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Escândalo financeiro

Agências (ca)15 de dezembro de 2008

Santander e HSBC estão entre os bancos europeus mais prejudicados devido às operações fraudulentas de pirâmide financeira do investidor nova-iorquino Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa de tecnologia Nasdaq.

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Santander e HSBC podem ter perdido mais de 3 bilhões de eurosFoto: DW-Montage/dpa

Diversos bancos europeus foram vítimas da fraude bilionária provocada por operações fraudulentas do investidor nova-iorquino Bernard Madoff. Entre os mais atingidos estão o Santander, o HSBC e o Royal Bank of Scotland (RBS), além de diversas instituições financeiras francesas.

Segundo informações da polícia federal norte-americana, FBI, o ex-presidente da Nasdaq é acusado de praticar um imenso esquema de pirâmide financeira através de sua empresa de consultoria.

O próprio Madoff confessou ter perdido cerca de 50 bilhões de dólares na fraude, também conhecida como "esquema de Ponzi": os altos lucros prometidos a clientes que haviam colocado seu dinheiro nas mãos do investidor eram pagos com o dinheiro de novos clientes, sem que houvesse ganhos reais.

O investidor de 70 anos, ex-presidente da bolsa de tecnologia Nasdaq, foi preso na última quinta-feira (11/12) em Nova York, mas libertado sob fiança de 10 milhões de dólares. Se for condenado, Madoff poderá pegar até 20 anos de prisão.

Grandes vítimas

Bernard L. Madoff Investment Securities
Bernard L. Madoff confessou operação criminosaFoto: AP

O Santander foi, até agora, o banco europeu mais prejudicado pela operação fraudulenta do investidor nova-iorquino. A maior instituição bancária espanhola anunciou na noite de domingo (14/12) que os clientes da Optimal Strategic, divisão de fundos de hedge que pertence ao Santander, podem ter perdido até 2,33 bilhões de euros no esquema montado por Madoff. Cerca de 17 milhões de euros de fundos do próprio banco teriam sido investidos em produtos de Madoff.

Além dos grandes bancos britânicos HSBC e RBS, pelo menos duas grandes instituições financeiras francesas e uma italiana estão entre as grandes vítimas do esquema fraudulento. Autoridades reguladoras alemãs afirmaram que, até agora, não se conhece a participação de bancos alemães no sistema de Madoff.

Do Reino Unido à Itália

A edição do jornal Financial Times desta segunda-feira (15/12) informou que o rombo no HSBC poderia chegar a 1 bilhão de euros. Segundo o jornal, as perdas do HSBC seriam originárias de empréstimos que o banco fez a clientes internacionais que queriam investir em Madoff. Por sua vez, o Royal Bank of Scotland estima suas perdas em torno de 446 milhões de euros.

O francês Natixis declarou que poderia ter perdido até 450 milhões de euros. Os clientes do maior banco francês, o BNP Paribas, perderam até 350 milhões de euros e o segundo maior banco italiano, o UniCredit, foi prejudicado em 75 milhões de euros.

Queda do dólar

O caso Madoff, no entanto, não se restringe somente ao mundo das finanças. A fundação norte-americana Robert I. Lappin, que financia programas educacionais em Israel, perdeu todo o seu patrimônio. A sociedade financeira Sterling Equities, proprietário da equipe de basebol New York Mets, também foi prejudicada.

Além da crescente diferença da taxa de juros, de fatores técnicos e de dados negativos da conjuntura norte-americana, o analista de divisas do Dresdner Bank, Michael Klawitter, relacionou a atual queda do dólar em relação ao euro também com a fraude em Wall Street. "O escândalo Madoff não ajudou a aumentar a confiança no sistema norte-americano", explicou Klawitter.

Falhas no sistema

Enquanto as potenciais perdas provocadas por Madoff ainda são avaliadas, autoridades reguladoras norte-americanas estão cada vez mais na mira de críticos que vêem uma "falha sistemática" em combater o esquema fraudulento.

"É impressionante que esta fraude evidente tenha continuado por tanto tempo, provavelmente por décadas, enquanto clientes continuaram a investir de boa fé mais dinheiro nos fundos de Madoff", declarou a empresa britânica de investimentos Bramdean Alternatives que aplicou cerca de 23,3 milhões de euros na firma de Madoff. O caso levantaria "questões fundamentais" sobre o sistema regulador norte-americano, afirmou o fundo de investimentos britânico.