Sudão: Conselho Militar avança com demissões para apaziguar protestos

Além do ministro da Defesa, Conselho Militar que governa o Sudão desde a destituição de Bashir demitiu o chefe de Estado-Maior do Exército. Manifestantes continuam a pressionar militares para formarem um governo civil.

O anúncio do general Abu Bakr Dambalab como novo diretor dos serviços secretos foi feito numa conferência de imprensa, no domingo (14.04), para dar conta da saída do ministro da Defesa, Awad Mohamed Ibn Auf, um general ligado ao genocídio na região de Darfur, e do chefe de Estado-Maior do Exército, Camal Abdel Maaruf, e da demissão do embaixador em Washington, o general Mohamed Attal-Moula Abbas.

Abdel Fattah al-Burhan Abdelrahman, novo chefe militar do Sudão

De acordo com o porta-voz do Conselho Militar, está a ser avaliada a situação de outros embaixadores noutros países. Têm sido mantidos encontros diplomáticos com representantes de países árabes, entre os quais a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar, países africanos como a Etiópia e o Sudão do Sul, ou representantes dos Estados Unidos e da denominada 'troika', com os Estados Unidos, a Noruega e o Reino Unido.

O novo diretor dos serviços secretos, em substituição de Salah Gosh, que apresentou a sua demissão na sexta-feira à noite, tem formação e carreira militar e foi cônsul da embaixada sudanesa no Cairo, no Egito, antes de dirigir vários departamentos dentro dos serviços de informação, incluindo os serviços secretos externos.

Negociações com oposição e manifestantes

Os manifestantes e os grupos da oposição pediam há muito a saída de Salah Gosh, que liderou a repressão contra os que pediam nas ruas a demissão do Presidente Omar al-Bashir. O Conselho Militar está a tentar responder às exigências dos manifestantes e negociar com a oposição, mas já alertou que a sua prioridade é manter a segurança e a estabilidade do país.

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MEDIATECA | 15.04.2019

Purga no Sudão: Conselho Militar avança com demissões

Nas ruas, os manifestantes voltaram este domingo (14.04) a exigir aos militares a entrega imediata do poder a um governo civil, prometendo continuar as manifestações de rua que derrubaram o ex-Presidente Omar al-Bashir na quinta-feira (11.04).  A exigência foi apresentada pela Associação de Profissionais do Sudão durante uma reunião com o Conselho Militar de Transição na capital, Cartum.

Enquanto isso, à porta Ministério da Defesa, milhares de manifestantes permanecem acampados e garantem que vão exercer "todas as formas de pressão pacífica para alcançar os objetivos da revolução. "Só aceitaremos uma mudança real que satisfaça o povo, que está à procura de um bom futuro", diz Al-Tayieb Ahmad.

O novo chefe do Conselho Militar de Transição que assumiu o Governo do Sudão procura apaziguar as multidões nas ruas. Anunciou o fim do toque de recolher imposto pelo seu antecessor e prometeu que um Governo civil seria formado dentro de dois anos. Mas os manifestantes querem uma ruptura clara com o antigo regime.

Governo civil na lista de exigências

A lista de exigências apresentada ao Conselho Militar pela Associação de Profissionais do Sudão, que encabeça os protestos nas ruas, possui nove pontos. Além da instalação de um governo civil, a lista inclui o julgamento dos responsáveis pelo golpe militar de 1989.

Também pedem o desmantelamento de todos os sindicatos pró-Governo, o congelamento dos altos quadros do Executivo do ex-Presidente Omar al-Bashir e a demissão de todos os principais juízes e procuradores.

Após o encontro com representantes dos manifestantes, o Conselho Militar assegurou que o partido de Omar al-Bashir não participará do futuro governo civil. O porta-voz do conselho militar também deixou claro que a nomeação de um primeiro-ministro deverá ser função da oposição.

