UE atribui apoio de emergência de 3,5 ME a Moçambique, Maláui e Zimbabué

União Europeia (UE) anuncia apoio de emergência de 3,5 milhões de euros para ajudar a população africana afetada pela passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué, que causou dezenas de mortos.

Em comunicado, a Comissão Europeia anunciou esta terça-feira (19.0.) um "pacote inicial de ajuda de emergência de 3,5 milhões de euros", após as "graves inundações e o ciclone tropical Idai terem causado um grande número de vítimas e danos em casas e infraestruturas em Moçambique, no Maláui e no Zimbabué". 

Bruxelas precisa que a verba "será usada para fornecer apoio logístico para as pessoas afetadas, como abrigos de emergência, higiene, saneamento e cuidados de saúde".

Do total, dois milhões serão alocados a Moçambique, um milhão ao Maláui e 500 mil euros ao Zimbabué.

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MEDIATECA | 19.03.2019

Correspondente da DW fala sobre a tragédia na Beira

Além desta verba, a UE já deu 250 mil euros para ajudar a população afetada na região.

UE solidária

Citado pela nota, o comissário europeu para ajuda humanitária e gestão de crises, Christos Stylianides, salienta que a "UE está solidária" com o povo daquela região, pelo que a verba anunciada se destina às "necessidades humanitárias urgentes".

Christos Stylianides adianta que a União vai enviar técnicos para o local, que irão ajudar as autoridades locais e os parceiros humanitários.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou pelo menos 222 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos na segunda-feira (18.03.). Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela tempestade naqueles três países africanos.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que o ciclone poderá ter provocado mais de mil mortos em Moçambique, estando confirmados atualmente 84. Estimativas iniciais do Governo de Moçambique apontam para 600 mil pessoas afetadas, incluindo 260 mil crianças.

O ciclone, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora atingiu a Beira, a quarta maior cidade de Moçambique, na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes sem energia e linhas de comunicação.

No Maláui, as estimativas do Governo apontam para que tenham sido afetadas mais de 920 mil pessoas nos 14 distritos afetados, incluindo 460 mil crianças. Há registos de pelo menos 56 mortos e 577 feridos.

No Zimbabué, a avaliação das autoridades apontava para cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afetadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland, com registos de 82 mortes e 217 pessoas desaparecidas.

Resgatar as pessoas isoladas pelas águas

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) defendeu esta terça-feira que a salvação de pessoas sitiadas pelas águas deve ser a prioridade dos governos dos países da África Austral afetados pelo ciclone Idai e da comunidade internacional. 

O escritório da AI na África Austral exorta no comunicado as autoridades de Moçambique, Zimbabué e Maláui a intensificarem as ações de resgate e a mobilizarem mais recursos na assistência às vítimas do temporal.

"Com centenas de mortes já confirmadas e milhares de pessoas desaparecidas ou desalojadas depois da devastadora passagem do ciclone por Moçambique, Zimbabué e Maláui, a Amnistia Internacional apela aos governos para intensificarem os esforços e recursos necessários para o resgate", refere a nota.

A AI considera que deve ser assegurada assistência humanitária às vítimas, para a satisfação das necessidades e direitos humanos básicos.

"A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC e a comunidade internacional devem prover os recursos necessários para apoiarem nos esforços de resgate nos países afetados pelo ciclone por forma a salvarem vidas e assegurar alívio para os que perderam as suas casas e meios de sustento", disse Muleya Mwananyanda, diretor regional adjunto da AI para a África Austral. 

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai faz mais de 200 mortos

A passagem do ciclone Idai afetou mais de 1,5 milhões de pessoas em Moçambique, no Zimbabué e no Malawi, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de 200 pessoas morreram nos três países e milhares estão desalojadas. O levantamento do número de vítimas está por concluir, dado que há locais de difícil acesso devido à subida do nível dos rios.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Beira é a cidade mais atingida de Moçambique

Há pelo menos 84 mortos em Moçambique, segundo os últimos dados. Mas o Presidente Filipe Nyusi afirma que "tudo indica que poderemos registar mais de mil óbitos". A cidade da Beira foi a mais afetada. Os ventos e chuvas fortes deixaram a cidade parcialmente destruída, sem luz nem telecomunicações.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone visto do espaço

