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Um ano de protestos e violência no Burundi

Apollinaire Niyirora / António Cascais26 de abril de 2016

O Burundi continua em crise profunda. A turbulência instalou-se desde que o partido no poder anunciou, a 26 de abril de 2015, que o Presidente Nkurunziza iria candidatar-se um terceiro mandato, que conseguiu em julho.

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Protestos contra Pierre Nkurunziza em Bujumbura, a capital burundesaFoto: Igor Rugwiza

Apesar da Constituição do país oficialmente autorizar apenas dois mandatos presidenciais seguidos, Pierre Nkurunziza foi reeleito, depois de a oposição ter boicotado as eleições. Desde então, o país afundou-se numa crise política, militar e económica.

Os parceiros africanos, inclusive do leste de África, suspenderam a sua cooperação, tal como a maioria dos países ocidentais. O desespero instalou-se entre as populações.

Muitos estudantes tiveram de abandonar os estudos devido ao caos que se instalou no país. "Queria terminar o meu curso, mas a situação é muito difícil desde que eclodiu a crise", Pierre Emmanuel Ngendakumana, finalista da Universidade do Burundi.

Burundi Präsident Pierre Nkurunziza
Pierre Nkurunziza tomou posse como Presidente em agosto de 2015Foto: picture-alliance/dpa/C. Karaba

"Muitos estudantes fugiram para áreas fora de Bujumbura e alguns fugiram mesmo para o estrangeiro. Outros sofreram graves ferimentos nos confrontos com as forças governamentais, outros foram mortos", recorda.

Também a vida da professora de inglês Fidela Nizigiyimana mudou completamente desde o ano passado. O ensino noturno deixou de existir por motivos de segurança e, por isso, a escola onde dava aulas à noite deixou de lhe dar trabalho.

Fidela Nizigiyimana continua a trabalhar como professora, mas praticamente nada ganha. "Os salários sempre foram miseráveis e por vezes nem sequer os recebíamos. E agora a situação ainda está pior", conta. Além disso, teve de deixar a casa onde vivia. "A minha vida é muito difícil. Tento sobreviver, mas não é fácil".

Reinício do diálogo

Para Jean Marie Vianney Gatogato, da organização não-governamental Dialogue, com sede em Bujumbura, a capital do Burundi, o mais importante agora é que todas as partes cessem a violência e reiniciem o diálogo. "Temos de voltar a resolver os problemas através das palavras, mas antes de tudo a violência deve acabar", sublinha.

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Um ano depois do anúncio de que o Presidente se iria perpetuar no poder, muitos burundeses continuam a acreditar que Pierre Nkurunziza não faz parte da solução, mas sim do problema.

"Muitas pessoas não querem que Nkurunziza fique no poder. Penso que ele deveria repensar a sua política e abandonar o cargo", afirma a professora Fidela Nizigiyimana.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou, segunda-feira (25.04), a abertura de um inquérito preliminar para investigar atos de violência no país que, segundo dados das Nações Unidas, já fizeram mais de 430 mortos.