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Venezuela: Líderes europeus fazem "ultimato" a Maduro

Lusa | rl
26 de janeiro de 2019

Ou Maduro realiza eleições no prazo de oito dias ou Espanha, França, Alemanha e Reino Unido reconhecem Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Rússia e China bloquearam declaração do Conselho de Segurança da ONU.

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Nicolas MaduroFoto: Reuters/M. Quintero

Espanha, França, Alemanha e Reino Unido vão reconhecer o líder parlamentar Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, caso Nicolás Maduro não convoque eleições no prazo de oito dias. Os quatro países anunciaram a mesma posição em notas separadas, este sábado (26.01).

Também a União Europeia disse que "na ausência de um anúncio relativo à realização de novas eleições com as garantias necessárias nos próximos dias, a União Europeia irá tomar novas  medidas, inclusivamente relativas ao reconhecimento da liderança do país em linha com o artigo 233 da Constituição venezuelana".

Este sábado (26.01), a Rússia e a China bloquearam um projeto de declaração do Conselho de Segurança da ONU que visava garantir "um apoio pleno" à Assembleia Nacional venezuelana dirigida pelo opositor Juan Guaidó. O texto, ao qual a agência France Presse teve acesso, sublinhava o compromisso da Assembleia Nacional venezuelana de restaurar a democracia e o Estado de direito no país e notava a ausência de legitimidade do último processo eleitoral na Venezuela, condenando o recurso à violência por parte das forças de segurança contra manifestantes.  

O Conselho de Segurança da ONU reuniu, este sábado (26.01) a pedido dos Estados Unidos. Nesta sessão, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, exortou todos os países a suspenderem as transações financeiras com o regime venezuelano. Sobre a intenção do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de expulsar os diplomatas dos Estados Unidos do país, Mike Pompeo deixou um aviso: "Não testem a nossa determinação".

Venezuela Juan Guaido
Juan GuaidóFoto: Reuters/C. G. Rawlins

Numa entrevista à televisão norte-americana Univision, Juan Guaidó disse, na quinta-feira (24.01) não excluiu uma eventual amnistia do Presidente Nicolás Maduro para que ele deixe o poder.  "Será preciso analisar isso (a amnistia), (Maduro) é também um funcionário, infelizmente ditador e responsável pelas vítimas de ontem (quarta-feira) na Venezuela", adiantou.

O que está a acontecer na Venezuela?

Tudo começou esta quarta-feira (23.01) quando Juan Guaidó, líder do Parlamento da Venezuela, pertencente à oposição, se autoproclamou presidente interino do país.

Perante uma concentração de milhares de pessoas, no leste de Caracas, Guaidó afirmou: "Levantemos a mão, hoje 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um governo de transição e eleições livres", disse. Juan Guaidó disse ainda entender que o seu país "está numa ditadura" e estar consciente de que a sua autoproclamação "teria consequências".

Consequências estas que não tardaram. Poucas horas depois do anúncio, o mundo começou a "dividir-se". Os Estados Unidos, na pessoa de Donald Trump, foram o primeiro país a reconhecer Juan Guaidó como "presidente interino" do país. Seguiram-se nas horas seguintes, vários países da América Latina - Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Costa Rica. Outros países europeus, como foi o caso da Alemanha, e a própria União Europeia, defenderam "eleições livres e credíveis" no país.

Do lado de Nicolas Maduro, atual presidente da Venezuela, ficaram o México, o Uruguai, Cuba, a Rússia, a China, a Turquia e o Irão. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela rejeitou o cargo de Presidente interino, afirmando que no país "os cargos de representação popular são eleitos pelo povo". Uma posição semelhante à do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, que condenou também a autoproclamação de Juan Guaidó.

Bildergalerie Venezuela Proteste Diaspora
Centenas de manifestantes saíram às ruas para pedir a demissão de Nicolas MaduroFoto: Reuters/

Ainda na quarta-feira (23.01), Nicolas Maduro anunciou o corte de relações com os Estados Unidos, dando 72 horas aos diplomatas norte-americanos para saírem da Venezuela.  O Presidente venezuelano, que falava a partir do palácio presidencial, acusou os Estados Unidos de "intervencionismo". Por sua vez, o governo de Washington disse que iria manter a sua equipa diplomática em Caracas.

Na quinta-feira (24.01), e em resposta a uma iniciativa proposta pelo México e Uruguai, Nicolas Maduro, concordou numa rodada de negociações com a oposição. Mas, naquela que foi a sua primeira aparição depois de se ter autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó afirmou, na sexta-feira (26.01), que "quando a repressão não lhes dá resultado começam com um falso diálogo. O mundo e o regime devem perceber que para falsos diálogos, aqui, ninguém está interessado", disse Guaidó, destacando que não participará de nenhuma rodada de negociações sem antes ter certeza de que os resultados serão favoráveis".

29 mortos, dizem ONG

Enquanto vários Estados continuam a publicar pareceres acerca da sua posição face a esta crise política na Venezuela, milhares de cidadãos saíam às ruas, um pouco por todo o país, em apoio a Juan Guaidó. A polícia acabou por reprimir os protestos, usando gás lacrimogéneo, o que resultou na morte de, pelo menos, 27 pessoas, dizem as organizações não-governamentais.

Números que preocupam as Nações Unidas (ONU). "Estou extremamente preocupada com a situação da Venezuela que pode perder rapidamente o controlo com consequências catastróficas", realçou Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

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