No fim de semana, grupos ligados aos direitos humanos manifestaram preocupação pelo facto de os militares terem negado a extradição de Omar al-Bashir para o Tribunal Penal Internacional (TPI), onde é acusado de crimes contra a humanidade.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Do golpe de Estado até hoje

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 75 anos, assumiu a Presidência da Guiné Equatorial em 1979, ainda antes de José Eduardo dos Santos. Teodoro Obiang Nguema derrubou o seu tio do poder: Francisco Macías Nguema foi executado em setembro de 1979. A Guiné Equatorial é um dos países mais ricos de África devido às receitas do petróleo e do gás, mas a maioria dos cidadãos não beneficia dessa riqueza.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O Presidente que adora luxo

Paul Biya é chefe de Estado dos Camarões há 34 anos. Muitos dos camaroneses que falam inglês sentem-se excluídos pelo francófono Biya. E o Presidente também tem sido alvo de críticas pelas despesas que faz. Durante as férias, terá pago alegadamente 25 mil euros por dia pelo aluguer de uma vivenda. Na foto, está acompanhado da mulher Chantal Biya.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Quase na reforma

Yoweri Museveni já foi confirmado seis vezes como Presidente do Uganda. Nas eleições de 2021, o chefe de Estado de 72 anos não se poderá recandidatar – os candidatos não podem ser mais velhos do que 75 anos. Filho de pastores, teve uma carreira meteórica. Licenciou-se, tornou-se coronel e assumiu a dianteira política. No seu mandato, foram acrescentados direitos fundamentais na Constituição.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Procurado por genocídio

Omar al-Bashir é Presidente do Sudão desde 1993. Chegou ao poder em 1989 depois de um golpe de Estado sangrento. O Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, emitiu em 2009 um mandado de captura contra al-Bashir por alegada implicação em crimes de genocídio e de guerra no Darfur. Estima-se que mais de 300 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

"O Leão da Suazilândia"

Mswati III é o último governante absolutista de África. Há 31 anos que dirige o reino da Suazilândia. Acredita-se que tem 210 irmãos; o seu pai teve 70 mulheres. A tradição da poligamia continua a cumprir-se neste reinado - até 2013, Mswati III teve quinze esposas. A polícia costuma reprimir os protestos no reino.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O sultão acima de tudo

Há quase cinco décadas que o sultão Haji Hassanal Bolkiah é chefe de Estado e Governo e ministro dos Negócios Estrangeiros, do Comércio, das Finanças e da Defesa do Brunei. Há mais de 600 anos que a política do país é dirigida por sultões. Hassanal Bolkiah, de 71 anos, pondera introduzir o apedrejamento para punir a infidelidade ou o corte da mão para castigar ladrões.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Nas pegadas reais

Ao contrário de outros monarcas europeus, Hans-Adam II (esq.) não é apenas príncipe: é também chefe de Estado do Liechtenstein. Assumiu do pai o "negócio de família" em 1989 e, em 2004, nomeou o filho Aloísio (dir.) como seu representante, embora continue a chefiar o país.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

De pastor a parceiro do Ocidente

Idriss Déby tornou-se Presidente do Chade em 1990. Filho de pastores, Déby formou-se em França como piloto de combate. Após várias guerras civis e tentativas de golpes de Estado, o país estabilizou politicamente em 2008. Déby tornou-se, entretanto, um parceiro do Ocidente na luta contra o extremismo islâmico na região do Sahel.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Fã de si próprio

Robert Mugabe chegou a ser o mais velho chefe de Estado do mundo (com uma idade de 93 anos). O Presidente do Zimbabué esteve quase 30 anos na Presidência do país. Antes foi o primeiro-ministro. Naquela época, aconteceram vários massacres que vitimaram milhares de pessoas. Também foi criticado por alegada corrupção. Após um levantamento militar, renunciou à Presidência em 21 de novembro de 2017.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O adeus

José Eduardo dos Santos foi, durante 38 anos, chefe de Estado de Angola. Mas não se recandidatou nas eleições de 2017. Há anos que circulam rumores de que estará doente. A guerra civil terminou em 2002 durante o seu mandato. Muito melhorou desde então, mas grande parte da população continua a viver na pobreza e protestos de ativistas a pedir melhores condições de vida têm sido reprimidos.