospital Banadir, de Mogadíscio, desde o início de agosto. A sua mãe alimenta-a com uma pasta à base de amendoim, para tratamento de desnutrição aguda. Xamdi tem três anos e pesa apenas sete quilos. A maioria das crianças na Alemanha na mesma faixa etária pesa duas vezes mais. Cerca de 800 mil somalis enfrentam fome.

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Sistema de saúde em colapso

Este menino recupera na cama ao lado de Xamdi. Luta contra a pneumonia, uma das infecções mais comuns causadas pela desnutrição crónica e condições superlotadas nos campos de refugiados. As suas mãos estão envolvidas em papel para evitar que ele tire o tubo de alimentação. O Hospital Banadir é a maior clínica pública de Mogadíscio, mas mesmo aqui é visível o caos do sistema de saúde.

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Cidade de refugiados

A capital somali está cheia de casas improvisadas. Muitos nómadas e camponeses estão determinados a ficar. Fugiram da guerra civil, do terror, da violência e da fome extrema. A população da cidade saltou para cerca de 2,5 milhões. Pelo menos 600 mil são oficialmente consideradas "pessoas internamente deslocadas".

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Um fardo pesado

Os conglomerados e as condições de vida sem higiene nos campos são um risco para a saúde. As infecções agudas de foro respiratório e a diarreia são doenças comuns entre os deslocados internos de Mogadíscio. A vida nos campos improvisados ​​é uma luta diária para a próxima refeição e o próximo balde de água.

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A vida à espera

Não há muito a fazer dentro dos campos, mas sim sentar e esperar. Muitas crianças não têm acesso a educação. A maioria dos acampamentos improvisados ​​não tem parque infantil ou outros espaços recreativos.

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Cidade feita de ruínas

Também há muito dificuldade fora dos campos. Especialmente a parte antiga de Mogadíscio é marcada por quase três décadas de conflito interno. Mas também há sinais de novos começos.

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A hora da "selfie"

Esses jovens divertem-se no Parque da Paz de Mogadíscio. Todos eles são estudantes, todos expressam fé no novo Governo do Presidente Abdullahi, apoiado pelo Ocidente. Um dos estudantes, que quer ser engenheiro de aviação civil, diz: "é muito mais seguro aqui do que há cinco anos. Hoje temos lugares como o Parque da Paz. Mogadíscio está mudando e nós estamos adoramos".

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Não às armas

Logo na entrada do Parque da Paz, os visitantes são lembrados de deixar para trás armas, como as chamadas Kalashnikovs, facas, granadas de mão e pistolas.

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Onde tudo acontece

A praia de Liido, em Mogadisci, atrai multidões, especialmente após as preces islâmicas de sexta-feira. As pessoas juntam-se para dançar e jogar futebol. Este desporto é extremamente popular na Somália e os jovens amantes reúnem-se na praia de Liido, um local antes de acesso difícil a civis, que estava sob controlo da milícia Al-Shabab.

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Reconstrução em pleno andamento

A comunidade internacional começou a investir na reconstrução do Estado fracassado da Somália. Os sinais visíveis estão na capital, como esta nova rua foi feita com ajuda da Turquia. Os turcos também criaram uma grande base militar em Mogadíscio para treinar soldados da Somália.

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Muros e cercas

Novas residências brotam em toda a Mogadíscio. A diáspora que retorna para a Somália investe no mercado imobiliário em expansão da cidade. Assim como políticos e outras classes mais ricas. Muitos dos novos edifícios estão rodeados por altos muros de proteção contra explosão e arames farpados para afastar terroristas, criminosos e grupos rivais.

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Zona Verde

O terreno do aeroporto tornou-se o centro dos expatriados. Como Bagdad e Kabul, Mogadíscio também tem uma chamada "zona verde". As Nações Unidas e a maioria das missões diplomáticas que retornam vivem e trabalham neste vasto complexo que se desenvolveu em torno do Aeroporto Internacional de Mogadíscio. Está cercado e protegido pelas tropas da União Africana.

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Cidade de murais

A maioria das fachadas das lojas ou vitrines é pintada à mão, em Mogadíscio. Os trabalhos agregam uma cor necessária a uma cidade que se ergue lentamente de suas ruínas.

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Compras pela internet

Cartazes modernos também têm conquistado as ruas, anunciando compras on-line de moda árabe ou uniformes para instituições privadas de ensino.

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Novidades não são para todos

As novas atrações da cidade estão fora do alcance dos muitos deslocados e pobres. O progresso e a estabilidade da Somália também dependerão da capacidade do Estado de conquistar a confiança dos habitantes. Atualmente, quase sete milhões de pessoas, cerca de metade da população do país, dependem de ajuda humanitária.

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Explosão juvenil

Mais de metade da população da Somália tem menos de 18 anos. A maioria dos cidadãos nasceu após queda de Mohammed Siad Barre, em 1991 - o evento crucial que desmoronou o Estado. A juventude da capital, quando não está envolvida em alguma atividade, sente-se marginalizada, aumentando a vulnerabilidade da Somália.