Fabricantes alemãs de armas encontram mercado lucrativo nos EUA

Com sua legislação pouco rígida, Estados Unidos são uma das principais opções para empresas que buscam alternativas diante das restrições às exportações impostas pelo governo alemão.

Como sempre acontece depois de tiroteios e massacres nos EUA, as ações dos principais fabricantes de armas subiram – em média 3% – em Wall Street depois da recente tragédia de Las Vegas, que deixou 58 mortos e centenas de feridos. Os investidores costumam apostar em um aumento nas vendas, pois entusiastas adquirem armas de fogo para estocá-las por temerem possíveis restrições no comércio.

No entanto, desta vez a reação do mercado foi mais fraca em comparação com tiroteios que ocorreram durante o governo de ex-presidente Barack Obama. A explicação mais provável é que o atual chefe de Estado, Donald Trump, é um autoproclamado simpatizante do lobby das armas, o que diminui os temores de proibição.

Na prática, porém, os legisladores americanos relutam em endurecer o controle de armas, o que levou os fabricantes alemães a começarem a ver os EUA como uma fonte potencial de grandes lucros.

"Somos a Porsche"

A Heckler & Koch (H&K), com sede em Oberndorf, no sul da Alemanha, está construindo uma nova fábrica de armas orçada em 23 milhões de dólares em Columbus, no estado americano da Geórgia. A instalação produzirá exclusivamente armas esportivas e de caça para o mercado civil dos Estados Unidos, afirma a empresa.

Segundo a fabricante alemã, a nova fábrica criará 84 empregos na cidade nos próximos dois anos – muitos dos quais serão preenchidos por engenheiros alemães e americanos. As armas militares da H&K continuarão sendo produzidas em Oberndorf.

Em maio, o então presidente-executivo Norbert Scheuch – que posteriormente foi demitido e está processando a H&K por término contratual injustificado – disse que as políticas de exportação cada vez mais restritivas do governo alemão estão forçando a empresa a tomar medidas. "Se os políticos praticamente nos impedem de realizar qualquer venda ao Oriente Médio, temos que buscar alternativas. Vamos expandir os negócios com a Otan e no mercado civil dos EUA. Somos a Porsche deste mercado", disse.

Mas Scheuch também reconheceu que o plano tem um caráter preventivo por causa da plataforma protecionista de Trump. "Devido ao slogan 'Os Estados Unidos em primeiro lugar" pode ficar mais difícil exportar para os EUA", declarou à revista Der Spiegel. "Os americanos querem produção local."

Rival já está nos EUA

Depois de se tornar a primeira fabricante de armas a abandonar as exportações para as "regiões em crise", a H&K – outrora chamada de a "empresa mais letal da Alemanha" por ativistas – fez do mercado civil dos EUA uma prioridade.

O plano aparentemente deu certo: em 2016, o volume de negócios da H&K no país aumentou 48% e atingiu os 76,5 milhões de euros – o que representa 40% do volume total do ano. Em 2017, as vendas parecem ter sofrido leve queda.

A rival teuto-suíça da H&K, a SIG Sauer, fez o mesmo movimento de ir para os Estados Unidos décadas atrás. A empresa, com sede em Eckernförde, no norte da Alemanha, tem hoje importantes unidades de fabricação nos EUA – especificamente no estado de New Hampshire, onde a Sigarms, uma empresa fundada em 1985 para importar armas da SIG Sauer, hoje produz uma variedade de pistolas.

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O atirador que matou 49 pessoas numa boate em Orlando, na Flórida, em junho de 2016, usou um fuzil de assalto SIG Sauer MCX fabricado nos Estados Unidos, além de uma Glock austríaca.

No fim da noite

O tiroteio na casa noturna Pulse, em Orlando, começou por volta das 2h (horário local), pouco antes de o clube fechar. "Todos estavam bebendo o último drinque", conta um sobrevivente. O atirador abriu fogo e matou ao menos 50 pessoas. Mais de 50 outras ficaram feridas.

Reféns por três horas

O homem armado com um rifle e uma pistola abriu fogo contra os frequentadores do clube noturno Pulse, na área central da cidade, e fez reféns por cerca de três horas. A polícia decidiu entrar no local e chegou a trocar tiros com o atirador, que foi morto. Não se sabe quantos dos reféns foram mortos na troca de tiros.

Ação da Swat

Agentes da Swat, forças especiais da polícia americana, entraram na Pulse por volta das 5h (horário local) e mataram o homem.

Estado de emergência

O maior massacre da história dos Estados Unidos fez a Flórida e a cidade de Orlando declararem estado de emergência. A Casa Branca informou que o presidente americano, Barack Obama, está acompanhando as investigações junto ao FBI.

"Você reza para não levar um tiro"

"Pensei, isso é sério? Então só me agachei. E disse 'por favor, por favor, quero conseguir sair daqui'. E quando eu fui, vi pessoas baleadas. Vi sangue. Você reza para não levar um tiro", contou Christopher Hansen, que estava na área VIP da boate quando o homem armado com um rifle e uma pistola começou o massacre. Na foto, parente de vítima é consolado em frente à casa noturna.

Tiros ininterruptos

"Pessoas na pista de dança e no bar se deitaram no chão e alguns de nós que estávamos no bar e perto da saída conseguimos sair e correr", lembra Ricardo Almodovar. Segundo o portorriquenho, os tiros foram disparados sem interrupção por cerca de um minuto.

Obama lamenta

O presidente americano afirmou que o maior massacre a tiros da história dos EUA foi um ataque contra todos os americanos e voltou tocar na questão do porte de armas, um discurso repetido em mesmo tom por Hillary Clinton.

Ruas isoladas

Mais de 12 horas após o ataque, as ruas em torno da discoteca continuavam isoladas. O incidente é investigado pelo FBI (a polícia federal americana) como um ato de terrorismo. Os primeiros detalhes sobre o atirador sugerem um homem instável, violento, homofóbico e simpatizante do "Estado Islâmico".

Doação de sangue

Americanos fizeram fila em Orlando para doar sangue, após um apelo feito pelas autoridades locais. Pelo menos 53 pessoas ficaram feridas no ataque, muitas delas em estado grave.