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Bombardeios revelam degradação das relações entre Turquia e Síria

8 de outubro de 2012

Os ânimos entre Síria e Turquia têm piorado continuamente desde o início da violência no território sírio, há 18 meses. Mas Ankara e Damasco têm suas próprias razões para não começar uma guerra.

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A Turkish soldier takes position in the southern border town of Akcakale on October 4, 2012. Turkish artillery hit targets near Syria's Tel Abyad border town for a second day on Thursday, killing several Syrian soldiers according to activists and security sources, after a mortar bomb fired from the area killed five Turkish civilians. Turkey's government said 'aggressive action' against its territory by Syria's military had become a serious threat to its national security and sought parliamentary approval for the deployment of Turkish troops beyond its borders. AFP PHOTO/BULENT KILIC (Photo credit should read BULENT KILIC/AFP/GettyImages)
Syrien Türkei Akcakale SoldatenFoto: Bulent Kilic/AFP/GettyImages

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, e o presidente sírio, Bashar Assad, já compartilharam a reputação de serem os arquitetos de uma nova parceria Turquia-Síria. Membros das famílias dos dois líderes chegaram a sair de férias juntos. Mas a relação se deteriorou no último ano e meio, desde que Assad passou a atacar os protestos, inicialmente pacíficos, contra seu regime. O governo turco se manifestou publicamente a favor das forças de oposição na Síria.

"Eles querem mostrar que estão do lado certo da história – diga-se, ao lado da rebelião", disse Volker Perthes, diretor do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança. "Eles querem ajudar a oposição, mas não querem se envolver em uma guerra".

As consequências de um conflito com a Síria seriam difíceis de calcular. A Turquia enfrenta dois inimigos em sua fronteira: o exército sírio e o Partido Trabalhista do Curdistão (PKK). Os curdos, frequentemente chamados de maior povo sem uma nação própria, estão baseados principalmente na Turquia, Iraque e Síria. Por quase três décadas, o PKK luta por um Estado próprio – ou ao menos por autonomia – com ataques e bombardeios geralmente dirigidos a alvos turcos.

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Erdogan diz não querer começar uma guerra com a SíriaFoto: REUTERS

Em 1990, Damasco apoiou o PKK e deu ao grupo um porto seguro em território sírio em parte por causa das boas relações da Turquia com Israel à época. Durante a Guerra Fria, Israel e Turquia eram considerados países pró-Ocidente, enquanto a Síria mantinha relações com a União Soviética.

Com o fim da Guerra Fria, as diferenças entre Turquia e a Síria diminuíram. Em 2002, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, islâmico) ascendeu ao poder com a liderança de Erdogan e trabalhou para expandir sua influência no mundo árabe – tanto para aumentar a importância geopolítica do país como para garantir um mercado mais abrangente para as exportações de uma economia turca em crescimento. As boas relações com a vizinha Síria tiveram papel importante nos planos turcos. A Turquia também mediou uma negociação de paz entre Síria e Israel.

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Turquia permite que forças de oposição utilizem região fronteiriça, ao sul do país, para receber armas

O inimigo do meu inimigo

As negociações de paz foram interrompidas por causa do conflito na Faixa de Gaza em 2009. As relações Turquia-Israel pioraram drasticamente, e a Turquia começou a dar mais importância para as relações com países muçulmanos, o que aproximou Ancara e Damasco.

Mas a aliança política não durou e, nos últimos meses, se tornou até hostil. O exército sírio reduziu sua presença no nordeste do país, onde muitos curdos estão assentados. A região tem crescente influência do Partido da União Democrática Curda (PYD), ramificação síria do PKK. O partido anunciou recentemente que não enfrentaria tropas turcas na região, mas alguns observadores dizem que o PYD está trabalhando com o regime de Assad – algo que a Turquia gostaria de barrar.

Mas Ancara não pretende entrar em Guerra com a Síria.

"A Turquia gostaria de ver o regime de Assad removido do poder por uma oposição onde ela teria muito mais influência", afirma Perthes. "Entretanto, eles não querem ser os fiadores de um novo governo."

Em vez disso, a Turquia permite que a oposição na Síria planeje e consiga armas e suprimentos na região fronteiriça.

De seu lado, Assad também não tem interesse em uma guerra com a Turquia. "Isso aceleraria a queda do regime", disse Perthes.

Autor: Andreas Illmer (ro)
Revisão: Francis França