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Alemanha teme atos de extrema esquerda após ataques em Hanau

22 de fevereiro de 2020

Forças de segurança se preparam para possíveis ações de represália contra grupos de extrema direita, diz mídia alemã. Agentes acham provável que radicais lancem atentados contra membros do partido populista AfD.

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Passeata de pessoas de negro com capuz e escondendo o rosto com máscaras
Black blocs em passeata na Alemanha: polícia se prepara para violência de radicais de esquerdaFoto: picture-alliance/imageBROKER/C. Mang

As forças de segurança na Alemanha estão se preparando para possíveis atos de represália depois dos atentados em Hanau, informou neste sábado (22/02) um dos maiores veículos de comunicação do país.

Reportagem de veículos do grupo alemão de mídia Funke revelou que agentes envolvidos em investigação sobre terrorismo acreditam ser provável que extremistas de esquerda lancem atos de protesto contra a extrema direita, assim como ataques a representantes do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), acusado de incitar atos de ódio no país.

Investigadores dizem que, embora não haja ameaça específica de represálias a partir de círculos radicais islâmicos do país, essa possibilidade também não pode ser descartada.

Na noite de quarta-feira, nove pessoas foram mortas num ataque a tiros contra dois bares de narguilé em Hanau, cidade perto de Frankfurt. Todas as vítimas tinham origem estrangeira. Cinco dos mortos eram turcos, um era búlgaro e um outro era da Bósnia e Herzegovina. Também há cidadãos alemães entre os mortos. Mais seis pessoas foram feridas.

Mais tarde, o suposto atirador, um alemão de 43 anos, foi encontrado morto em sua casa, juntamente com sua mãe, de 72 anos. Segundo os investigadores, ele matou a mãe e cometeu suicídio.

A polícia também encontrou uma carta do suspeito assumindo a autoria dos atentados e defendendo posições extremistas da direita e claramente racistas, além de um vídeo discutindo teorias da conspiração.

A segurança também está sendo intensificada em estações de trem, aeroportos e mesquitas da Alemanha, para evitar outros possíveis ataques de extrema direita.

A ministra alemã da Justiça, Christine Lambrecht, afirmou que a violência de extrema direita é atualmente o principal perigo para a democracia alemã.

Enquanto isso, políticos alemães propõem a realização obrigatória de avaliações psicológicas para proprietários de armas.

"Depois da violência em Hanau, precisamos avaliar com muita seriedade se precisamos reajustar novamente a lei sobre armas", disse Helge Lindh, especialista em assuntos internos do Partido Social-Democrata (SPD), ao jornal Die Welt. "Caso fique claro que as autoridades não conseguem examinar suficientemente a adequação psicológica ou pessoal dos proprietários de armas, devemos reformar a lei nesse sentido."

Irene Mihalic, deputada do Partido Verde, disse ao Die Welt que também é a favor de uma reforma da legislação alemã sobre controle de armas. "Se for verdade que (o suposto atirador de Hanau) Tobias R. havia sido examinado recentemente por conta de seu porte de armas, isso logicamente não é um bom indicativo para as avaliações no setor", afirmou a política. "Então, fica a questão sobre se o atual sistema realmente funciona e se não seria melhor haver frequentes avaliações psicológicas obrigatórias."

Na edição deste sábado do jornal Bild, o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, também se disse a favor de testes psicológicos adicionais, na forma de uma "avaliação médica ou confirmação médica", para os portadores de licenças de armas de fogo. Segundo ele, é preciso garantir "que tudo está em ordem e que a instabilidade mental de uma pessoa não se torna um perigo para o público em geral".

Holger Münch, presidente do Departamento Federal de Investigações Criminais (BKA), disse que a ameaça de pessoas com transtornos mentais aumentou nos últimos anos, já que elas se apegam a ideias frequentemente disseminadas pela internet e se tornam violentas. "O fato de que há pessoas com problemas mentais na sociedade não é novidade'', sublinhou. "Mas o fato de existirem pessoas com doenças mentais com uma visão de mundo que as torna um risco para atos graves de violência já é algo diferente."

MD/afp/rtr/ap

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