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Bélgica

13 de junho de 2010

Separatistas da Nova Aliança Flamenga obtém vitória nas eleições na Bélgica, acirrando ainda mais as divergências entre valões e flamengos no país. Risco de cisão aumenta e preocupa UE.

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Membros do NVA comemoram resultados nas urnasFoto: AP

Nas eleições parlamentares deste domingo (13/06), a Nova Aliança Flamenga (NVA) recebeu, na região belga de Flandres, de acordo com as primeiras apurações, a maior parte dos votos (29%). Os democrata-cristãos ficaram atrás, com 17,5%. Uma vitória dos separatistas do VNA representa algo inédito na história belga.

Os resultados não surpreendem. No fim de abril deste ano, quando caiu o governo de Yves Laterme em função de uma rivalidade idiomática entre flamengos e valões, já havia ficado claro o quanto a Bélgica é um país dividido.

Os liberais flamengos deixaram o governo por não quererem mais continuar fazendo concessões linguísticas aos valões. O motivo é que cada vez mais belgas francófonos (habitantes da região da Valônia, que falam francês) começaram a habitar os subúrbios de Bruxelas, dominados até então por flamengos (oriundos de Flandres, que falam holandês).

Belgien nach den Wahlen Bart De Wever Neue flämische Allianz NVA
Bart de Wever: de olho na cisão a longo prazoFoto: AP

Os belgas flamengos temem por sua identidade. Nas ruas, ouviam-se frases que pareciam oriundas de um tempo passado: "Esse é um solo flamengo, pelo qual os flamengos lutaram. Os francófonos não têm nada que fazer aqui e, na verdade, nada o que apitar". Por parte de Olivier Maingain, presidente dos Francófonos Democráticos Federais, a intransigência flamenga era comentada com palavras não menos pesadas: "Isso é fascismo, só que sem violência".

Cisão flamenga

Mesmo que à primeira vista o conflito entre flamengos e valões se expresse através de uma briga pelo idioma de cada um, por trás das divergências entre eles escondem-se, acima de tudo, interesses econômicos. Os aproximadamente seis milhões de flamengos, que vivem predominantemente no norte do país, se dizem cansados de transferir recursos aos cerca de quatro milhões de valões do sul, relativamente mais pobres, sem receberem as devidas concessões políticas por isso.

É daí que vem a popularidade de um homem de 39 anos que defende uma cisão do país a longo prazo: Bart de Wever, líder da Nova Aliança Flamenga. Enquanto fala abertamente sobre suas metas a seus seguidores, ele tenta acalmar os ânimos de investidores estrangeiros e jornalistas. "Asseguro aos senhores que não queremos nenhuma revolução, queremos um acordo passo a passo", declarou De Wever, cuja mais nova palavra mágica não é revolução, mas sim evolução. Sua meta final, no entanto, continua sendo a independência flamenga.

"Omelete europeu"

Professor Dirk Rochtus
Dirk Rochtus, da Universidade de AntuérpiaFoto: DW

Com seu partindo representando a maior força política na região de Flandres, De Wever poderá rejeitar, mesmo assim, a incumbência de formar um governo. Pois ele teme, com razão, que na busca de um governo de coalizão, em nível federal, suas metas separatistas possam dar em nada. E o que pode acontecer, se a Bélgica algum dia se dissolver como país?

O historiador belga Dirk Rochtus, da Universidade da Antuérpia, mantém-se tranquilo: "Se a Bélgica algum dia se tornasse mais descentralizada ou até mesmo se dividisse, ainda assim estaríamos na União Europeia. Eu digo sempre: se o ovo belga quebrar, ainda seremos parte do omelete europeu", brinca Rochtus.

Saudades de Van Rompuy

A briga entre valões e flamengos já se perpetua por décadas e a dúvida se a Bélgica tem algum futuro como Estado único não surgiu ontem. No entanto, quem é que se interessa por isso fora do país? A dinamarquesa Mette Fugl, correspondente em Bruxelas, chega a uma conclusão prosaica a respeito: "Se a Bélgica não fosse sede de instituições europeias e da Otan, não iríamos nos interessar tanto pelo assunto", diz ela.

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Herman van Rompuy, à frente da UE: Bélgica sente sua faltaFoto: AP

As divergências dentro do país, no momento, são especialmente relevantes porque a Bélgica assume, no próximo 1° de julho, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. E isso em meio à maior crise política do país. Se as negociações para uma coalizão de governo se estenderem ainda por alguns meses, o que parece previsível, a presidência belga da UE estará praticamente inviabilizada.

Essa liderança poderia, contudo, ser assumida pelo atual presidente do Conselho da UE, Herman van Rompuy, ele próprio belga e ex-premiê de seu país, conhecido por sua extrema habilidade política. Muitos de seus conterrâneos lamentam profundamente sua ausência na política nacional.

SV/dw/dpa/apn

Revisão: Roselaine Wandscheer