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Após invasão do Capitólio, Trump promete transição ordenada

8 de janeiro de 2021

Sob pressão, presidente dos EUA adota tom conciliatório, reconhece fim de seu mandato pela primeira vez e condena tardiamente invasão do Congresso. Policial morre em razão de ferimentos sofridos no incidente.

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Em mensagem de vídeo, presidente dos EUA, Donald Trump, admite fim de seu mandato na Casa Branca
"A todos os meus apoiadores, quero que saibam que nossa incrível jornada está apenas começando", disse TrumpFoto: Donald J. Trump via Twitter/REUTERS

Depois de dois meses de tentativas de reverter sua derrota nas eleições presidenciais de novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente reconheceu que sua presidência chega ao fim e prometeu uma transição de poder "suave, ordenada e harmoniosa".

Em um vídeo postado em seu perfil no Twitter nesta quinta-feira (08/01), o presidente em fim de mandato também condenou o ataque ao Capitólio  durante a confirmação pelo Congresso da vitória de Joe Biden nas eleições, e disse que seus apoiadores radicais que cometeram crimes "pagarão por isso".

Trump reconhece derrota pela primeira vez

A condenação de Trump à invasão do Congresso veio depois de intensa pressão por parte de parlamentares e após muitos, dentro e fora do país, responsabilizarem o presidente pelo ocorrido. 

"Esse momento exige recuperação e reconciliação", disse Trump no vídeo, poucas horas depois de o Twitter remover uma suspensão temporária de seu perfil  em razão do tom incendiário das mensagens postadas pelo presidente no dia anterior, após a invasão do Capitólio por seus apoiadores, quando utilizou a plataforma para repetir alegações sem provas de fraudes nas eleições.

"Acabamos de passar por eleições intensas, as emoções estão elevadas, mas agora, os ânimos devem ser esfriados, e a calma, restaurada", disse o mandatário. "Um novo governo tomará posse no dia 20 de janeiro", observou, ao ressaltar a intenção de promover uma transição de poder sem sobressaltos.

"Lutei para defender a democracia americana"

“Minha campanha buscou vigorosamente todas as vias legais para contestar o resultado das eleições. Meu único objetivo era assegurar a integridade dos votos. Ao fazê-lo, eu estava lutando para defender a democracia americana", disse Trump, para justificar as várias tentativas de sua equipe de comprovar na Justiça suas alegações de fraude.   

"Ser seu presidente foi a maior honra de minha vida", disse Trump, ao concluir sua mensagem. "A todos os meus maravilhosos apoiadores, sei que estão decepcionados, mas quero que saibam que nossa incrível jornada está apenas começando."

O tom de reconciliação adotado por Trump veio depois da intensificação dos pedidos para sua remoção imediata da presidência, mesmo a poucos dias do final de seu mandato. Lideranças do Partido Democrata temem que o presidente possa causar novos estragos se permanecer o cargo mais alto do país pelas próximas duas semanas.

Policial se torna 5ª vítima fatal da invasão

As críticas ao presidente se intensificaram após a confirmação da quinta vítima da invasão do Congresso. A polícia do Capitólio informou que o policial Brian Sicknick morreu em consequência de ferimentos sofridos durante confrontos com os invasores. Outras quatro pessoas também perderam suas vidas no incidente, incluindo uma mulher que foi baleada pela polícia e três pessoas em decorrência de emergências médicas.  

Os eventos em Washington levaram alguns membros do alto escalão do governo a renunciar, a poucos dias do fim do governo Trump, mais notadamente, as secretárias dos Transportes, Elaine Chao – esposa do líder republicano no Senado, Mitch McConnel – e da Educação, Betsy DeVos, que afirmou em sua carta de demissão que o comportamento de Trump era inadmissível.

Biden evitou comentar sobre um possível afastamento do presidente, mas o acusou de promover um "ataque direto às instituições de nossa democracia". “Foi um dos dias mais obscuros da história de nossa nação", disse o presidente eleito.

RC/afp/efe/rtr