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Cuba publica texto final da nova Constituição

6 de janeiro de 2019

Aprovado pelo parlamento, documento será submetido à população em referendo. Nova Carta mantém o país comunista, mas reconhece o papel do mercado e a propriedade privada. Presidente não ficará mais de 10 anos no cargo.

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Capitólio, em Havana, capital de Cuba
O parlamento cubano aprovou a versão final da nova Constituição em dezembroFoto: Reuters/Stringer

O governo de Cuba publicou o texto final da nova Constituição do país, que contempla importantes mudanças sociais e econômicas. O documento poderá agora ser consultado pela população antes do referendo previsto para o próximo dia 24 de fevereiro.

A minuta, que busca atualizar a Carta Magna vigente, de 1976, foi divulgada neste sábado (05/01), duas semanas após ter sido aprovada por unanimidade no parlamento cubano.

A versão digital está disponível para download em sites oficiais do governo, como o portal Cubadebate e o jornal Granma, do governante Partido Comunista de Cuba.

O texto será disponibilizado também em formato físico, como aconteceu com a primeira minuta, discutida em processo de consulta popular antes de ser levada ao parlamento. Na ocasião, votaram mais de sete milhões de cubanos, incluindo pela primeira vez a comunidade emigrante.

Segundo o governo, o novo documento terá 16 páginas em formato de tabloide, e será vendido a partir da próxima semana pelos correios pelo valor de 1 peso cubano (cerca de 5 centavos de dólar).

Em 22 de dezembro, o parlamento cubano aprovou o projeto final da nova Constituição, que não modifica o sistema político da ilha, mas permite uma abertura econômica limitada e adota reformas impulsionadas pelo ex-presidente Raúl Castro (2008-2018) na tentativa de fortalecer a economia enfraquecida do país.

A versão final inclui 760 emendas ao esboço proposto inicialmente pela Comissão Constitucional, liderada por Castro, o que significa que 60% desse primeiro projeto foi modificado.

O novo texto prevê que o presidente da República seja mantido no cargo somente até os 60 anos de idade, impedindo o que houve com os irmãos Fidel e Raúl Castro. O chefe de Estado terá mandato de cinco anos, com possibilidade de uma reeleição.

A nova Constituição também cria o cargo de primeiro-ministro e estabelece que as eleições de ambos os postos ficam a cargo da Assembleia Nacional. O Partido Comunista permanece sendo a única legenda reconhecida no país.

O documento esclarece ainda que o país continua sendo guiado pelos princípios comunistas – um termo que havia sido retirado da primeira versão –,  embora permita a abertura para o capital privado em situações específicas e seguindo os critérios determinados pelo governo.

Segundo o texto, há limites para o reconhecimento da propriedade privada e do enriquecimento individual. Apenas o Estado deterá a posse de terras no país.

A nova versão excluiu do esboço original as diretrizes que pavimentariam o caminho para a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, apesar da defesa de alguns setores cubanos. O parlamento determinou que seja feito outro referendo para discutir o Código da Família, que deve retomar o debate sobre o casamento gay.

A união estável entre pessoas do mesmo sexo, contudo, está garantida. O novo texto também passa a proibir qualquer tipo de discriminação por orientação sexual.

Os cubanos poderão ainda denunciar violação de direitos constitucionais cometidos pelo governo. Além disso, a Constituição estabelece a liberdade de imprensa, antes vinculada aos "fins da sociedade socialista", mas mantém a norma de que os meios de comunicação são de "propriedade socialista", nunca privados.

Em 1º de janeiro, em discurso pelo aniversário de 60 anos da Revolução Cubana, o ex-presidente Raúl Castro, líder do Partido Comunista até 2021, disse estar convencido de que a reforma constitucional obterá "apoio majoritário" dos cubanos no referendo em 24 de fevereiro.

EK/abr/efe/ots

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