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Governo alemão vai se ocupar de educação de imãs

Seda Serdar av
21 de novembro de 2019

Numa iniciativa para reduzir influência estrangeira sobre líderes religiosos muçulmanos, assim como barreiras linguísticas e culturais, a Alemanha está lançando um novo projeto-piloto para treinar imãs no país.

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Sacerdote religioso de costas, olhando para parede de azulejos
Foto: picture-alliance/dpa/D. Laupold

Há muito, o governo alemão vem se debatendo com envolvimento estrangeiro na educação de imãs que dirigem comunidades muçulmanas por toda a Alemanha. Em reação, uma nova associação educacional foi lançada na Universidade de Osnabrück nesta quinta-feira (21/11), com patrocínio para startups do Ministério do Interior.

Embora algumas organizações muçulmanas venham treinando imãs para suas próprias comunidades na Alemanha, a maioria dos sacerdotes atuantes no país é filiada à União Turco-Islâmica de Assuntos Religiosos (Ditib). Dos 4,5 milhões de muçulmanos do país, cerca de 3 milhões são de origem turca.

Foi justamente essa influência externa que levou Berlim a dar um passo tão ousado, observa a deputada Filiz Polat, do Partido Verde: era uma medida que sua legenda "vinha requerendo há tempos".

A Ditib é a maior federação islâmica da Alemanha, contando 900 mesquitas filiadas. Seus imãs são educados, financiados e enviados pela Turquia. A barreira linguística e cultural, assim como a fidelidade de muitos deles ao governo turco, levou o governo alemão a tratar intensivamente do tema nos últimos anos.

Um dos maiores obstáculos para abordar a questão era a aquisição de financiamento, que agora encontra uma solução temporária, através do investimento planejado pelo governo. Segundo Polat, citando uma consulta oficial, o Ministério do Interior já confirmou seus planos para financiamento como startup.

Uma das organizações a participar da nova associação será o Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha (ZMD), confirmou seu presidente, Aiman Mazyek. "Não podemos sempre reclamar que haja imãs estrangeiros", comentou à DW. Mas o estabelecimento da associação é um passo concreto e "um desdobramento positivo, mas que deveria ter sido introduzido décadas atrás".

Nos termos da Lei Fundamental, o Estado alemão deve manter-se fora de assuntos das comunidades religiosas. No entanto, de acordo com a parlamentar Polat, a neutralidade do Estado é salvaguardada através da fundação de uma associação independente, localizada no estado da Baixa Saxônia.

"O seminário de rabinos de Potsdam recebeu financiamento como startup, e essa estratégia vingou", argumenta, referindo-se ao Colégio Abraham Geiger, patrocinado pelo Estado, um passo que "também seria constitucionalmente objetável".

Atualmente, teologia islâmica é ensinada em instituições acadêmicas nas cidades de Münster, Tübingen, Osnabrück, Giessen e Erlangen-Nurembergue. Em outubro, a Universidade Humboldt de Berlim também abriu um instituto de teologia islâmica.

No entanto, os teólogos formados não podem simplesmente trabalhar como imãs na Alemanha, já que os institutos não ensinam a leitura do Alcorão, como conduzir uma prece, nem outras tarefas práticas. Para tal, é necessário uma educação prática separada.

A Secretaria de Ciência e Cultura da Baixa Saxônia informa que seus planos incluem "o estabelecimento de uma associação registrada, em cooperação com organizações e congregações das mesquitas que estejam interessadas". Peritos em teologia islâmica integrarão essa nova associação. A secretaria também sugere que o método pode "funcionar como um modelo" para a educação de imãs em outros países.

O professor Rauf Ceylan, da Universidade de Osnabrück, que anteriormente esboçou um "roteiro" de como a educação de imãs deveria ser praticada na Alemanha, considera a nova iniciativa "um pé na porta" da problemática. No entanto, o projeto não deve começar com "grandes expectativas", ressalvou: "Precisamos simplesmente começar, e acho que quando a qualidade se revelar, o projeto vai ganhar aceitação, no longo prazo."

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