"Brasília foi um tropeço histórico", diz Paulo Mendes da Rocha

Em entrevista, arquiteto premiado na Bienal de Veneza afirma que tirar o título de capital do Rio de Janeiro foi erro político muito forte. "Isso não tem nada que ver com a obra do Niemeyer, que é altamente criativa."

"Um desafiador não conformista e, ao mesmo tempo, um realista apaixonado. O atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade." Com essas palavras, o comitê da Bienal de Arquitetura de Veneza anunciou o Leão de Ouro para Paulo Mendes da Rocha pelo conjunto de sua obra.

Para o arquiteto, receber o Leão de Ouro é uma homenagem extraordinária. "É o mais sedutor, o mais erótico prêmio de arquitetura que possa existir", afirmou. Mendes da Rocha é o segundo arquiteto brasileiro a receber o Leão de Ouro. Antes dele, só Oscar Niemeyer, há vinte anos, foi laureado no evento.

Mendes da Rocha defende uma arquitetura simples e social e afirma que a política é a questão central da arquitetura e da cidade contemporânea. Questionado sobre o que faria se um dia tivesse a possibilidade de reconstruir Brasília, ele é enfático: "Eu não teria feito Brasília."

Para ele, comunicar a uma cidade como o Rio de Janeiro que "aqui não é mais a capital" é um erro muito forte do ponto de vista político. "É como se, na Itália, dissessem: agora Roma não é mais a capital. Não faz nenhum sentido. É um tropeço histórico. Não tem nada que ver com a obra do Niemeyer, que é altamente criativa. É a decisão política que, na minha opinião, é errada."

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Para ele, a construção de outras cidades teria sido muito mais útil na época: "A navegação da grande rede hidroviária do Brasil e as ligações necessárias e fáceis de imaginar entre o Atlântico e o Pacífico obrigariam à construção de inúmeras cidades com uma utilidade mais interessante do que aquilo que já estava feito, que era a capital no Rio de Janeiro".

Arquitetura brasileira nos dias atuais

O tema da Bienal de Arquitetura de Veneza 2016, "Reporting from the front" (Notícias do front, em tradução livre), inspirou o arquiteto ao comentar a situação da arquitetura brasileira. Segundo ele, ela está na mesma situação: "Precisando de boas notícias do front".

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Camarote.21 | 01.06.2016

Entrevista com Paulo Mendes da Rocha

Para Mendes da Rocha, o desenvolvimento sustentável não é um obstáculo para a arquitetura. "A sustentabilidade deve ser entendida não como uma intocabilidade, mas como uma transformação virtuosa. Para lembrar, o Tâmisa, em Londres, não é o rio original, o Sena, em Paris, também não. Foram transformados para frequentar o espaço da cidade", comenta.

Nascido em 1928, Mendes Rocha pertence à geração de arquitetos modernistas liderado por Vilanova Artigas, da Escola Paulista. O movimento, também chamado de arquitetura brutalista, teve início na década de 1950 e se caracteriza, entre outras coisas, pela adoção de concreto armado aparente e valorização da estrutura.

Entre os principais projetos de Mendes da Rocha estão o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Edifício Guaimbê, o Museu Brasileiro da Escultura, o Museu da Língua Portuguesa e a reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Por este último, o arquiteto recebeu, em 2001, o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina.

Em 2006, Paulo Mendes da Rocha se tornou o segundo brasileiro a receber o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Oscar Niemeyer foi laureado em 1988.

Esse edifício lhe trouxe fama: em 2001 foi inaugurado o Museu Judaico de Berlim, que hoje se tornou um cartão-postal da cidade. Um prédio revestido de zinco com planta em ziguezague. Só quem conhece Libeskind reconhece aqui a Estrela de Davi desconstruída. Mas o tema é claro: o diálogo com a ruptura, com a lacuna que o Holocausto deixou na comunidade judaico-alemã.

Na britânica Manchester, Libeskind projetou uma filial do Museu Imperial da Guerra de Londres, que foi concebido ainda durante a Primeira Guerra Mundial como um órgão de propaganda do governo do Reino Unido. O Museu Imperial da Guerra Norte foi aberto em 2002, sendo um dos cinco postos avançados da instituição original de Londres.

"Um desafiador não conformista e, ao mesmo tempo, um realista apaixonado. O atributo mais marcante de sua arquitetura é a atemporalidade." Com essas palavras, o comitê da Bienal de Arquitetura de Veneza anunciou o Leão de Ouro para Paulo Mendes da Rocha pelo conjunto de sua obra.

Para o arquiteto, receber o Leão de Ouro é uma homenagem extraordinária. "É o mais sedutor, o mais erótico prêmio de arquitetura que possa existir", afirmou. Mendes da Rocha é o segundo arquiteto brasileiro a receber o Leão de Ouro. Antes dele, só Oscar Niemeyer, há vinte anos, foi laureado no evento.

Mendes da Rocha defende uma arquitetura simples e social e afirma que a política é a questão central da arquitetura e da cidade contemporânea. Questionado sobre o que faria se um dia tivesse a possibilidade de reconstruir Brasília, ele é enfático: "Eu não teria feito Brasília."

