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Oriente Médio

5 de julho de 2010

Barack Obama se encontra em Washington com premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Ministros europeus viajam neste mês à Faixa de Gaza. Mas o conflito entre palestinos e israelenses ainda está longe de se resolver.

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Bloqueio à Gaza deverá continuarFoto: AP

Os ministros do Exterior da Espanha, França e Itália irão à Faixa de Gaza em julho avaliar os planos de Israel para flexibilização do bloqueio à região, anunciou nesta segunda-feira (05/07) o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em entrevista coletiva, durante visita ao presidente sírio, Bashar Al-Assad.

No mês passado, o ministro do Exterior de Israel, Avigdor Lieberman, convidou o colega de pasta italiano, Franco Frattini, para liderar a delegação europeia à Faixa de Gaza. Segundo Zapatero, Frattini será acompanhado pelos colegas espanhol e francês, respectivamente, Miguel Ángel Moratinos e Bernard Kouchner. O ministro espanhol não indicou, todavia, a data exata da visita.

Em Roma, Frattini disse que esta acontecerá, provavelmente, em poucas semanas. O anúncio da ida dos ministros europeus ao Oriente Médio coincide com a primeira reunião de alto nível entre palestinos e israelenses, desde que iniciaram as negociações indiretas de paz, há dois meses.

Antecedendo à reunião entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente norte-americano, Barack Obama, na terça-feira em Washington, o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, encontrou-se com o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, nesta segunda-feira em Jerusalém.

Ehud Barak und Salam Fayyad
Ehud Barak e Salam Fayyad em JerusalémFoto: AP

Barak e Fayyad

Autoridades palestinas insistiram que o encontro não estaria ligado às atuais negociações indiretas de paz, mas que tratou da coordenação da segurança em terra.

Segundo declaração do Ministério da Defesa israelense, Barak e Fayyad discutiram as aberturas dentro do bloqueio à Gaza para possibilitar o fluxo crescente de bens de uso civil.

Apesar da insistência palestina de que o encontro não teve nada a ver com negociações de paz, Fayyad disse a repórteres que ele levantou o assunto das incursões do Exército israelense em cidades palestinas e apelou para que Israel pare com suas atividades de assentamento.

Diálogos diretos e indiretos

Desde 9 de maio último, o enviado especial de Barack Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, tem mediado as negociações entre palestinos e israelenses. Mitchell tenta reunir israelenses e palestinos, para que resolvam suas diferenças em torno da criação de um Estado Palestino na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

George Mitchell / Nahost / Israel / Palästinenser / USA
George Mitchell: intermediador sem sucessoFoto: AP

No entanto, os palestinos se recusam a negociar diretamente com Tel Aviv, enquanto Israel não suspender a construção de assentamentos, inclusive em Jerusalém Oriental.

Pelo lado israelense, há o desejo de Netanyahu por negociações diretas o mais rápido possível. Os palestinos, no entanto, afirmam que até agora não houve progresso suficiente nas negociações intermediadas por Mitchell que justifique a realização de encontros diretos entre as duas partes.

Em declarações a jornalistas jordanianos, divulgadas nesta segunda-feira pela imprensa local, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, indicou que "não se registraram progressos nas negociações, e a situação continua como estava antes".

Mudança de rumo

O diálogo indireto através de Mitchell deveria dar lugar em setembro a contatos diretos. Abbas disse que a Autoridade Palestina apresentou à administração norte-americana uma versão final sobre vários assuntos, como o estatuto de Jerusalém Ocidental, a delimitação das fronteiras e a situação de segurança.

"Se Netanyahu reconhecer que aqueles assuntos são negociáveis, então poderão registrar-se progressos e poderemos avançar para conversações diretas", disse Abbas. No caso de não haver qualquer progresso antes de setembro, os ministros árabes do Exterior se reunirão para decidir o caminho a seguir.

George Mitchell já visitou diversas vezes o Oriente Médio, no entanto, progressos ainda não estão à vista. Muitos palestinos tinham esperança de que o governo de Barack Obama trouxesse um novo direcionamento de Washington no Oriente Médio e um afastamento do apoio incondicional que o antecessor de Obama, Geoge W. Bush, assegurara a Israel.

Apoio de Washington

O encontro desta segunda-feira entre Fayyad e Barak serviu, principalmente, para encenar uma atmosfera de otimismo para a reunião entre Obama e Netanyahu. Em recente encontro com o soberano saudita, rei Abdullah, Barack Obama falou sobre as negociações de paz no Oriente Médio. Obama mencionou a paz na região, mas fez uma sutil distinção entre israelenses e palestinos.

Barack Obama mit Benjamin Netanyahu und Mahmoud Abbas Flash-Galerie
Barack Obama entre Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas, em 2009Foto: AP

"Nós discutimos o processo de paz no Oriente Médio e a urgência de progredir com clareza e coragem para garantir uma morada para os palestinos que possa coexistir com um Estado israelense seguro e próspero", disse Obama.

Um Estado próspero para uns, uma morada para outros. Isso explica o desejo repentino do chefe de governo israelense de conversações diretas com os palestinos, também para retirar a impressão negativa deixada por seu governo até agora.

Mas a Faixa de Gaza continuará ocupada e, depois de setembro, quando acabar o prazo estabelecido pelos norte-americanos, proibindo a construção de novos assentamentos, os israelenses continuarão de forma maciça a construir na Cisjordânia – com a tolerância implícita de Washington e outras nações ocidentais.

Autor: Peter Philipp / Carlos Albuquerque
Revisão: Augusto Valente