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Festival de Bayreuth

30 de agosto de 2010

O 99º Festival Richard Wagner foi o segundo realizado pelas bisnetas do compositor. Aos poucos, é possível reconhecer em que direção se desenvolve o mais renomado festival de ópera.

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Local do festival em BayreuthFoto: AP

Iniciado em 25 de julho passado com uma encenação altamente aclamada de Lohengrin, o tradicional festival se encerrou em 28 de agosto com Os Mestres Cantores de Nurembergue.

A montagem foi dedicada a Christoph Schlingensief, o provocador diretor de teatro que em 2004 encenou Parsifal em Bayreuth e morreu de câncer no pulmão em 21 de agosto passado. Na época, a produção de Schlingensief chocou os fãs de Wagner; hoje o impulso que o diretor recém-falecido deu ao festival é considerado importante.

Há 134 anos, o compositor Richard Wagner criou o Festival de Bayreuth. Até hoje, o evento se dedica exclusivamente à sua obra, que inclui dez óperas. Isso já justifica por que a tradição desempenha um papel tão especial em Bayreuth.

No entanto, já podem se notar algumas alterações cautelosas depois que o festival deixou de ser dirigido por Wolfgang Wagner, responsável pelo evento durante anos e falecido em março deste ano. De maneira geral, suas duas filhas e sucessoras – Eva Wagner-Pasquier e Katharina Wagner – dão a impressão de serem abertas e competentes.

Deutschland Oper Bayreuth Eva Wagner-Pasquier und Katharina Wagner
Eva Wagner-Pasquier e Katharina WagnerFoto: AP

Apesar de todas as mudanças, o princípio básico do festival se mantém, segundo explica Eva Wagner-Pasquier: "Algo que certamente não vai acontecer é a inclusão de outro compositor. Evidentemente vamos nos ater às determinações da fundação, do teatro e da concepção original".

Wagner de graça e com cerveja

Em 2010, a direção do festival manteve sua estratégia de marketing, possibilitando a transmissão ao vivo das encenações em lugares públicos e pela internet. Em 21 de agosto passado, pelo menos 20 mil pessoas se reuniram no Marktplatz de Bayreuth para assistir à transmissão gratuita de As Valquírias.

De acordo com uma enquete, 70% dos espectadores nunca haviam assistido a uma ópera de Wagner. Em um clima descontraído, o público pôde compartilhar da experiência operística legendada, bebendo cerveja e comendo salsicha. O espetáculo também foi transmitido ao vivo pela internet e pela televisão japonesa.

Algo que também já se estabeleceu como parte integrante do festival é o projeto Wagner para Crianças. Sua segunda edição apresentou uma versão de Tannhäuser direcionada ao público infantil, com 70 minutos de duração. Crianças entre 6 e 12 anos acompanharam a montagem com toda atenção. A personagem predileta dos espectadores foi a deusa do amor Vênus, andando de skate em um visual punk.

Grande atenção para o elenco

No início da temporada 2010, anunciou-se que uma comissão independente teria acesso irrestrito aos arquivos do teatro, a fim de investigar o papel do festival durante o nazismo.

Quanto ao elenco das peças, as duas bisnetas de Wagner conseguiram contratar cantores melhores nesta segunda edição que dirigiram. Algumas das estreias mais aclamadas foram a de Jonas Kaufmann como Lohengrin, James Rutherford no papel de Hans Sachs, Johan Botha como Siegmund e Lance Ryan como Siegfried. Este último, um tenor canadense, é considerado insuperável nesse papel.

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Lance Ryan como SiegfriedFoto: Bayreuther Festspiele/Enrico Nawrath

No próximo ano, a 100ª edição do Festival Richard Wagner vai apresentar uma nova encenação de Tannhäuser, sob direção de Sebastian Baumgarten e regência de Thomas Hengelbrock.

Em 2013, ano em que se comemora o 200º aniversário do compositor, haverá uma nova encenação do Anel do Nibelungo. O diretor ainda não foi definido, mas já se sabe que o russo Kirill Petrenko será o regente.

Ao mesmo tempo, planejam-se pela primeira vez em Bayreuth montagens de três óperas compostas por Wagner enquanto jovem: As Fadas, Amor Proibido e Rienzi.

Autor: Rick Fulker (sl)
Revisão: Roselaine Wandscheer