Sudão: Manifestantes exigem Governo interino liderado por civis

Negociações entre a Aliança para a Liberdade e a Mudança e os militares são retomadas este domingo em Cartum. Manifestantes reafirmam que querem civis na liderança do novo gabinete executivo de transição.

Líderes da Aliança para a Liberdade e a Mudança (ALC), que coordenam os protestos no Sudão, exigiram este domingo (19.05) que um civil seja responsável pelo novo gabinete executivo de transição que irá governar o país nos próximos três anos. As negociações entre os manifestantes e o Conselho Militar de Transição, no poder desde a queda em abril do antigo Presidente Omar al-Bashir, são retomadas este domingo depois de três dias de suspensão dos diálogos. 

Em comunicado lançado antes da reunião, a ALC diz que o novo órgão de governança no Sudão será "liderado por um civil como o seu presidente e com uma representação limitada de militares".

A presença de militares no poder há mais de um mês está a gerar pressão internacional. A União Europeia (UE) e a União Africana instaram que o país passe por uma transição democrática e tenha um Governo interino liderado por civis, mas os militares insistem que o Governo seja comandado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, atualmente no poder.

A nova etapa do diálogo entre as partes deveria ter ocorrido na última quarta-feira, mas foi suspensa por 72 horas. Os manifestantes concordaram em desmontar algumas barricadas espalhadas por Cartum, mas prometeram voltar caso as negociações não avancem.

Violência

Os militares destituíram Omar al-Bashir, que estava há 30 anos no poder, a 11 de abril em meio a protestos em massa que exigiam a derrubada do ex-Presidente desde dezembro de 2018. Mesmo com a queda de al-Bashir, os manifestantes continuaram nas ruas a exigir que os generais entregassem de imediato a condução do país aos civis.

Desde então, múltiplos incidentes de violência têm ocorrido, alguns envolvendo mortes, em vários acampamentos de manifestantes, incluindo na concentração principal em frente ao Quartel-General das Forças Armadas na capital Cartum, onde cinco manifestantes e um oficial do Exército foram mortos.

Barricada montada por manifestantes na capital Cartum

O vice-chefe do Conselho Militar de Transição, general Mohammed Hamdan Dagalo, informou este sábado que as forças de segurança prenderam suspeitos de terem feito o ataque contra os manifestantes. Segundo os militares, os agressores seriam apoiadores de al-Bashir.

"Queremos a democracia sobre a qual eles [os manifestantes] estão falando. Queremos uma verdadeira democracia, eleições justas e livres", afirmou o general.

Movimentos islâmicos sudaneses exigem que a Sharia, a lei islâmica, continue a ser a base jurídica do país, mas a ALC já adiantou que este é um "assunto irrelevante" nesta etapa das negociações. Este sábado (17.05), uma coalizão de 20 grupos islâmicos fez um protesto próximo ao palácio presidencial. "Ignorar a aplicação da sharia é uma irresponsabilidade. Se isto acontecer, irá abrir a porta para o inferno no Sudão", afirmou Al-Tayieb Mustafa, líder da coalizão.

Ajuda financeira

Este domingo, a Arábia Saudita anunciou que efetuou um depósito de 250 milhões de dólares (o equivalente a quase 223 milhões de euros) para o banco central do Sudão.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos prometeram enviar três bilhões de dólares em ajuda ao Sudão devido aos protestos em masa no país.

Segundo um comunicado do Ministério das Finanças da Arábia Saudita, este dinheiro vai fortalecer "a posição financeira [do Sudão], aliviar a pressão sobre a libra sudanesa" e ajudar o país a alcançar "mais estabilidade na taxas de câmbio".