Esta imagem de satélite feita pela NASA mostra a passagem do ciclone Idai pelos países africanos. "A situação é terrível, a magnitude da devastação é enorme", disse o líder da equipa de avaliação da Cruz Vermelha na Beira, Jamie LeSueur. "Enquanto o impacto físico do Idai começa a emergir, as consequências humanas ainda não estão claras", lê-se num comunicado.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Deslocados à procura de abrigo

Milhares de pessoas estão desalojadas na zona centro de Moçambique. O Presidente Filipe Nyusi, que sobrevoou a região, indicou que aldeias inteiras desapareceram nas enchentes e que há regiões totalmente incomunicáveis. "Vimos durante o voo corpos flutuando, um verdadeiro desastre humanitário de grandes proporções", assinalou o chefe de Estado.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Estrada de acesso à cidade da Beira fechada

Com as fortes chuvas, o nível dos rios subiu. Um deles, o rio Haluma, transbordou e cortou a estrada nacional 6, espinha dorsal do centro de Moçambique e única via de acesso à Beira. A cidade ficou isolada. Em entrevista à AFP, o ministro do Meio Ambiente de Moçambique, Celso Correia, afirmou que "este é o maior desastre natural ocorrido no país".

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Motoristas isolados na estrada

Isolados na estrada nacional 6, única via de acesso à Beira, moçambicanos aguardam até que a via seja desbloqueada. Formou-se uma longa fila de camiões e outros veículos. Os ventos fortes derrubaram postes.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Noutras vias, mais destruição

A estrada número 260, que liga Chimoio a Mossurize, também não escapou à intempérie. A ponte sobre o rio Munhinga foi arrastada, isolando os dois distritos. Formaram-se enormes buracos nas rodovias, a isolar zonas de Moçambique e a dificultar o acesso às equipas de socorro.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

A fúria das águas

A ponte sobre o rio Haluma, em Nhamatanda, zona central de Moçambique, ficou submersa. É mais uma zona afetada pelas cheias e pelo nível elevado dos rios. Uma camioneta que transportava dez pessoas foi arrastada ao passar pelo local. Seis pessoas morreram e quatro conseguiram salvar-se, penduradas em cima de um camião basculante.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

População precisa de ajuda médica

Mais de cem salas de aulas ficaram destruídas nas regiões mais afectadas pelo ciclone e cheias nos distritos moçambicanos de Chinde, Maganja da Costa, Namacurra e Nicoadalá. Em visita à Zambézia, o Presidente Filipe Nyusi afirmou que, além de bens alimentares, a população necessita também, com prioridade, de assistência médica.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai leva a cancelamento de voos

A passagem do fenómeno também afetou os transportes aéreos. O aeroporto da Beira ficou inoperante entre quinta-feira (14.03.) e domingo (17.03). Todos os voos domésticos foram suspensos. Dezenas de voos previstos para descolar do aeroporto internacional de Maputo, o maior de Moçambique, foram cancelados. O fecho dos aeroportos também dificultou a chegada de ajuda humanitária.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Depois de Moçambique, Zimbabué e Malawi

O ciclone Idai atingiu a Beira na quinta-feira (14.03), tendo seguido depois para oeste, em direção ao Zimbabué e ao Malawi, afetando mais milhares de pessoas, em particular nas zonas orientais da fronteira com Moçambique. Casas, escolas, empresas, hospitais e esquadras ficaram destruídas. Estradas e pontes desapareceram, o que dificulta os trabalhos de resgate.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Plantações devastadas pela força do ciclone

No Zimbabué, o número de mortos após a passagem do ciclone Idai chega a 82. O Presidente Emmerson Mnangagwa disse que a resposta do Governo está a ser coordenada pelo Departamento de Proteção Civil através dos comités de Proteção Civil nacional, provincial e de distrito, com o apoio de parceiros humanitários.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Ciclone Idai chega ao Malawi

Os distritos de Chikwawa e Nsanje, no Malawi, ficaram inundados com a passagem do ciclone Idai. Segundo o balanço mais recente do Departamento de Gestão de Riscos, no país foram registadas 56 mortes. Quase 1 milhão de pessoas foram afetadas pela passagem do ciclone. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, 80 mil viram as suas casas destruídas e estão sem onde se refugiar.

Ciclone Idai causa mortes e destruição

Cheias nos rios aumentam risco de doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou as autoridades para a importância de se levar a cabo um levantamento dos estragos nos serviços de saúde, já que o agravamento das cheias nos próximos dias, devido à continuação de chuvas fortes, aumenta o risco do aparecimento de doenças transmissíveis pela água e pelo ar.