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Adoção de crianças

11 de outubro de 2010

Adoção de crianças africanas e asiáticas por casais ocidentais é assunto dlicado. Para algumas ONGs, o envolvimento de dinheiro abre brechas para corrupção; outras salientam aspectos positivos para a criança.

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Crianças em orfanato africanoFoto: AP

A foto da cantora Madonna segurando um bebê africano se espalhou por todo o mundo. A adoção, no entanto, chamou a atenção internacional e foi motivo de críticas, após ser divulgada a notícia de que a criança não era órfã.

Em nome do amor e de um futuro melhor para seus filhos, mães e pais africanos os entregam para adoção por casais ocidentais. Castigados pela miséria, eles não têm condições de cuidar de seus rebentos.

Para as crianças, por sua vez, começa uma jornada em uma cultura completamente nova, onde não sabem a língua ou sequer o que está acontecendo com elas. Elas não sabem tampouco se voltarão algum dia a ver seus pais verdadeiros.

Organização de ajuda

Assim como muitos casais ocidentais, a cantora norte-americana insistiu que irá proporcionar um futuro melhor à criança. De acordo com a organização internacional Salvem as Crianças, esse tipo de adoção é cada vez mais frequente nos últimos anos. Nessa procura, casais ocidentais se dirigem principalmente para África e Ásia.

Haiti Waisenkinder
Órfão do terremoto no HaitiFoto: AP

Na África, a Etiópia é o país com o maior número de crianças adotadas nos EUA, Austrália e outros países ocidentais. Susanne Christensen, diretora do escritório dinamarquês da ONG Salvem as Crianças na Etiópia, afirma que já presenciou pais serem iludidos para que entregassem seus filhos para adoção.

Segundo Christensen, esses pais não "estão cientes da lei, não sabem o que vai acontecer com as crianças e, na maioria das vezes, se encontram em uma situação desesperadora, onde podem facilmente aceitar dinheiro e então achar que tudo vai dar certo".

Brechas para a corrupção

Em um país sem subsídios para filhos de famílias carentes, sem nenhuma subvenção para quem cuida de órfãos ou crianças abandonadas, entregar uma criança para adoção é uma opção fácil e rápida. Segundo a lei etíope, nenhuma criança que tenha ao menos um dos pais pode ser dada para adoção. Mas nem isso pode conter a tendência, disse Christensen.

"Existem organizações que estão usando métodos com vista a iludir os pais para que deem suas crianças para adoção. Sem saber realmente o que estão fazendo, eles são informados de que seus filhos retornarão em breve. Ao mesmo tempo, muito dinheiro também está envolvido nesse negócio, o que pode, certamente, abrir brechas para a corrupção no sistema. Então, acho que é um assunto muito delicado", explicou a diretora da ONG na Etiópia.

Afrika Unterricht
Sala de aula em orfanato do QuêniaFoto: picture alliance / dpa

Ajudar a família

No outro lado do continente africano, Gana tem um baixo índice de adoções, embora, por lei, qualquer criança possa ser adotada – não somente órfãos. O reverendo Emmanuel Kwesi Nkumura é o diretor da Fundação Compaixão pela Humanidade, uma organização que apoia crianças necessitadas em Gana. Ele não vê nada de errado nas adoções.

"Para mim, há outro aspecto positivo na adoção de uma criança que é levada para fora de Gana, que é o de a criança ter contato com uma nova cultura, onde a educação é boa e ela vai ser bem cuidada", disse o reverendo.

Mesmo assim, a convenção internacional da criança estipula que a adoção deva ser a última solução. Apesar disso, Nkumura afirma que a adoção assegura um benefício direto para a criança, diferente do dinheiro de doações, que pode parar em mãos desonestas.

Mas o reverendo vê também formas melhores de ajudar as crianças africanas: "ajudar a família necessitada da criança para que ela possa cuidar melhor de seu filho".

Outras partes do mundo

Em geral, as leis de adoção são rígidas em todo o mundo. Isso dificulta que essas crianças sejam levadas facilmente para fora de sua pátria. Em Uganda, por exemplo, a lei requer que os pais adotivos permaneçam no país por um período de três anos e cuidem de uma criança por pelo menos 36 meses.

No Nepal, onde a adoção é um fenômeno antigo, o governo controla todo o processo. Ele estipula regulamentos rígidos e determina quem está apto a adotar uma criança nepalesa. Entre os fatores mais determinantes estão a situação econômica da futura família, idade, fertilidade, como também a reputação moral.

Diferentemente de outros países em desenvolvimento, no Nepal, crianças que são disponibilizadas para adoção são colocadas em um orfanato público.

Autora: Jane Ayeko (ca)
Revisão: Roselaine Wandscheer