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Amor e bruxaria: as festas de 1º de maio

Augusto Valente30 de abril de 2004

Na Alemanha, o início do quinto mês representa bem mais do que o Dia do Trabalho, passeatas e feriado.

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A hora das bruxasFoto: AP

Na noite de 30 de abril para 1º de maio, as bruxas encontram-se com o seu senhor, o diabo. Seus meios de transporte são vassouras, pás de forno, bodes. Durante as cavalgadas, elas lançam mau olhado sobre seres humanos e animais. Entre os antídotos possíveis: cruzar duas vassouras na entrada do estábulo, pendurar sobre a porta principal um punhado de visco, cardos e outras "ervas de bruxas", etc.

Trata-se da "Noite de Valpúrgis", definitivamente consagrada por Goethe em sua tragédia Fausto. Atualmente, há um verdadeiro culto em torno da região montanhosa do Harz, alvo preferencial tanto dos "servidores de satã", quanto de magos bem mais benévolos. Lá se organizam nesta data inúmeras excursões, encontros e seminários, sempre sob o signo da mãe natureza e das forças ocultas.

Tradições milenares –

Este e muitos outros mitos colorem vivamente o 1º de maio na Alemanha. Afinal, é a época em que a primavera começa a exibir as suas cores mais exuberantes, época das primeiras colheitas e, naturalmente, do amor. Pois é fato científico que o acréscimo de claridade, graças aos dias mais longos e ao tempo ameno, causa grandes mudanças hormonais, aumentando sensivelmente não só o bom humor como também a libido. E as mornas noites de maio são famosas...

Maibaum
Árvore de Maio é decorada com fitas e instalada na praça centralFoto: Illuscope

Também originária de rituais de fertilidade e carregada de simbologia é a Maibaum, ou Árvore de Maio, que preside a "dança maio adentro", com que se dá boas vindas ao mês benfazejo. Eckehart Spengler, perito nos ritos de maio, explica que, na origem, as manifestações se dirigiam a Maia, deusa romana da fertilidade. Assim, entre a Páscoa e Pentecostes era uso saudar a primavera com cantos e instalar na praça central a Árvore de Maio, representando a Árvore da Vida.

Não é de espantar que até hoje se cultivem, até mesmo nas grandes cidades, rituais ligados ao acasalamento, em parte com origens comprovadas na pré-história. Derivado da Festa das Noivas de Maio, na Idade Média, persiste ainda o costume de depositar um galho decorado, tradicionalmente de bétula, diante da janela da amada: se ele florescer, este amor tem chances, se não... Bem, no próximo ano, maio estará seguramente de volta.