Zambézia: Faltar à escola por não ter cadeira de rodas

Em Namacurra, na província da Zambézia, Moçambique, uma criança de 9 anos não pode ir à escola, porque a sua cadeira de rodas avariou. A avó já pediu ajuda, mas ainda não há resposta das autoridades comunitárias.

Anastácia Benjamim não pode ir à escola. A menor de nove anos nasceu com deficiência motora. É órfã de pais e vive com a avó no distrito de Namacurra, na província da Zambézia, centro de Moçambique.

Costumava ir à escola de cadeira de rodas, mas a cadeira avariou no final do ano passado. A avó Beatriz Benjamim, de 52 anos, chegou a carregá-la ao colo ao longo de 800 metros, para a neta não faltar às aulas, mas teve de parar, por problemas de saúde.

Depois da morte dos pais de Anastácia Benjamin, é a sua avó Beatriz Benjamin que cuida da criança

Anastácia passa agora os dias em casa. "É a minha neta. Tem 9 anos. Ela está aflita. Se houvesse uma cadeira, facilitaria a sua deslocação atá à escola", diz Beatriz Benjamim.

A cadeira de rodas, agora avariada, tinha sido oferecida por uma moradora de Namacurra, que um dia passou pela rua de Anastácia Benjamim e resolveu ajudar a família.

Direitos Humanos | 24.04.2017

"A cadeira que teve foi cedida por uma senhora que esteve de passagem por casa no dia 22 de abril de 2016, sentiu pena pela criança, e mais tarde veio a oferecer a cadeira de rodas", conta uma das tias da menor, Paulina Foi

Família pede ajuda

A família não tem dinheiro para comprar uma cadeira nova. A avó de Anastácia Benjamim pede ajuda, para comprar uma cadeira o mais rápido possível, para que a neta volte às aulas.

O líder comunitário Caetano Armindo diz que as autoridades locais já têm conhecimento da situação. E pede uma solução para breve, porque não há forma de carregar a menor ao colo até à escola todos os dias. Sobretudo, com a chuva: "No tempo de sol, mesmo com a carrinha avariada, as pessoas arrastavam-na até à escola, mas agora que a chuva intensa caiu, mesmo aqueles que carregavam já não podem carregar porque a terra está a reclamar..."

A DW África tentou contactar a direção da escola de Anastácia Benjamim, mas não conseguiu obter uma reação.

Moçambique: O empreendedorismo e os sonhos das pessoas com deficiência

Trabalhar para o futuro

O Governo, através do Instituto Nacional de Ação Social e do Rotary Club, ergueu esta organização em 2010 visando acomodar as pessoas com deficiência física. Chama-se Associação MABASSA, que quer dizer "trabalho". O espaço foi equipado pela embaixada alemã com materiais e máquinas para que os portadores de deficiências pudessem confeccionar chinelos e sandálias, entre outros produtos.

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Aprender a superar-se

Tozinho Luís Vasco é deficiente e membro fundador da Associação MABASSA. Foi dele a ideia de confeccionar sapatos. Ele vê nesta atividade uma superação de vida. "Antes eu estendia as mãos pedindo esmola na estrada, porque não tinha o que comer. Mas agora já consigo alimentar a minha família e consequentemente estou a construir minha casa", conta Tonzinho, que hoje é grato aos que lhe ajudaram.

Moçambique: O empreendedorismo e os sonhos das pessoas com deficiência

Acreditar e trabalhar

Zacarias Quembo é o responsável da Associação MABASSA. É um verdadeiro empreendedor. Das 8h às 17h, vende batatas. Depois deste trabalho, e aos fim de semana, dedica-se às atividades da MABASSA, confeccionando chinelos e sandálias. "Eu era um mendigo e não acreditava em mim mesmo", conta Quembo, que quer resgatar mais pessoas através da sua associação.

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O pão de cada dia

São uma parte dos chinelos e sandálias confeccionados pela Associação MABASSA, na cidade de Chimoio. São vendidos nas províncias de Manica, Tete e Sofala. Um par desses calçados varia entre 250 meticais (3,5 euros) e 450 meticais (6,5 euros), e tem saída. Além de vender os produtos nas províncias, participam também em feiras empresariais, como a FACIM, em Maputo.

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Oportunidades contra a pobreza

A Associação de Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO) é outra agremiação em Manica que desenvolve várias atividades com os portadores de deficiência. Desde a criação de salas de informática até a capacitação dos seus membros em pequenos negócios, eles visam dar oportunidades àquelas pessoas. Também se sustentam por meio do arrendamento de salas na sede da associação.

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Iniciativa rentável

Esta é a sala de informática da ACAMO em Manica. Há computadores com acesso à internet e impressoras. Tudo ao serviço dos cidadãos. Segundo o presidente da associação, a iniciativa é rentável, embora o movimento tenha diminuído. "Para sairmos dessa, estou a negociar com uma instituição de ensino para facilitar os estudantes e consequentemente aproveitarmos os clientes", disse Domingos Neves.

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Vencer nas competições da vida

Titos Zinguize Chapo e Cláudio Paulo Santos (ao fundo), de 31 e 53 anos de idade respetivamente, são atletas que participam em campeonatos de corrida de triciclos em Moçambique. Ambos dizem viver desta atividade desportiva, através da qual têm conseguido sustentar as suas famílias e, inclusive, construíram as suas casas.

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"Seremos estrelas"

Este é um jogo de jovens futebolistas com deficiência auditiva. Eles também abraçaram o desporto e estão a se dar bem na carreira. Quem os vê jogar percebe o quão bem se comunicam através da mímica. Há bons talentos no seio do grupo, alguns premiados, que almejam chegar mais longe. Entretanto, lamentam a falta de material desportivo na Associação Desportiva para Pessoa com Deficiência.

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Correr atrás dos sonhos

Chama-se Pita Rondão, é deficiente visual, atleta paralímpico e estudante do segundo ano de licenciatura em Português, em Manica. O atletismo faz parte da sua vida desde a sua mocidade. Ele já participou em vários campeonatos nacionais e internacionais. "O meu sonho é de um dia ser professor, mas isso não me inibe a deixar de correr", conta o jovem que tira o sustento do atletismo.