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Europeus desaprovam governo Bush

(fs)7 de setembro de 2005

Tentativa de aproximação do presidente norte-americano com o continente não convence. Europeus continuam a desaprovar a política externa de George W. Bush, segundo pesquisa.

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Europa é anti-Bush, mas não antiamericanaFoto: AP

Ele bem que tentou. Fez visitas a vários países europeus, encontrou-se com estadistas, falou sobre a importância de parcerias estratégicas. Mas os cidadãos europeus não se convenceram e a rejeição à figura do presidente George W. Bush e às ações de seu governo continua bastante alta.

A pesquisa "Tendências Transatlânticas", feita pelo German Marshall Fund, uma instituição criada há 30 anos nos Estados Unidos a partir de uma doação do governo alemão, mostra que 72% dos europeus desaprovam a política externa do governo Bush.

Italienische Soldaten in Irak
Guerra do Iraque: luta pela democracia?Foto: AP

Na Alemanha, a desconfiança em relação a Bush é ainda maior. Oitenta e três por cento dos entrevistados no país disseram desaprovar a política internacional da atual adminsitração da Casa Branca. Trata-se do segundo pior resultado, atrás somente da França, onde a rejeição ao presidente norte-americano é de 85%. Os menores índices de rejeição foram registrados em Portugal (61%), Eslováquia (59%) e Polônia (36%).

Anti-Bush ou antiamericano?

A pesquisa também levou em consideração os sentimentos da população em relação aos Estados Unidos, não somente ao governo. De uma escala de 0 a 100, a simpatia pelo país e pela população estadunidense está em 50 – um resultado praticamente estável em relação aos 51 pontos obtidos na pesquisa feita pelo German Marshall Fund em 2004.

Apesar dos números pouco animadores, o levantamento identificou que a maioria dos norte-americanos continua querendo ter laços mais próximos com a União Européia.

Os organizadores da pesquisa, realizada no último mês de julho em dez países da Europa e nos EUA, não vêem sinais de antiamericanismo entre os europeus. "Embora os números sejam mais negativos do que os norte-americanos desejariam, eles mostram que o sentimento europeu é negativo em relação à atual administração, e não aos Estados Unidos em geral", ressalta o estudo.

Nach zweiten Bombenanschlag in London
Ataque terrorista: medo nos EUAFoto: AP

A rejeição a Bush não está tanto nas políticas em si, mas na forma de impor idéias ao resto do mundo. A proposta de construir uma democracia em países como o Iraque é apoiada por 74% da população na União Européia e por 51% dos habitantes dos Estados Unidos.

Entretanto, a estratégia militar para implantar o Estado democrático é reprovada nos dois lados do Oceano Atlântico: nos EUA, 39% apóiam a tática bélica de George W. Bush, proporção que cai para 32% na UE.

Você tem medo de quê?

A palavra medo tem significados diferentes para norte-americanos e europeus. Em geral, segundo o German Marshall Fund, os entrevistados dos Estados Unidos temem o terrorismo (71% dos norte-americanos disseram ver eventuais ataques de grupos extremistas como ameaça pessoal, contra 53% dos europeus). Quando o assunto é o aquecimento global, os europeus mostram-se mais preocupados: 73%, contra 64% dos norte-americanos.

A questão do aquecimento global é, porém, uma exceção. Em todas os outros possíveis perigos coletivos citados pelo levantamento – armas nucleares, fundamentalismo islâmico, aids e a possibilidade de uma crise econômica mundial –, moradores dos EUA mostraram-se mais assustados que os da Europa.

Dentro dos Estados Unidos, pessoas ligadas ao Partido Republicano preocupam-se mais com armas nucleares e terrorismo, enquanto os democratas se concentram em aquecimento global, aids e crises econômicas.

União Européia: no meio do caminho

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União Européia: contradiçõesFoto: dpa

Além de ser um termômetro da imagem dos Estados Unidos na Europa, a pesquisa "Tendências Transatlânticas" também reflete a opinião de norte-americanos e europeus sobre o papel da União Européia. A participação da Turquia na UE, por exemplo, é melhor vista nos EUA do que na Europa: 35% dos norte-americanos disseram que a entrada da Turquia no bloco político-econômico é uma "boa idéia", resultado superior ao de todas as nações européias pesquisadas.

Em geral, o sentimento dos europeus em relação à União Européia é contraditório: 70% dos entrevistados disseram que o bloco deveria se tornar uma potência igual aos Estados Unidos. Apesar disso, apenas 44% apóiam o aumento dos gastos com segurança.

O estudo mostra ainda que a recente rejeição da Constituição da UE na França e na Holanda não é sinal da rejeição ao conceito de mercado comum. Em uma escala de 1 a 100, o sentimento dos europeus em relação à União Européia ficou em 67 pontos, apresentando uma leve queda de 3% em relação ao ano passado.