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EsporteAlemanha

Bundesliga 2 – a força e a fraqueza da Segundona

27 de julho de 2021

A segunda divisão alemã nunca esteve tão recheada de clubes tradicionais. Muitas vezes o fraquejo de ex-grandes diante do peso emocional e financeiro do campeonato abre a porta para pequenos darem o salto rumo à elite.

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FC St. Pauli
O St. Pauli, arquirrival do Hamburgo, é candidato forte a azarão da Bundesliga 2Foto: Axel Heimken/dpa/picture alliance

Os números não mentem, e a Bundesliga 2 nunca esteve tão recheada de clubes tradicionais como desta vez, fazendo jus à fama de ser a melhor Segundona do futebol europeu. Parte da mídia esportiva infla ainda mais o balão e considera que essa Liga 2 pode ser considerada até uma das melhores do mundo. Exageros à parte, as camisas que aparecem na lista do campeonato merecem respeito.

Dos 18 times, 11 já levantaram ao menos uma vez a salva de prata – símbolo da conquista do título de campeão alemão. São ao todo 43 títulos. Desses, 12 são conquistas de três clubes da DDR (Hansa Rostock, Dynamo Dresden e Erzgebirge Aue).

Se for levado em consideração o número de sócios-torcedores, oito clubes da assim chamada segunda classe figuram nesse quesito entre as 18 maiores agremiações. O Schalke 04, por exemplo, com 158 mil associados está em terceiro lugar nessa tabela. O Hamburgo não fica muito atrás – está no sétimo posto, com 85.360 sócios.            

A tabela eterna da Bundesliga, que leva em consideração os pontos acumulados em todos os jogos oficiais disputados na Bundesliga 1 por determinado clube desde 1963, coloca três times da Segundona entre os primeiros sete: Werder Bremen (3º), Schalke (7º) e Hamburgo (4º). Só que, infelizmente, glórias passadas não enchem a barriga de ninguém. Especialmente esses três clubes, apesar de favoritos à volta por cima, sabem que a Bundesliga 2 não é um passeio no parque. O Hamburgo que o diga. Rebaixado em 2018, fracassou em três tentativas consecutivas de voltar à elite e encara agora sua quarta temporada na segunda divisão.

O jornal Zeit pontua apropriadamente: "Do ponto de vista nome, camisa e tradição, a classe de baixo não fica devendo nada à classe de cima, a não ser pelos aspectos econômico-financeiros. As diferenças são brutais. O Colônia teve motivos de sobra para festejar sua salvação tardia na repescagem diante do Holstein Kiel na temporada passada."

Dos 1,1 bilhão de euros pagos pela TV à Liga Alemã de Futebol (DFL), apenas pouco mais de 200 milhões de euros serão destinado aos 18 clubes da segunda divisão. Acrescentem-se os prejuízos passados e futuros por conta da total ou parcial ausência de público nos estádios, e as contas acabam não fechando. Especialmente para clubes que não contam com patrocinadores de porte, arenas lotadas representam um fator significativo para sua própria sobrevivência.

Pelo menos até 11 de setembro do ano em curso, o máximo permitido de torcedores pelas autoridades sanitárias é de 50% da capacidade dos estádios, mas com uma ressalva importante: em números absolutos o limite é de 25 mil pessoas.

Consequentemente, os clubes continuarão mergulhados em incertezas sobre o volume de vendas de ingressos, porque não é dada como certa a volta maciça da massa torcedora aos estádios alemães por conta da pandemia e seu eventual desdobramento com novas variantes.

Particularmente sobre os ombros dos três grandes favoritos aos primeiros postos na Segundona pesam dívidas consideráveis a serem saldadas a curto e médio prazo. O Schalke tem uma dívida acumulada de 217 milhões de euros, o Werder Bremen precisa saldar 75 milhões, e a dívida do Hamburgo soma 68 milhões.

Se de um lado, clássicos envolvendo diretamente ex-grandes da primeira divisão deixam a Segundona mais atraente e talvez até mais competitiva do que o campeonato do andar de cima, de outro lado, o desgaste físico e emocional de um time não habituado ao futebol praticado na Bundesliga 2 pode causar efeitos colaterais indesejados.

O Hamburgo conhece bem esse drama. Rebaixado pela primeira vez em 2018, na hora H negou fogo em jogos decisivos nas últimas rodadas e deixou escapar por pouco seu retorno ao futebol de elite nas três temporadas que disputou na segunda divisão - e isso sempre ao final da campanha.

O fraquejo de ex-grandes, como o Hamburgo e outros times tradicionais, abre a porta para pequenos darem o salto rumo à elite. Foi o que aconteceu com o Union Berlin em 2019 ao desbancar o clube hamburguês. Na última temporada, novamente dois clubes pequenos (Bochum e Greuther Fürth) venceram a corrida rumo à prateleira de cima, deixando clubes tradicionais, como Hannover, Nurembergue e o próprio Hamburgo, a ver navios.

As casas de aposta já estão aceitando palpites para indicar o próximo azarão da Bundesliga 2. Dizem que o St. Pauli, arquirrival do Hamburgo, é candidato forte. 

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Atuou nos canais ESPN como especialista em futebol alemão de 2002 a 2020, quando passou a comentar os jogos da Bundesliga para a OneFootball de Berlim. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit é publicada às terças-feiras.