UNITA pede que a PGR investigue os assassinatos na Lunda Norte

Deputado pela bancada do partido do galo negro, Joaquim Nafoia, afirma que assassinato de populares nas zonas de exploração de diamantes é uma realidade e avança que já foram encontradas 17 pessoas mortas.

A UNITA, maior partido na oposição em Angola, defende que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a onda de assassinato de angolanos nas zonas de exploração diamantífera na província da Lunda Norte.

A posição foi manifestada pelo secretário nacional para os direitos humanos do partido do galo negro, Joaquim Nafoia, em reação ao comunicado do Ministério do Interior que desmente a alegada existência de uma suposta vala comum, onde terão sido enterrados vários cadáveres na localidade de Calonda.

Num comunicado de imprensa citado pela Lusa, o Governo angolano refere que as informações que "estão a circular nas redes sociais" são "caluniosas" e provenientes "de indivíduos descontentes com o trabalho de combate ao garimpo e à imigração ilegal, que tem sido desencadeado por forças do sistema de segurança a nível do município do Lucapa, concretamente na localidade de Calonda".

Miséria e falta de emprego aliciam jovens para as zonas de garimpo.

Mas para Joaquim Nafoia, deputado da UNITA que liderou a comitiva do partido durante a visita efetuada entre os dias 9 e 13 deste mês à Lunda Norte, um "simples comunicado” não vai esclarecer e nem acabar com a onda de matança naquela província rica em diamante, cuja população vive na miséria extrema.

Em declarações à DW África, Joaquim Nafoia destacou a necessidade de ser criada uma comissão parlamentar de inquérito para se apurar os factos.

"Estamos a pedir que o caso seja devidamente apurado através da Procuradoria-Geral da República, e o Parlamento se for o caso, no sentido de se punir os infratores porque as pessoas não podem ser mortas como se fossem mosquitos, e Lunda Norte não pode ser transformada em matador humano, porque, essa situação é recorrente. Matam-se as pessoas e os autores não são sancionados”, lamentou Nafoia reafirmando que os autores dos assassinatos cometidos contra vários cidadãos continuam impunes.

"Há uma impunidade total. No dia 27 de março aconteceu o mesmo no município de Kapenda Kamulemba, em que as forças de defesa e segurança também no âmbito da "Operação Transparência" assassinaram dois sobas, e os que mataram estão aí impunes. E ainda se diz que estamos numa nova era".

Investigação

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MEDIATECA | 21.05.2019

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O deputado  afirma ainda que o assassinato de populares nas zonas de exploração de diamantes é uma realidade e avança que já foram encontradas 17 pessoas mortas.

 "Nas últimas 24 horas recuperou-se mais dois corpos. Portanto, a população já deu por desaparecidos, mais de 17 cidadãos, porque no dia 4 de maio recuperaram três corpos, e à medida que o tempo vai passando, conclui-se que os 17 desaparecidos afinal foram mortos. São esses os corpos que estão a ser encontrados pela população”.

Quanto ao comunicado do Ministério do Interior, Joaquim Nafoia afirma que as autoridades estão somente a comentar os conteúdos das redes sociais sem contudo fazerem qualquer referência às mortes denunciadas pela UNITA.

Entretanto, Joaquim Nafoia desafia a imprensa, a polícia e a PGR a investigarem com mais detalhes as denúncias.

“Quando fomos para lá, ouvimos o Governo Provincial, ouvimos a polícia, ouvimos a população, ouvimos as igrejas e as autoridades tradicionais, e confirmamos que são 17 mortos e ponto final. A própria justiça que anda atrelada ao executivo faz ouvido de marcador. Em nenhum momento, falamos de vala comum. As imagens estão a circular porque os óbitos estão lá no Lucapa. E desafiamos os jornalistas a irem ao Lucapa para conversaram com os familiares das pessoas que foram mortas”, concluiu o deputado da UNITA.

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