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Do golpe de Estado até hoje

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, de 75 anos, assumiu a Presidência da Guiné Equatorial em 1979, ainda antes de José Eduardo dos Santos. Teodoro Obiang Nguema derrubou o seu tio do poder: Francisco Macías Nguema foi executado em setembro de 1979. A Guiné Equatorial é um dos países mais ricos de África devido às receitas do petróleo e do gás, mas a maioria dos cidadãos não beneficia dessa riqueza.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O Presidente que adora luxo

Paul Biya é chefe de Estado dos Camarões há 34 anos. Muitos dos camaroneses que falam inglês sentem-se excluídos pelo francófono Biya. E o Presidente também tem sido alvo de críticas pelas despesas que faz. Durante as férias, terá pago alegadamente 25 mil euros por dia pelo aluguer de uma vivenda. Na foto, está acompanhado da mulher Chantal Biya.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Quase na reforma

Yoweri Museveni já foi confirmado seis vezes como Presidente do Uganda. Nas eleições de 2021, o chefe de Estado de 72 anos não se poderá recandidatar – os candidatos não podem ser mais velhos do que 75 anos. Filho de pastores, teve uma carreira meteórica. Licenciou-se, tornou-se coronel e assumiu a dianteira política. No seu mandato, foram acrescentados direitos fundamentais na Constituição.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Procurado por genocídio

Omar al-Bashir é Presidente do Sudão desde 1993. Chegou ao poder em 1989 depois de um golpe de Estado sangrento. O Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, emitiu em 2009 um mandado de captura contra al-Bashir por alegada implicação em crimes de genocídio e de guerra no Darfur. Estima-se que mais de 300 mil pessoas foram mortas desde o início do conflito.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

"O Leão da Suazilândia"

Mswati III é o último governante absolutista de África. Há 31 anos que dirige o reino da Suazilândia. Acredita-se que tem 210 irmãos; o seu pai teve 70 mulheres. A tradição da poligamia continua a cumprir-se neste reinado - até 2013, Mswati III teve quinze esposas. A polícia costuma reprimir os protestos no reino.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O sultão acima de tudo

Há quase cinco décadas que o sultão Haji Hassanal Bolkiah é chefe de Estado e Governo e ministro dos Negócios Estrangeiros, do Comércio, das Finanças e da Defesa do Brunei. Há mais de 600 anos que a política do país é dirigida por sultões. Hassanal Bolkiah, de 71 anos, pondera introduzir o apedrejamento para punir a infidelidade ou o corte da mão para castigar ladrões.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Nas pegadas reais

Ao contrário de outros monarcas europeus, Hans-Adam II (esq.) não é apenas príncipe: é também chefe de Estado do Liechtenstein. Assumiu do pai o "negócio de família" em 1989 e, em 2004, nomeou o filho Aloísio (dir.) como seu representante, embora continue a chefiar o país.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

De pastor a parceiro do Ocidente

Idriss Déby tornou-se Presidente do Chade em 1990. Filho de pastores, Déby formou-se em França como piloto de combate. Após várias guerras civis e tentativas de golpes de Estado, o país estabilizou politicamente em 2008. Déby tornou-se, entretanto, um parceiro do Ocidente na luta contra o extremismo islâmico na região do Sahel.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

Fã de si próprio

Robert Mugabe chegou a ser o mais velho chefe de Estado do mundo (com uma idade de 93 anos). O Presidente do Zimbabué esteve quase 30 anos na Presidência do país. Antes foi o primeiro-ministro. Naquela época, aconteceram vários massacres que vitimaram milhares de pessoas. Também foi criticado por alegada corrupção. Após um levantamento militar, renunciou à Presidência em 21 de novembro de 2017.

Os chefes de Estado há mais tempo no poder

O adeus

José Eduardo dos Santos foi, durante 38 anos, chefe de Estado de Angola. Mas não se recandidatou nas eleições de 2017. Há anos que circulam rumores de que estará doente. A guerra civil terminou em 2002 durante o seu mandato. Muito melhorou desde então, mas grande parte da população continua a viver na pobreza e protestos de ativistas a pedir melhores condições de vida têm sido reprimidos.