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Combustível do futuro

6 de setembro de 2010

Alemanha poderia produzir e importar biomassa suficiente para cobrir um quarto de seu consumo de petróleo, mas a opção pelas matérias-primas renováveis ainda não é economicamente vantajosa.

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Para muitos, ápice da extração de petróleo já foi atingidoFoto: AP

Não há matéria-prima da qual o mundo industrializado seja tão dependente quanto o petróleo. Essa situação não vai mudar tão cedo, apesar de todos saberem que as reservas do "ouro negro" não são infinitas.

Há anos, os especialistas especulam sobre o chamado "pico do petróleo", o ponto máximo de extração a partir do qual a produção necessariamente começará a declinar. Segundo alguns prognósticos, esse ápice deverá ser atingido em torno do ano 2030, dependendo do grau de elevação do consumo.

Na Alemanha, o Departamento Federal de Ciências Geológicas e Matérias-Primas (BGR) parte do pressuposto de que o petróleo convencional não estará disponível por muito tempo na quantidade em que é consumido hoje. Os cientistas do BGR preveem que daqui a dez anos, no máximo, deverá se atingir o ponto máximo da extração de petróleo em todo o mundo. Outros especialistas, por sua vez, já consideram esse nível há muito superado.

País comportaria ampliação do cultivo de biocombustíveis

Na Alemanha, as plantas a serem utilizadas na produção de petróleo vegetal poderiam cobrir 12% da demanda de combustível até 2020. Isso é o que preveem a Agência de Energias Renováveis, uma organização que alerta para a urgência dessa problemática, e a Federação Energia Renovável, associação integrada por todas as organizações alemãs do setor. Acrescendo-se a isso a biomassa vegetal importada, a Alemanha poderia cobrir um quarto de sua demanda de petróleo por meio de matérias-primas renováveis.

O potencial é imenso, garante Andreas Schütte, diretor da Agência Matérias-Primas Renováveis: "Atualmente, as matérias-primas renováveis perfazem 18% da agricultura alemã. Seu cultivo ocupa 2,1 milhões de hectares. No futuro, poderemos ampliar o plantio para 4 milhões de hectares, sem ter que restringir a produção de alimentos e rações animais na Alemanha. Além disso, ainda dispomos de 5 milhões de hectares de superfícies verdes, dos quais poderemos aproveitar 1 milhão".

Baixas do petróleo desfavorecem energias renováveis

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Campo de colza em DuisburgFoto: AP

A opção dos agricultores pelo plantio de alimentos ou de colza, uma planta adequada à produção de biocombustível, é determinada pelo preço de mercado. O fato de o combustível fóssil ser hoje mais barato que as matérias-primas agrícolas acaba freando o desenvolvimento das energias renováveis.

Mas, segundo cálculos da Agência Internacional de Energia, o preço do petróleo bruto deverá aumentar para 190 dólares o barril até 2030.

De acordo com uma previsão da Federação Energia Renovável, em dez anos a Alemanha poderia produzir biomassa suficiente para compensar a energia liberada por 22 milhões de toneladas de petróleo bruto. Hoje a bioenergia já representa 70% da energia extraída de fontes renováveis na Alemanha.

Além disso, a eficiência também poderia ser otimizada por meio da reutilização do material obtido das plantas. "Se uma substância à base de matérias-primas renováveis for empregada na produção de autopeças ou de embalagens, por exemplo, mesmo se ela não for reciclável, poderá ser reaproveitada por via térmica e gerar mais energia", explica Schütte.

Autora: Verena Kemna (sl)
Revisão: Alexandre Schossler