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Descobertos dentes que podem reescrever história humana

Alistair Walsh pv
19 de outubro de 2017

Arqueólogos alemães encontram dentes de primatas de 9,7 milhões de anos em antigo leito do rio Reno. Fósseis parecem pertencer a uma espécie que se acreditava ter surgido na África milhões de anos depois.

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Dente fossilizado encontrado na Alemanha
Os dentes são semelhantes aos dos célebres esqueletos de Lucy e ArdiFoto: picture-alliance/dpa/Naturhistorischen Museum Mainz

Uma equipe de arqueólogos alemães descobriu um conjunto intrigante de dentes, de 9,7 milhões de anos de idade, num antigo leito do rio Reno, anunciou nesta semana o Museu de História Natural de Mainz, no oeste da Alemanha.

Os dentes não parecem pertencer a nenhuma espécie descoberta na Europa ou na Ásia. Eles se assemelham mais àqueles pertencentes aos esqueletos hominoides de Lucy (Australopithecus Afarensis) e Ardi (Ardipithecus ramidus) – descobertos em escavações na Etiópia.

No entanto, os dentes encontrados no vilarejo de Eppelsheim, a 40 quilômetros ao sul de Mainz, são pelo menos 4 milhões de anos mais velhos que os esqueletos africanos. De tão intrigados, os cientistas adiaram a publicação da descoberta por praticamente um ano. Uma equipe especializada realizará testes adicionais nos dentes.

"Grande mistério"

"Eles claramente são dentes de primatas", afirmou o chefe da equipe de arqueólogos, Herbert Lutz, ao diário local Merkurist. "Suas características se assemelham a achados africanos que são de 4 milhões a 5 milhões de anos mais novos que os fósseis escavados em Eppelsheim. Isso é uma tremenda sorte, mas também um grande mistério."

Na coletiva de imprensa na qual foi anunciada a descoberta, o prefeito de Mainz, Michael Ebling, disse que o achado forçará cientistas a reconsiderar a história dos primórdios da humanidade.

"Não quero dramatizar demais, mas gostaria de lançar a hipótese de que depois de hoje devemos começar a reescrever a história da humanidade", disse.

O arqueólogo alemão Axel von Berg afirmou a meios de comunicação ter certeza de que as descobertas receberiam muita atenção. "Isso irá impressionar especialistas", garantiu Berg ao jornal local Allgemeine Zeitung.

O primeiro artigo científico sobre a descoberta será publicado na próxima semana na rede social voltada a profissionais da área de ciência ResearchGate. Os dentes ainda estão sendo examinados em detalhe, mas a partir do fim de outubro eles serão exibidos na exposição vorZEITEN, organizada pelo estado da Renânia-Palatinado. Em seguida, segundo o diário alemão Die Welt, os dentes seguirão para o Museu de História Natural de Mainz.

Os dentes foram encontrados por arqueólogos que estavam peneirando cascalho e areia num leito pré-histórico do Reno – um curso antigo do rio mais importante da Alemanha. Os primeiros fósseis de primatas foram encontrados na região em 1820. Desde 2001, foram descobertas 25 novas espécies na área.

Os dentes foram encontrados ao lado dos restos de um gênero de equídeo (mamíferos que pertencem à família Equidae, que inclui o cavalo) extinto – o que ajudou os pesquisadores a determinar a idade dos fósseis.

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