Para ele, comunicar a uma cidade como o Rio de Janeiro que "aqui não é mais a capital" é um erro muito forte do ponto de vista político. "É como se, na Itália, dissessem: agora Roma não é mais a capital. Não faz nenhum sentido. É um tropeço histórico. Não tem nada que ver com a obra do Niemeyer, que é altamente criativa. É a decisão política que, na minha opinião, é errada."

Para ele, a construção de outras cidades teria sido muito mais útil na época: "A navegação da grande rede hidroviária do Brasil e as ligações necessárias e fáceis de imaginar entre o Atlântico e o Pacífico obrigariam à construção de inúmeras cidades com uma utilidade mais interessante do que aquilo que já estava feito, que era a capital no Rio de Janeiro".

Arquitetura brasileira nos dias atuais

O tema da Bienal de Arquitetura de Veneza 2016, "Reporting from the front" (Notícias do front, em tradução livre), inspirou o arquiteto ao comentar a situação da arquitetura brasileira. Segundo ele, ela está na mesma situação: "Precisando de boas notícias do front".

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Ao vivo agora
04:38 min
Camarote.21 | 01.06.2016

Entrevista com Paulo Mendes da Rocha

Para Mendes da Rocha, o desenvolvimento sustentável não é um obstáculo para a arquitetura. "A sustentabilidade deve ser entendida não como uma intocabilidade, mas como uma transformação virtuosa. Para lembrar, o Tâmisa, em Londres, não é o rio original, o Sena, em Paris, também não. Foram transformados para frequentar o espaço da cidade", comenta.

Nascido em 1928, Mendes Rocha pertence à geração de arquitetos modernistas liderado por Vilanova Artigas, da Escola Paulista. O movimento, também chamado de arquitetura brutalista, teve início na década de 1950 e se caracteriza, entre outras coisas, pela adoção de concreto armado aparente e valorização da estrutura.

Entre os principais projetos de Mendes da Rocha estão o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Edifício Guaimbê, o Museu Brasileiro da Escultura, o Museu da Língua Portuguesa e a reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Por este último, o arquiteto recebeu, em 2001, o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina.

Em 2006, Paulo Mendes da Rocha se tornou o segundo brasileiro a receber o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Oscar Niemeyer foi laureado em 1988.

Aos 87 anos, e em plena atividade, o mais novo projeto de Mendes da Rocha é a reforma da entrada principal do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Museu Judaico de Berlim

Esse edifício lhe trouxe fama: em 2001 foi inaugurado o Museu Judaico de Berlim, que hoje se tornou um cartão-postal da cidade. Um prédio revestido de zinco com planta em ziguezague. Só quem conhece Libeskind reconhece aqui a Estrela de Davi desconstruída. Mas o tema é claro: o diálogo com a ruptura, com a lacuna que o Holocausto deixou na comunidade judaico-alemã.

Museu da História Militar em Dresden

Este edifício também leva a assinatura inequívoca de Libeskind e estabelece igualmente um diálogo com a história alemã. O Museu da História Militar da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) não pretende ser uma representação brilhante do Exército nacional, mas discute a violência que dele emanou no passado, confrontando o visitante com seu próprio potencial de agressão.

Ruptura com o antigo

O edifício-sede do arsenal data da segunda metade do século 19. A extensa reforma realizada por Daniel Libeskind foi inaugurada em 2011, após sete anos de obras. O prédio foi perfurado por um corpo arquitetônico em forma de cunha – um símbolo da ruptura com a representação tradicional da história e uma referência aos ataques aéreos sobre Dresden em fevereiro de 1945.

Museu Imperial da Guerra Norte

Na britânica Manchester, Libeskind projetou uma filial do Museu Imperial da Guerra de Londres, que foi concebido ainda durante a Primeira Guerra Mundial como um órgão de propaganda do governo do Reino Unido. O Museu Imperial da Guerra Norte foi aberto em 2002, sendo um dos cinco postos avançados da instituição original de Londres.

Ground Zero

Quem melhor que Libeskind para saber criar lugares em que traumas encontram sua expressão arquitetônica? O arquiteto, que vive em Nova York, também projetou um novo edifício para o trauma americano de 11/9, para o Ground Zero, o lugar onde se encontravam as Torres Gêmeas antes dos ataques terroristas de setembro de 2011. Mas da "Torre da Liberdade"...

One World Trade Center

… surgiu o One World Trade Center, que pouco lembra os projetos de Libeskind. Para tal, também contribuíram as brigas em torno do projeto e do uso e, como relatou o jornal "The New York Times", os honorários do arquiteto. De qualquer forma, foi mantido o plano diretor de Libeskind para o areal de seis hectares, onde se encontravam as Torres Gêmeas.

Mansão em Datteln

Inicialmente, o prédio foi projetado por Libeskind como uma residência exclusiva. Mas agora ele se tornou o novo edifício de exposição e recepção da companhia de produtos metálicos Rheinzink. A empresa multinacional produz zinco titânico em Datteln, no oeste da Alemanha. A visão do arquiteto foi fazer um projeto que cresce do solo como um cristal.

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