UNITA vai pedir impugnação dos resultados eleitorais

Os resultados definitivos indicam que a UNITA é a segunda força política mais votada, tendo conseguido mais de 1,81 milhões de votos (26,67%) e 51 deputados.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) vai recorrer nos tribunais dos resultados das eleições gerais de 23 de agosto, que dão vitória ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), anunciou o mandatário do partido da oposição.

Estêvão Cachiungo falava aos jornalistas após o anúncio dos resultados definitivos pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), numa cerimónia em que não participaram os comissários nacionais eleitorais representantes dos partidos da oposição.

"Temos fóruns próprios, estamos a trabalhar para que a justiça faça com que se resgate a verdade eleitoral para cumprimento daquilo que a lei estabelece", disse o mandatário da UNITA, sublinhando que a ata dos resultados nacionais definitivos não foi assinada por todos os comissários nacionais eleitorais.

"Há problemas dentro da CNE que o senhor presidente não falou", disse Cachiungo, salientando que a posição dos comissários será divulgada ainda hoje (06.09) em conferência de imprensa.O mandatário do maior partido da oposição angolana, também nestas eleições a segunda força política mais votada, tendo alcançado 26,67% dos votos, disse não perceber "por que é que a CNE faz um exercício de tanta responsabilidade e oculta o que de facto está a acontecer".

"Vamos pedir ao tribunal a impugnação, estamos dentro da lei, estamos serenos, calmos", disse o político, reiterando a necessidade de que os processos eletivos angolanos sejam feitos "de acordo com a lei, sejam transparentes".

Oposição reuniu-se no último fim de semana para fazer reclamações contra o escrutínio provicinal da CNE

"As ruas estão cheias de polícias”

O responsável reforçou que "este processo não foi transparente, não foi de acordo com a lei e não é festa, porque as ruas estão cheias de polícias". A  UNITA e outras forças políticas concorrentes - a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), o Partido de Renovação Social (PRS) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) - têm vindo a apresentar várias reclamações à CNE, nomeadamente aos procedimentos para o apuramento dos resultados provinciais eleitorais, entretanto julgadas improcedentes.

Também os resultados provisórios divulgados pela CNE, que davam já vitória ao partido MPLA foram rejeitados pela UNITA, CASA-CE e PRS, alegando que a contagem paralela efetuada por si, com base nas atas sínteses das mesas de voto, apontavam para dados diferentes.

CNE felicita vencedor e pede aos vencidos que aceitem resultados

 A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) já felicitou o vencedor das eleições gerais de 23 de agosto, o MPLA, com 61,07% dos votos, e apelou às forças políticas derrotadas a manterem "serenidade e respeito" pela vontade dos cidadãos.

A posição foi expressa pelo presidente da CNE, André da Silva Neto, antes do anúncio dos resultados definitivos das eleições gerais angolanas, que confirmaram João Lourenço como o novo Presidente de Angola e Bornito de Sousa como o novo vice-Presidente. Nas suas felicitações, André da Silva Neto manifestou a convicção de que o partido no poder "mereceu a confiança da maior parte dos eleitores e que fará o seu melhor para a concretização dos anseios dos angolanos".

 Às restantes forças políticas concorrentes - UNITA, CASA-CE, PRS, FNLA e APN - o responsável do órgão eleitoral angolano felicitou igualmente "pela sua participação na festa da democracia e por enobrecerem o país com a sua participação" nas eleições gerais.

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NOTÍCIAS | 06.09.2017

UNITA vai pedir impugnação dos resultados eleitorais

Tentativa de descredibilizar o processo

André da Silva Neto lamentou, contudo, as declarações de alguns partidos, "que, imbuídos de má-fé, procuraram confundir a comunidade nacional e internacional, na tentativa de descredibilizar todo o processo eleitoral e o empenho da Comissão Nacional Eleitoral em realizar eleições credíveis, com afirmações torpes e destituídas de elementos de prova merecedoras do mínimo de credibilidade".

"A estas forças e pessoas coletivas e singulares lembramos que Angola é um Estado democrático e de direito, e que os mesmos têm a opção de fazer valer os seus direitos através de mecanismos legalmente estabelecidos, e não por via de ameaças físicas, morais ou psicológicas e difamações ou injúrias injustificáveis", disse o presidente da CNE.

O responsável do órgão eleitoral sublinhou que, colocados à parte alguns constrangimentos ocorridos durante todo o processo eleitoral, como perdas humanas e de meios materiais, e a tentativa de criação, por algumas forças políticas, "de um ambiente de desestabilização e intranquilidade", toda a atividade da CNE "decorreu num clima de serenidade e calma exemplares.

Angola vota: Eleições em imagens

João Lourenço, o sucessor

João Lourenço é o cabeça-de-lista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder há mais de quatro décadas. Tinha acabado de votar e mostrou o indicador direito marcado com tinta azul quando se ouviu um apelo para que levantasse quatro dedos - o sinal da posição do partido no boletim de voto. Lourenço recusou o pedido.

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Dia histórico

23 de agosto de 2017 já é um dia histórico para a República de Angola. Os mais de nove milhões de angolanos inscritos começaram cedo a escolher o sucessor do atual líder do país, José Eduardo dos Santos, que está no poder desde 1979. O próximo Presidente de Angola é o cabeça-de-lista do partido mais votado.

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Eleitores prontos

Já por volta das 7 horas da manhã, os eleitores angolanos faziam fila para votar. Em Luanda, o ambiente das assembleias de voto era tranquilo. Entretanto, cidadãos disseram ter dificuldades em localizar as suas assembleias de voto.

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Eleitores do Huambo

Idalina Salomé, de 26 anos, votou pela primeira vez e apelou aos eleitores que ainda não votaram para exercerem o seu direito de cidadania. Na cidade do Huambo, o correspondente da DW, José Adalberto, diz que os munícipes têm afluído em massa às urnas.

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Quartas eleições

Essas são as quartas eleições já realizadas e as segundas nos moldes atuais, com a eleição direta do Parlamento e indireta do Presidente da República. As eleições estão a ser vigiadas por mais de 100 mil agentes de segurança e foi decretada tolerância de ponto em todo o país.

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Adeus José Eduardo dos Santos

O Presidente cessante, José Eduardo dos Santos, líder do MPLA, partido no poder desde a independência do país, em 1975, votou por volta das 9 horas da manhã na Escola Primária de São José de Clunny, no centro de Luanda. Depois de cerca de quatro décadas, deixará o poder oficialmente após as eleições desta quarta-feira.

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Samakuva vota no Talatona

O candidato da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o principal partido da oposição, votou na Universidade Óscar Ribas, no município de Talatona, na zona sul de Luanda, onde apelou ao voto do angolanos neste importante dia para a história do país. Isaías Samakuva criticou o processo eleitoral por alegadas "irregularidades".

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Abel Chivukuvuku

Depois de votar, o cabeça-de-lista da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), Abel Chivukuvuku, pediu às instituições que tutelam o ato eleitoral para que "cumpram com o seu papel"; de modo a que seja possível "festejar um momento que pode ser um novo começo" para Angola.

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Observadores internacionais

Miguel Trovoada, ex-chefe de Estado são-tomense, lidera a missão de observação eleitoral da CPLP. Já no início da votação, pela manhã, disse à DW que as eleições transcorriam de forma calma.

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O sistema eleitoral angolano

A Constituição do país, aprovada em 2010, prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos. São eleitos 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (somando 90). Ao todo, são 220 deputados da Assembleia Nacional. Já o cabeça-de-lista do partido mais votado é automaticamente eleito Presidente da República.