EUA revogarão vistos de 77 venezuelanos ligados a Maduro

Para aumentar pressão sobre Caracas, Estados Unidos impõem restrição de viagem a funcionários do regime venezuelano e parentes de Nicolás Maduro. Governo americano ameaça ainda sancionar instituições financeiras.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, afirmou nesta quarta-feira (06/03) que o governo do presidente Donald Trump revogará os vistos de 77 venezuelanos, entre eles funcionários de Nicolás Maduro e seus parentes. A nova rodada de sanções aumenta a pressão americana sobre Caracas.

"O Departamento de Estado está anunciando que os Estados Unidos revogarão 77 vistos, incluindo muitos funcionários do regime de Maduro e seus parentes", afirmou Pence durante uma reunião com empresários em Washington.  O vice acrescentou que os EUA continuarão responsabilizando o governo de Maduro "até que a liberdade seja restaurada na Venezuela".

Pence ressaltou que a Venezuela já foi uma das "mais ricas e mais vibrantes democracias" no Ocidente, mas lamentou que "sob o mandato socialista do ditador Nicolás Maduro" tenha se transformado em um dos países mais pobres, com mais de três milhões de venezuelanos que abandonaram os seus lares, segundo lembrou.

Durante o discurso, Pence destacou que os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer o líder oposicionista Juan Guaidó como o "presidente legítimo da Venezuela".  O vice disse que conheceu pessoalmente o opositor e sua esposa, Fabiana, e garantiu que ele está comprometido com a restauração da democracia na Venezuela.

Há um mês, os Estados Unidos estão restringindo vistos de venezuelanos ligados ao governo. Na semana passada, revogaram o visto de 49 venezuelanos e impuseram diversas sanções ao país, na tentativa de enfraquecer ainda mais Maduro e forçá-lo a deixar o poder.

O assessor de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, alertou nesta quarta-feira que instituições financeiras estrangeiras que colaboraram com Maduro também poderão enfrentar punições do governo Trump.

"Os Estados Unidos advertem as instituições financeiras estrangeiras que incorrerão em penalidades se se envolverem na assistência a transações ilegais beneficiando Nicolás Maduro e a sua rede corrupta", disse Bolton. "Não deixaremos Maduro roubar a riqueza do povo venezuelano", acrescentou.

No poder desde 2013, Maduro foi reeleito em maio passado em votação não reconhecida por boa parte da comunidade internacional e que não contou com a participação da oposição. O regime chavista responsabiliza os Estados Unidos, devido às sanções impostas ao país, pela crise econômica, marcada pela falta de alimentos e medicamentos. 

Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer Guaidó, que se autodeclarou presidente interino da Venezuela em 23 janeiro. A iniciativa foi seguida por mais de 50 nações.

CN/efe/rtr/ap/lusa

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