1946: Fundado o jornal "Die Zeit"

Em 21 de fevereiro de 1946, surgia na Alemanha do pós-guerra o semanário liberal "Die Zeit", que obteria no decorrer das próximas décadas reputação internacional.

"Não vamos bajular ninguém." Este aviso pragmático foi impresso na primeira edição do Die Zeit, o semanário editado em Hamburgo que, como poucos jornais, contribuiu muito para o desenvolvimento do jornalismo na República Federal da Alemanha.

Quando o Die Zeit surgiu, em 21 de fevereiro de 1946, com uma tiragem inicial de 23 mil exemplares, seus editores queriam aproveitar as possibilidades de esclarecimento pedagógico oferecidas pela mídia. Isto era vital após o fim do regime nazista, esclareceu o fundador do jornal, Gerd Bucerius, falecido em 1995.

"Quando se previa o fim do regime de Hitler, eu e muitos amigos dissemos: da última vez, antes dos nazistas tomarem o poder em 1933, deixamos que outras pessoas fizessem política e nos dedicamos apenas à nossa profissão, acompanhando com interesse, mas não colaborando. Isto levou à catástrofe. Por isso eu disse naquela época: da próxima vez, vou entrar para a política, vou tentar estar na imprensa para poder influenciar a nação".

Críticas ao nazismo e aos Aliados

Os temas dominantes nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial eram questões relativas à democracia e ao passado nazista. O jornal tornou-se conhecido por suas pesadas reportagens sobre o pós-guerra, mas principalmente pelas críticas aos Aliados.

Assuntos relacionados

Nos anos 60, o semanário acompanhou duas mudanças importantes: o fim da era Adenauer – primeiro chefe de governo da República Federal da Alemanha do pós-guerra – e a política de seu sucessor, o social-democrata Willy Brandt.

O jornal adquiriu importância nacional especialmente na política externa e de segurança, fazendo parte daqueles que advertiam para as consequências do conflito entre os blocos capitalista e comunista.

Ceticismo quanto à reunificação

Em 1989, com a queda do Muro de Berlim, teve início uma época difícil para a redação, que durante muito tempo não acreditou na reunificação da Alemanha. A crise interna do jornal refletia a própria crise do liberalismo político na Alemanha.

A falha principal do Die Zeit, segundo Fritz J. Raddatz, redator-chefe durante muitos anos, foi não ter se ocupado da situação dos novos estados alemães, remanescentes da Alemanha sob regime socialista, após a Reunificação alemã. O principal argumento era de que o semanário não tinha leitores naquela região: "Por que iríamos enfrentar os problemas de lá? Afinal, nossos leitores estão em Kassel, Munique e até Toronto, mas não em Leipzig, Dresden ou Cottbus".

Um dos credos do Die Zeit é a objeção ao jornalismo modista, ao sensacionalismo e aos interesses meramente financeiros. Sua meta continua sendo a ponderação razoável. Uma conduta de defesa de valores morais faz do Die Zeit um jornal de renome internacional, especialmente no que diz respeito às sequelas do passado nazista.

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