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Brasil vê renda per capita derreter em 40 anos

13 de abril de 2021

Desde 1980, país despencou do 50º para o 85º lugar em ranking global de PIB per capita. E agora, se reformas não forem feitas, década perdida pode virar meio século.

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Pessoas de máscara em rua de São Paulo
Brasileiros conseguem comprar cada dia menos com o que ganhamFoto: Cris Faga/Imago Images

À primeira vista, o Brasil tem um poder econômico impressionante. Medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) em dólares, de acordo com a paridade do poder de compra, o Brasil ocupa a 8ª posição entre as economias mundiais. Mas o quadro é completamente diferente se dividirmos o poder econômico pela população, ou seja, se forem considerados o PIB per capita e a paridade do poder de compra, sendo contabilizados também os diferentes custos de vida nos países.

De acordo com esse método, o Brasil ocupa atualmente a 85ª colocação entre 195 países do mundo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de publicar novos prognósticos, segundo as quais os brasileiros continuarão perdendo renda em relação ao resto do mundo até 2026, quando chegarão à posição 90.

O assustador dessas estatísticas, porém, é a perspectiva histórica: em 1980, o Brasil ainda ocupava o 50º lugar entre os países do mundo, segundo a renda per capita de sua população. Mas, desde então, entre sete e dez países superaram o Brasil a cada década. Há 40 anos que o Brasil vem caindo nesse ranking, que registra o que cada população tem disponível como renda.

Renda encolhe desde 2013

Os brasileiros tinham a renda comparativamente mais alta em 2013: era de, em média, US$ 15.886 no final do ano, ponderada de acordo com a paridade do poder de compra. No final de 2020, os salários haviam encolhido para US$ 15 mil. As projeções de crescimento futuro do FMI em seu último relatório estendem-se até 2026. Até lá, os brasileiros ainda não terão atingido a renda de que dispunham em 2013, dada a fraca expectativa de crescimento.

Contêineres sendo transportados no porto de Santos
Desempenho econômico brasileiro decepciona devido à falta de competitividade do país em vários setoresFoto: picture alliance/dpa/W. Rudhart

Na América Latina, Chile, México e Argentina estão acima do Brasil em termos de renda média per capita. A Colômbia também deve superar o Brasil em breve.

Em retrospecto, sempre há bons argumentos a serem encontrados para a redução da renda nos últimos 40 anos: os planos econômicos fracassados ​​e a severa recessão de 1983, perto do fim da ditadura. E mais o Plano Collor, de 1990, no qual o governo confiscou as poupanças para combater a inflação. Tudo isso gerou quedas bruscas na renda semelhantes à de agora, na pandemia, ou às ocorridas após 2010 durante a queda dos preços das commodities ou dos escândalos da Operação Lava Jato.

Desempenho decepcionante

Mas seria enganoso vincular a redução da renda da população a eventos isolados. Porque mesmo o elevado crescimento dos anos 2000, com a alta dos preços de commodities como minério e soja, não foi capaz de impedir o declínio do povo brasileiro na escala de renda global, mas apenas de desacelerá-lo. A renda do brasileiro aumentou quase 30% entre 2001 e 2010, mas oito países no mundo apresentaram aumento mais elevado no período.

As razões para o desempenho decepcionante da renda do Brasil são mais profundas – mas são bem conhecidas: é a baixa competitividade do Brasil. Isso se aplica a toda a economia, política, Judiciário, assim como à burocracia, mas também à força de trabalho, com algumas exceções.

"Não é nada de novo, não precisa perder muito tempo em reuniões e comitês, é integrar o Brasil à economia mundial, reduzir proteção comercial, fazer reformas administrativa, fiscal e tributária, investir mais, aumentar o capital humano. Já conhecemos a agenda há dez, 20 anos", afirmou Alberto Ramos, do banco de investimentos Goldman Sachs, em entrevista ao jornal Valor Econômico. "A razão de ela ser a mesma é exatamente porque não avança. E o futuro será igual ao passado se não reformar."

E o futuro não parece bom neste momento, segundo Ramos. "Se não acertar o passo, em vez de uma década, vai perder meio século."